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A vereadora do Partido Socialista (PS) na Câmara Municipal de Vouzela, Catarina Meneses, votou contra o protocolo da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões para a elaboração de uma Estratégia para a Economia da Defesa, considerando que a iniciativa representa uma opção política com consequências duradouras para o futuro da região.
O protocolo prevê um investimento de 60 mil euros, a repartir pelos 14 municípios que integram a comunidade intermunicipal, para a elaboração de um estudo destinado a preparar esta vertente da estratégia territorial para o período de 2027 a 2030.
Catarina Meneses manifesta reservas quanto à orientação estratégica proposta, nomeadamente à possibilidade de a região direcionar parte da sua capacidade industrial, académica e formativa para o setor da defesa, incluindo áreas como a produção de munições, drones, armamento, software e outros equipamentos militares.
“A Estratégia para a Economia da Defesa não constitui apenas um documento técnico, podendo representar uma opção política com consequências duradouras”, defende a vereadora socialista, citada em comunicado enviado sobre a matéria.
Entre as preocupações apontadas estão os potenciais impactos ambientais e sociais de uma aposta na indústria militar, designadamente a pegada de carbono associada ao setor, os riscos decorrentes da concentração da atividade industrial nesta área e a possibilidade de serem desviados recursos de domínios considerados essenciais, como a Saúde e a Educação.
A eleita do PS questiona também as prioridades financeiras da iniciativa, comparando os 60 mil euros previstos para a elaboração do estudo com os 16.800 euros destinados ao apoio ao Banco Alimentar Contra a Fome, diferença que considera traduzir uma «evidente inversão de prioridades».
Embora reconheça que o desenvolvimento da economia da defesa pode gerar benefícios económicos e criar emprego, Catarina Meneses considera que essas oportunidades devem ser avaliadas em conjunto com as consequências a longo prazo para o território e para as gerações futuras.
A vereadora defende ainda que uma decisão desta dimensão deveria ter sido sujeita a discussão pública durante o período eleitoral autárquico, permitindo que as populações dos 14 municípios conhecessem as implicações da estratégia e participassem no debate sobre o modelo de desenvolvimento a seguir.
“Trata-se claramente de uma opção política e é no plano político que tem de ser discutida, de forma ampla e aberta”, sustenta.
Para Catarina Meneses, a definição da estratégia para a economia da defesa exige transparência, participação pública e ponderação das implicações éticas, ambientais e sociais, não devendo ser apresentada apenas como uma questão técnica ou de potencial crescimento económico.