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Depois de 80 anos, cervejaria Senta Aí fecha portas, mas história não acaba aqui

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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
02.04.22
fotografia: Jornal do Centro
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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
02.04.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 Depois de 80 anos, cervejaria Senta Aí fecha portas, mas história não acaba aqui

Depois de 80 anos de história, a ‘Cervejaria Senta Aí’, uma das mais icónicas de Viseu, acaba por fechar portas na rua D. Duarte, junto à Rua Direira, em pleno centro histórico da cidade. Mas, a um segredo “escondidinho” para desvendar.

Com 37 anos de casa, Luís Pereira, atual proprietário do estabelecimento, dedicou-se a este negócio desde cedo. Inicialmente como empregado, mas, mais tarde, devido ao falecimento do seu patrão, decidiu arriscar e passou a dono.

“Estou aqui há 37 anos, vim trabalhar para aqui com 14 anos”, situa-nos. “Formámos, há 20 anos, uma sociedade, eu mais um colega meu e como patrão estou há 20 anos aqui”.

Entre a correria das mudanças, devido ao encerramento do ‘Senta Aí’, Luís Pereira explica o motivo que desencadeou a transição de espaços.

“A renda era exorbitante, não era suportável. Fiz uma proposta, mas não foi aceite. Temos que fechar e tentar noutro lado. Tentar uma nova vida…”, explica entristecido.

“Vamos para trás da Caixa Geral de Depósitos, onde era o antigo ‘Escondidinho’. Vai continuar com o mesmo nome e conceito. Vamos fazer o mesmo que se fazia aqui e com os mesmos trabalhadores atrás do balcão”, completa.

Com o passar dos anos, criar memórias naquele espaço foi inevitável. E explica-nos como se sente em relação a esta decisão.

“Vim com 14 anos e tenho 52, foi sempre aqui o meu trabalho e é chato não chegarmos a acordo com a entidade patronal“, diz. “Isto era uma família. Neste canto, o pessoal conhecia-se todo, até os próprios vizinhos dizem que vai ser uma rua mais deserta e é mais uma casa que vai ficar fechada…”

Das lembranças que tem neste espaço, os clientes e a sua relação de proximidade são as que mais recorda, confessa.

“Memórias é o trabalho habitual, onde os clientes são quase uma família. Eu já conheço clientes aqui que vinham cá com os pais e, agora, já vêm com os filhos e com os seus netos… É uma vivência de muitos anos aqui”.

É a partir de histórias, hábitos e relações que se cria um espaço e um negócio consistente e este não é exceção.

“Uma vez, éramos para fechar o estabelecimento à meia noite e não conseguimos e eu disse: ‘Hoje pago eu o jantar a todos, fechamos o ‘Senta Aí’ e jantamos’. A partir daí começámos a fazer um jantar todos os meses dos amigos do ‘Senta Aí’ por causa daquela data”.

E é desta forma que se encerra um capítulo. Fecha-se as portas de um espaço carregado de história, memórias e “vivências”. Abrem-se novas portas e, quem sabe, novas histórias e memórias e gerações por no novo espaço passarem.

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