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Fragmentos de um Diário – 22 Novembro 1980

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19.02.22
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  Mais um dia. Tudo na mesma. As coisas habituais nos lugares habituais. Também eu no lugar habitual. A solidão. A solidão no sangue, a solidão nos gestos, a solidão nos olhos. Vivo de esperança e solidão. Estou só. Estou só mas estou bem. Ninguém me perturba. Afasto-me voluntariamente. Não é tristeza o que sinto. É outra coisa.
        E, no entanto, tive uma semana preenchida: assisti ao lançamento de um livro de poesia, “Têmpera” de Boaventura de Sousa. Diga-se de passagem que se tratou de uma xaropada sem redenção, equivalente ao dislate dos versos. Tenho ido às aulas, também aos treinos de atletismo. Mas a insatisfação permanece. É bom realizar algo, mas suspeito que haja neste quase entusiasmo uma espécie de sublimação. Não é bem isto o que quero e o que penso que valha a pena.
        É já noite. O quarto é de silêncio. Olho as janelas. Não se vê nada do exterior, tão só o escuro. Como se o mundo acabasse neste quarto. Como se o mundo fosse apenas este quarto. Mas há pessoas. Há passos que ressoam. Onde estás, meu amor?

23 Novembro 1980

         Ontem começou a campanha eleitoral para a presidência. Maus presidentes facilitariam a restauração monárquica. A ver vamos!
       Preocupa-me deveras a problemática política. Sobretudo, a relação entre a política e a ética. Na medida em que uma dada situação política pode determinar uma maior dinâmica na libertação ética do homem assim como a pode travar, reduzindo-a a esquemas rígidos e homogéneos. Outras questões se levantam: como mudar a práxis política, como fazer uma revolução sem uma mudança cultural? Como homens de velha mentalidade podem fazer algo de novo? Mas como mudar as consciências sem mudar as condicionantes sociais?
        Parece-me que a história dificilmente poderia ter sido diferente. Toda a atitude, por mais diversa que seja, todo o entusiasmo ou pessimismo, as revoluções e reações, as mil respostas que surgem ao longo dos tempos, tudo isso tem o seu lugar e a sua importância. O santo e o pecador, o herói e o burguês, o poeta e o realista, todos contribuem para a composição da peça da vida social. Até a vagabundagem de alguns é um sopro de mudança e aventura. Estou do lado dos contemplativos inquietos.

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