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O Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, tem patente até 25 de outubro a exposição “Lourdes Castro: Existe Luz na Sombra”, uma mostra dedicada à artista madeirense que assinala a última etapa de um ciclo de itinerância nacional iniciado nos Açores e posteriormente apresentado em Lisboa.
Com curadoria de Márcia de Sousa, a mostra parte da exposição “Como uma ilha sobre o Mar: Lourdes Castro”, apresentada no MUDAS entre 2022 e 2023, e pretende preservar e divulgar o legado de uma das figuras mais relevantes da arte portuguesa do século XX.
Segundo a organização, o percurso expositivo privilegia uma leitura da dimensão íntima da artista, cruzando obras de arte com objetos pessoais e documentação do seu arquivo, maioritariamente provenientes do acervo da família e da coleção do Museu de Arte Contemporânea da Madeira.
Mais do que uma retrospetiva de caráter antológico, a exposição apresenta-se como uma homenagem póstuma, revelando o modo como Lourdes Castro utilizava o arquivo pessoal como prolongamento da sua prática artística, marcada pela valorização da memória, do quotidiano e da experiência afetiva.
Nascida na Madeira, em 1930, Lourdes Castro frequentou o curso de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, que abandonou em 1956. No ano seguinte partiu para Munique e, em 1958, fixou-se em Paris, onde, juntamente com René Bertholo, Costa Pinheiro e outros artistas portugueses, fundou o grupo e a revista KWY, considerados marcos da vanguarda artística portuguesa no exílio.
Após uma fase inicial ligada à pintura abstrata e à neofiguração, a artista abandonou os suportes tradicionais, desenvolvendo uma obra influenciada pelo Nouveau Réalisme e pelo Neo-Dada, centrada na utilização de materiais industriais e, sobretudo, na investigação em torno das sombras, tema que se tornou a sua principal assinatura artística desde a década de 1960.
A sua obra integra atualmente coleções de instituições nacionais e internacionais, entre as quais o Victoria and Albert Museum, em Londres, o Museu de Arte Moderna de Havana, o Museu Nacional de Varsóvia, o Museu Nacional do Mónaco, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação de Serralves e o MUDAS – Museu de Arte Contemporânea da Madeira.
Ao longo da carreira, Lourdes Castro recebeu, entre outras distinções, o Grande Prémio EDP (2000), o Prémio de Artes Visuais da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), em 2004, a Medalha de Mérito Cultural e o grau de Comendadora da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, ambos atribuídos em 2021.
Lourdes Castro morreu em 8 de janeiro de 2022, aos 91 anos.
A exposição abre ao público esta quarta-fera, 15 de julho, às 18h30 e integra um projeto financiado pela Direção-Geral das Artes (DGARTES), através da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC), reunindo um conjunto de obras, objetos pessoais e documentos do arquivo de Lourdes Castro, muitos dos quais raramente apresentados ou inéditos.
A iniciativa resulta de uma parceria institucional liderada pelo Governo Regional da Madeira, através do MUDAS – Museu de Arte Contemporânea da Madeira, responsável pela organização, produção, curadoria e direção artística, em colaboração com o Governo Regional dos Açores, através do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, a Sociedade Nacional de Belas-Artes e a Museus e Monumentos de Portugal, através do Museu Nacional Grão Vasco.
O projeto conta ainda com a participação da Câmara Municipal da Calheta, da Associação dos Amigos da Arte Inclusiva – Dançando com a Diferença, da Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia da Madeira e da Movecho.