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O presidente da Câmara de Mangualde, Marco Almeida, anunciou hoje que pretende voltar a colocar o edifício principal do antigo Colégio São José e Santa Maria ao serviço da comunidade, através da construção de habitações para arrendamento acessível.
“Queremos avançar com a criação de mais 30 habitações destinadas ao arrendamento acessível, praticamente duplicando o número de respostas que hoje temos previsto”, afirmou o autarca socialista, durante a cerimónia de inauguração da requalificação do bairro municipal, que contou com a presença da secretária de Estado da Habitação, Patrícia Costa.
Segundo Marco Almeida, trata-se de “um edifício com enorme significado” para o concelho de Mangualde, no distrito de Viseu.
Com este projeto, a autarquia conseguiria alcançar dois objetivos: “Criar novas habitações para jovens, famílias e trabalhadores que procuram viver em Mangualde” e “recuperar património edificado de elevado valor histórico e arquitetónico, devolvendo-lhe uma função útil ao serviço das pessoas”.
“Mangualde quer continuar a fazer mais. Temos o espaço, temos um projeto, temos vontade”, frisou, fazendo votos para que o município possa “continuar a contar com o apoio do Governo para transformar esta ambição em realidade”.
Patrícia Costa garantiu a Marco Almeida que “há vida para além do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência)”, que financiou as obras de requalificação hoje inauguradas do Bairro Municipal de Mangualde em cerca de três milhões de euros.
“O Governo já tratou de criar um regime de exceção que garante uma subvenção a 60% ou 85%, em função daquilo que seja as datas de entregas das soluções habitacionais”, afirmou.
A secretária de Estado admitiu que todos têm “a noção do desinvestimento que foi feito em políticas públicas de habitação nos últimos 20 anos”, uma situação que “não se vai conseguir ultrapassar em três ou quatro anos”.
“Não vai acontecer, é preciso muito mais. São precisos mais projetos e projetos ambiciosos. Mangualde tem uma posição estratégica no território, está muito perto de Viseu, e há aqui um investimento muito grande do ponto de vista das infraestruturas”, sublinhou, acrescentando que “a habitação é como a cola de todos os investimentos”.
Patrícia Costa assegurou que o Governo está comprometido “em continuar a arranjar alternativas para todos os territórios, porque as dificuldades de habitação são diferentes” caso se trate de uma área metropolitana de Lisboa e do Porto ou de territórios do interior e de baixa densidade.
O Bairro Municipal de Mangualde, construído nos anos 50 do século XX, vai ganhar nova vida com 17 famílias que hoje receberam as chaves das suas casas, após obras de requalificação de cerca de três milhões de euros.
O presidente da Câmara de Mangualde, Marco Almeida (PS), frisou que estas 17 famílias “passam a viver em casas completamente renovadas, mais confortáveis, mais eficientes do ponto de vista energético e preparadas para responder às exigências dos próximos anos”.
Realizadas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), as obras permitiram requalificar 20 moradias (T2 e T3), que, numa primeira fase, serão ocupadas pelas 17 famílias.
O autarca destacou o trabalho de proximidade e diálogo permanente com o Governo e o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), considerando que, “sem esta colaboração entre a administração central e as autarquias, seria muito mais difícil concretizar projetos desta dimensão”.
“Esta obra resulta do PRR e demonstra bem aquilo que pode ser alcançado quando existem programas públicos eficazes e municípios preparados para os aproveitar”.
As obras de requalificação incluíram a manutenção da traça original dos edifícios, ampliação de áreas, isolamento térmico, remodelação de infraestruturas e melhoria dos espaços públicos envolventes.
Satisfeitos com o que viram estavam os irmãos José Vaz e Helena Vaz Mendes, que nasceram numa das casas do bairro e aí passaram a sua infância e juventude.
“Brincávamos por todo o lado, comíamos a fruta [das árvores] dos vizinhos quando havia e eles só queriam que lhes deixássemos alguma para a prova”, recordou José Vaz aos jornalistas.
A sua irmã, Helena, contou que os moradores do bairro eram como uma só família, “todos se juntavam e ajudavam” no que fosse preciso.
O regresso hoje ao bairro foi uma alegria e irá repetir-se muitas vezes, até porque os seus pais, de 91 anos, vão voltar a ocupar a casa onde viveram durante mais de 60 anos, depois de dois anos de ausência por causa das obras.
Marco Almeida garantiu que a habitação é uma prioridade estratégica do seu executivo: “Sabemos que um concelho só cresce quando consegue oferecer condições para que os jovens aqui permaneçam, para que novas famílias aqui se fixem e para que quem mais necessita encontre respostas dignas”.
É por isso que, segundo o autarca socialista, o executivo camarário aproveita os instrumentos colocados à disposição dos municípios.
“Hoje, ao abrigo do programa Primeiro Direito, estamos a concretizar 22 soluções habitacionais, às quais se juntam 25 habitações destinadas ao arrendamento acessível”.
Segundo Marco Almeida, no total, com o IHRU, o município está “a criar 47 novas respostas habitacionais públicas, um investimento sem precedentes” no concelho de Mangualde, no distrito de Viseu.
“Mas a política de habitação que estamos a desenvolver não se limita à habitação pública. Há outro sinal muito importante que demonstra que Mangualde vive um momento de enorme dinamismo”.
Isto porque, nos últimos quatro anos, foram construídos mais de 150 novos fogos privados e encontram-se em fase de licenciamento mais de 200 novas habitações, o que revela “um concelho em crescimento”.