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PJ detém 20 pessoas suspeitas de tráfico de droga para as prisões da Guarda, Coimbra e Lamego

Suspeitos eram comandados a partir da cadeia da Guarda

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 PJ detém 20 pessoas suspeitas de tráfico de droga para as prisões da Guarda, Coimbra e Lamego

O grupo suspeito de fornecimento de droga para os estabelecimentos prisionais da Guarda, Coimbra, Viseu e Lamego era liderado por um recluso da prisão da Guarda que cumpriu pena por tráfico no Peru, disse hoje a PJ.

De acordo com a Polícia Judiciária (PJ), o recluso enviar para o Peru “grande parte do dinheiro produto das vendas dentro das cadeias”.

“O comando estava dentro do estabelecimento prisional da Guarda. O mandante é um recluso, que cumpriu pena por tráfico de estupefacientes no Peru, para onde mandava grande parte do dinheiro produto das vendas dentro das cadeias”, revelou o coordenador do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda da Polícia Judiciária.

Alexandre Branco falava aos jornalistas numa conferência de imprensa realizada nas instalações da PJ da Guarda, na sequência da detenção de vinte pessoas, na segunda-feira e na terça-feira, suspeitas dos crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida.

A operação ‘Tranca Segura’ permitiu apurar o modo de atuação e desmantelar este grupo formado por reclusos e pessoas no exterior, todos com antecedentes criminais por tráfico de estupefacientes.

“Já tinham esta vivência e sabia bem como as polícias atuam. Faziam, inclusivamente, manobras de proteção para tentarem evitar que soubéssemos o que andavam a fazer”.

O coordenador da PJ da Guarda acrescentou que os suspeitos introduziam nas cadeias “pequenas quantidades de droga para que, se fossem intercetados, nunca caírem no tráfico de estupefacientes”.

“Não temos muita droga apreendida, mas apreendemos muito dinheiro para esta dimensão”.

Segundo o comunicado da PJ enviado à agência Lusa, foram apreendidos cerca de 81 mil euros em dinheiro, 80 doses individuais de heroína, 120 doses de cocaína, sete papéis impregnados com estupefacientes, duas armas de fogo, 71 munições de diverso calibre, incluindo o das armas apreendidas, quatro balanças de precisão, 31 telemóveis e ainda três viaturas.

Alexandre Branco adiantou que “as ordens saíam de dentro da cadeia”.

“Havia pessoas, que iam aos grandes centros populacionais, onde adquiriam a droga, que era entregue a outras pessoas, também só com essa função, que a traziam até à porta dos estabelecimentos prisionais”.

Depois, essa droga era distribuída por visitas, “que não estavam no esquema criminoso”.

“Algumas das quais suspeitamos que tenham atuado, mesmo sabendo do crime que estavam a cometer, com medo que acontecesse algum mal aos seus entes queridos reclusos”, disse Alexandre Branco.

O caso começou a ser investigado há ano e meio depois de uma participação da direção do estabelecimento prisional da Guarda, em abril de 2025.

“Conseguimos evidências desta entrada de droga trazida por visitantes. Era necessário saber como se processava e quem eram e pedimos, mais uma vez, a cooperação da PJ, que durante este ano e meio de investigação chegou a estes bons resultados”, declarou Luís Couto, diretor da prisão da Guarda, na conferência de imprensa.

O responsável assegurou ainda haver “a certeza que não há ninguém que trabalhe no estabelecimento prisional que esteja nesta organização”.

“Recebemos, por ano, praticamente entre 17 a 20 mil visitantes e nem todas as pessoas estão disponíveis para cumprir as regras. Este é um exemplo. Temos muitas dificuldades em controlar tudo e todos. Vamos fazendo, não diria o nosso melhor, mas mais do que o nosso melhor”.

O estabelecimento prisional da Guarda tem cerca de 287 reclusos e 105 profissionais.

Os detidos, 17 homens e três mulheres, já estão a ser ouvidos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Guarda, cujo inquérito é ali titulado.

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