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A crise na habitação tem sido um tema recorrente nos últimos tempos, devido aos elevados preços no setor imobiliário. Destacam-se as manifestações em Lisboa e no Porto com pessoas a irem para a rua e montarem tendas para mostrarem o seu descontentamento. Estas movimentações despertaram diferentes reações na população portuguesa.
A maior parte das pessoas vê estas manifestações como uma forma de mostrar o seu ponto de vista em relação ao assunto, já que “cada vez se torna mais difícil para muitos jovens e famílias conseguirem uma habitação com um preço acessível”, afirma Bruna Soares, uma jovem estudante de 20 anos. Contudo, uma das coisas negativas associadas a estas manifestações são os desacatos provocados por algumas pessoas o que faz com que sejam vistas de forma negativa e que levem as pessoas a não concordar com estas iniciativas. Na visão da farmacêutica Marta Oliveira, as manifestações “são justas tendo em conta o aumento dos preços da habitação”, mas não concorda com a maneira como algumas são feitas devido aos distúrbios que muitas vezes são causados.
A crise na habitação é um problema cada vez mais debatido, já que não está a afetar só os jovens e várias pessoas no país, mas também diversos setores da sociedade. “É uma luta que está a ser transversal”, sublinha o ator Gabriel Gomes. O maior problema passa pelo desequilíbrio profundo entre a oferta de casas, o seu preço e o poder de compra da população. Devido a este fator “há pessoas a ser despejadas, há pessoas que não estão a conseguir comprar a casa e é um bem essencial, é um direito que todos devemos ter”, justifica.
Na última década, o preço das habitações disparou transformando o acesso a uma casa digna, seja para compra ou arrenda, num desafio financeiro insuportável para a maioria dos jovens. “Apesar de trabalharem e principalmente ganharem o salário mínimo, é impossível para muitos jovens terem casa própria”, opina Guilherme Silva. Mesmo muitas pessoas que possuem habitação e que neste momento têm uma vida estável expressam a sua preocupação, pois a vida pode mudar a qualquer momento e também existe uma preocupação com as gerações futuras. “Eu não sei como é que vai ser a vida do meu filho daqui a uns anos, e também a minha vida a qualquer momento pode mudar, basta eu ou a minha mulher ficar sem trabalho, e pagar as contas de casa, só com salário é impossível”, alerta Guilherme Silva.
A revolta das pessoas também se faz sentir devido à falta de atuação do governo face a estas manifestações. Uma das maiores críticas é continuar tudo igual e não serem tomadas medidas tanto para amenizar o clima de tensão nem para melhorar os problemas da crise da habitação. Segundo Guilherme Silva, o principal problema reside nos “anos e anos de má gestão e também algo a ver com a crise migratória que tem vindo a assolar o país”. Quanto às respostas que o governo promete dar, Gabriel Gomes, acha que “quando dão resposta, é uma resposta arrogante e petulante” e pensa se a melhor solução será mudar o governo. Contudo, na visão de Bruna Soares ainda há esperança para que se tome algumas medidas “uma vez que já foram apresentadas propostas para alterar as regras do arrendamento”.
Em Viseu está agendada para hoje uma assembleia popular às 18h30 na Rua Formosa.