Four men signing documents at a formal meeting in a wood-paneled room with flags in the background, microphones on the table, and water glasses nearby.
Rota da Cabra e do Lobo são pedro do sul
Three men seated on a beige couch on stage; the middle man is smiling and gesturing as he talks, holding a cup clear glass in his other hand.
Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.
arrendar casa
Casas Bairro Municipal Viseu 5

No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…

16.02.26

Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…

12.12.25

No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…

21.08.25
jose-damiao-tarouca-232
ps campanha
camapnha10
Vineyard path between rows of green grapevines on a sunny hillside with blue sky and distant valley.
People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
Group of pageant contestants in evening gowns/swimwear with sashes standing on a brightly lit stage, audience seated in foreground.
Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um Diário – 24 Setembro 1981 (continuação)

Fragmentos de um Diário – 24 Setembro 1981 (continuação)

14.05.22
partilhar

Depois ouvi passos, pessoas que falavam e se aproximavam. Bateram à porta e logo de seguida entrou a Lena, que virando-se para trás, para alguém que eu ainda não vira, convidou a entrar. Era a Fátima. Não me lembro de pormenores, se houve palavras, saudações, ou outras cortesias. Sei que logo de seguida, a Lena saiu, deixando-nos a sós. A Fátima mantinha-se em pé, de costas voltadas para a porta fechada. E olhava-me, olhava-me, e eu também pasmado a olhá-la. Sem reação, nenhum dos dois. Mas depois vi, claramente vi, as lágrimas a transformar os seus olhos num mar imenso e silencioso. Aproximei-me, abrindo os braços num convite comovido e mudo. E sem pudor, sem vergonha, sem medos, ambos chorámos, chorámos para do deserto dos anos que nos separaram nascessem fontes ou oásis que nos redimissem de tanta sede.

Permanecemos assim por muito tempo. Na verdade, tudo que era essencial dizer estava inscrito nas lágrimas que corriam. Todo o amor que tínhamos para comunicar substantivava o conteúdo daquelas lágrimas.

Por fim, mais serena, ela pediu-me perdão pela falta de fé. Por não ter acreditado que o milagre do nosso encontro em Lisboa se pudesse manter. Os milagres são instantâneos, acontecem, desaparecem, geralmente, arruínam-se. Respondi-lhe que ela agira bem, porque, apesar de tudo, eu não passava de um rapazinho leviano, adolescente, imaturo. Só a pureza me justificava. Só a poesia me sustentava. E eu amava-a poeticamente, com a pureza que há nos românticos.

Ela repetiu que a perdoasse por aquele ato de egoísmo, mas que eu compreendesse que naquela época não queria, não devia prender-me, ser-lhe-ia insuportável pensar que forçava a sentir-me obrigado a estar com ela, não tinha o direito de interromper as expetativas que a minha família e eu próprio tínhamos do futuro. Dizia isto com simplicidade, sem rodeios, sem frases de efeito eloquente. Acrescentou que, por outro lado, sofria com a ideia de ficar sozinha, sem nada que lhe desse um sentido de vida, sem algo que lhe recordasse de um modo presente, contínuo, o milagre do nosso namoro. Por essas razões fugiu, sim, fugiu do que previa ser uma provável derrota, levando consigo, como que numa espécie de troféu, os momentos de glória. Sorri, ao ouvir-lhe este tom agora mais enfático da sua explicação. Ela corou ligeiramente. E agarrou-se mais a mim, num aperto forte e sentido.

Jornal do Centro

pub
  • Janelas 4Life. Qualidade, inovação e sustentabilidade
  • Habifactus - Viseu cresce e nós crescemos consigo. A sua imobiliária de confiança há 23 anos.
  • ReMax Dinâmica, a agencia numero 1 no Distrito de Viseu

Colunistas

Procurar