Narrow pedestrian street with plywood construction walls on the left, colorful hanging lanterns overhead, and two people walking away into a blue sky.
Five men in suits sit at a long table as two sign documents during a formal agreement ceremony, with microphones and water bottles on the table.
Man in a dark suit sits at a polished conference table with a microphone, water bottle, and notebook in front of him, in a formal meeting room.
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Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.
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Vineyard path between rows of green grapevines on a sunny hillside with blue sky and distant valley.
People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
Group of pageant contestants in evening gowns/swimwear with sashes standing on a brightly lit stage, audience seated in foreground.
Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um Diário – 11 de fevereiro de 1976

Fragmentos de um Diário – 11 de fevereiro de 1976

04.06.21
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Não sei bem o que sinto,
não sei o que é a verdade,
se a mim mesmo minto
se me sujo na cidade.
Anseio agarrar a alma
dos mistérios da vida,
mas não encontro vivalma
de mão ferida estendida.

Não sei se me equilibro.
Tanto procuro Deus!

Nas redes do nada me quebro,
quebro-me nas grades de mim.
Penso por vezes, com ansiedade,
num qualquer ópio como evasão.
Mas não seria trocar a cidade
por uma nova escravidão?

Escrito numa aula de português no liceu Alves Martins. As aulas são geralmente uma chatice. Não por culpa dos professores. Mas dos alunos que se não calam um instante, sobretudo em certas aulas. Não entendo esta falta de sentido do dever. Como se o espírito revolucionário lhes instilasse o veneno da indisciplina. O professor de História, este, ao perceber a impossibilidade de resolver a situação, arranjou um estilo muito próprio de lecionar. Entra, escreve o sumário no quadro, a que ninguém liga, e inicia uma peregrinação ao longo do estrado, de um lado para o outro, a dar a lição para o ar, com o olhar fixo no teto ou no exterior. Habituado à disciplina do colégio Dom Bosco, acho este comportamento dos meus colegas um nojo. Alguns chegam completamente pedrados, não sei como se aguentam. Mas estes não fazem barulho, ficam pasmados a olhar para dentro, ou baixam a cabeça sobre os braços cruzados na carteira.

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