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A Câmara de Tondela lançou o concurso público relativo à criação de conteúdos para o futuro Centro Interpretativo da Estância Sanatorial do Caramulo, que foi o maior centro de tratamento da tuberculose pulmonar da Península Ibérica.
O projeto foi lançado a concurso por cerca de 292 mil euros, publicado em Diário da República na segunda-feira.
“Esta é a última etapa de um processo que faz parte das 12 ações que nos propusemos concretizar no âmbito do posicionamento da Marca Caramulo”, explicou a presidente daquela autarquia do distrito de Viseu, Carla Antunes Borges.
O objetivo é “registar para memória futura tudo o que foi a iniciativa da família Lacerda e a importância que a Estância Sanatorial teve para o Caramulo e para o concelho e que tornou o Caramulo numa marca e uma referência”, acrescentou.
A autarquia quer contratar bens e serviços que permitam desenvolver e dinamizar o futuro Centro Interpretativo da Estância Sanatorial do Caramulo, que nascerá no antigo posto de Turismo, após ter beneficiado de obras de requalificação e de alargamento orçadas em mais de 453 mil euros.
O projeto – dinamizado pelo município e pela Junta de Freguesia do Guardão – visa “dar a conhecer a história da Estância Sanatorial do Caramulo, com as suas dinâmicas muito próprias e que vão muito além da componente clínica e apresentar a visão de futuro do Caramulo”, explicou.
A empresa vencedora terá de executar trabalhos como a produção de conteúdos, concretamente “ao nível da elaboração de textos acessíveis ao público em geral e da seleção de imagens e de vídeos que estimulem a interatividade com o visitante, independentemente da sua idade”.
A criação de “aplicações multimédia que tornem a visita mais apelativa e envolvente”, a apresentação de “soluções expositivas que combinem uma utilização criativa do espaço com a exibição de objetos físicos e utilizando meios digitais” e também de “abordagens diferenciadoras para a inclusão de visitantes com necessidades especiais” são alguns dos trabalhos a executar.
A Câmara de Tondela lembrou que a origem da Estância Sanatorial do Caramulo remonta à década de 20 do século passado, com a fundação da Sociedade do Caramulo, em cuja liderança se destacou o médico Jerónimo de Lacerda.
“Reconhecidas as propriedades terapêuticas do ar puro da Serra do Caramulo, os setores público e privado encetaram um conjunto de obras urbanísticas conducentes a uma autossuficiência quase total”, contou.
Entre essas obras estão sanatórios, bairros residenciais, saneamento, canalização de águas, parques verdes, recolha de lixos, produção de energia elétrica e muitas outras infraestruturas de apoio sanitário e alimentar.
Com tudo isto, “o que antes era um local desabitado, às portas da aldeia das Paredes do Guardão, converteu-se num dos lugares mais avançados do ponto de vista clínico e médico, utilizando tratamentos inovadores para a época e com largo impacto na comunidade científica”.
No entanto, “a partir da década 60, os avanços da medicina permitiram a progressiva erradicação da tuberculose, o que conduziu à diminuição do número de pacientes e ao encerramento dos sanatórios”, acrescentou.