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B de Benjamin e Fachada

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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
05.05.21
fotografia: Jornal do Centro
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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
05.05.21
Fotografia: Jornal do Centro
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 B de Benjamin e Fachada

Após uma semana atabalhoada e cheia de queixumes vários, chegava eu cedo ao teatro, preparada para mais um dia de obstáculos, quando uma surpresa me iluminou o dia. Na sexta-feira passada, quando cheguei ao teatro, aguardavam-me na entrada dois embrulhos de papel pardo, atados com um cordel e com o meu nome e morada escritos a caneta de tinta permanente. Abri os dois pacotes como quem abre dois presentes. O mestre e sábio João Barrento enviara-me as suas duas últimas traduções do mais urgente dos pensadores: Walter Benjamin. Ali estavam, à minha frente, as “Passagens de Paris” e as “Imagens de pensamento” que eu trocara por um livro meu que também enviara. Lá dentro uma nota dizia:

“O bom escritor não diz mais do que aquilo que pensa. E muita coisa depende disso. É que o dizer não é apenas a expressão mas a realização do pensamento”.

Em conversa com o Alberto, na entrada, comentei. O Benjamin pode ler-se abrindo qualquer página ao calhas. O Benjamin é o autor da realização do pensamento e da reprodução da imagem. O Benjamin planeava fugir para os Estados Unidos em 1940 partindo de lisboa, na altura uma cidade neutra. Na fronteira franco-espanhola, a guarda espanhola impediu-o de prosseguir o seu caminho informando-o de que seria deportado no dia seguinte e entregue aos nazis. Sentindo-se derrotado, Benjamin suicidou-se com overdose de morfina num quarto de hotel. No dia seguinte as fronteiras abriram e todos os seus companheiros chegaram ao seu destino.

Antes que eu dissesse mais alguma coisa, o Alberto respondeu-me: Já viste a tua sorte? As fronteiras já abriram hoje, as esplanadas e os teatros também, escapaste desta, Patrícia. Sorrimos os dois como só pode sorrir quem é o primeiro a chegar e o último a sair de um lugar sem fronteiras.

Esta semana abrimos o teatro ao público e já temos casa quase cheia: cheia de mulheres corajosas e guerreiras na quarta, vindas de Barcelos e do Brasil; cheia de rapazes e de raposas já no sábado, a provar que vale sempre a pena aguentar mais um dia, mais uma decisão, mais uma alteração, só para poder receber um Benjamin, poder abraçar uma Sónia Barbosa, poder dar a conhecer uma artista como a Janaina Leite, poder conversar num “Boca Livre” com um Rui Catalão ou poder terminar este sábado com um concerto inesquecível de um magnífico e magnânime B Fachada.

Não duvido de um aplauso de pé!

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Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato

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