Museum display: orange racing suits on the left, a video of a helmeted driver in a car on the screen, and a yellow race car in the foreground.
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Athletes stand on a podium: first place in center with green pants and white shirt, holding a certificate and wearing gold medal, flanked by second and third place winners on red/blue outfits; backdrop reads WMAC DAEGU 2026 with flags and sponsor logos.
Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.
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People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
Group of pageant contestants in evening gowns/swimwear with sashes standing on a brightly lit stage, audience seated in foreground.
Six young dancers pose with medals and a large trophy in front of a dance competition backdrop, Portugal flag visible behind them.
Home » Notícias » Colunistas » O martírio de Izabel e o arrependimento de Louçã e Abrantes

O martírio de Izabel e o arrependimento de Louçã e Abrantes

06.11.21
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1. Izabel trabalhava num salão de cabeleireiro em Pszczyna, uma pequena cidade do sul da Polónia. Nos seus trinta anos de vida brincou, sonhou como toda a gente no que-vou-ser-quando-for-grande, cresceu, estudou, casou aos vinte, teve uma menina que agora tem nove anos e a quem os pais queriam dar um irmão ou uma irmã, isso era igual.
Já em 2021, neste segundo ano da peste, Izabel ficou grávida, uma gravidez desejada, cheia de esperança e amor. Eis senão quando, em Setembro, na vigésima segunda semana de gravidez, houve um rompimento de membranas, perda de líquido amniótico, uma ida de urgência para o hospital.

Aí, apesar do feto apresentar anomalias evidentes, os médicos não fizeram imediatamente o aborto com medo de serem perseguidos pela justiça. É que, na Polónia, desde o início deste ano, quem executar um aborto daquele tipo arrisca três anos de cadeia. Resultado: aquele tempo de espera pela morte do feto fez com que Izabel soçobrasse a uma septicemia.
Esta tragédia aconteceu porque o “Tribunal” Constitucional daquele país criminalizou o aborto por malformação do feto, afirmando que é “eugenia”, é “negação do respeito pela dignidade humana”.

Lembre-se que aquele órgão de cúpula do poder judicial polaco é tudo menos um tribunal independente do poder político. Pelo contrário, ele é constituído por capachos do partido de Lei e Justiça (PiS), no poder, e é presidido por uma amiga de longa data de Jaroslaw Kaczynski, o líder supremo daquela seita ultradireitista.
Esta aberração jurídica — há muito desejada pelo PiS e há muito evitada na rua pelos movimentos de cidadãos — foi consumada pela calada, em plena pandemia, quando as restrições sanitárias não deixavam o povo manifestar-se.

Esta semana, no dia 1 de Novembro, milhares de mulheres e homens vieram para as ruas gritar um “Nunca Mais!” a esta barbárie perpetrada por bárbaros de terço na mão. Uns hipócritas que, quando as suas mulheres ou as suas filhas têm uma gravidez indesejada, vão à Chéquia ou à Eslováquia resolver o “problema”.

2. No Conselho de Estado desta semana, o “televangelista” Francisco Louçã e o “soviético” Domingos Abrantes foram os únicos conselheiros a declararem-se contra a dissolução do parlamento.
Dá para perceber que, agora, o bloco e o PCP estão com medo de ouvir o povo, que estão arrependidos da asneira que fizeram. E têm boas razões para torcerem a orelha. É que nem precisavam de ter votado a favor do orçamento. Bastava terem-se abstido. Mas preferiram dar um tiro no pé, preferiram dar já um grupo parlamentar a André Ventura. Não têm perdão.

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