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Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um Diário – 1 de Dezembro 1981

Fragmentos de um Diário – 1 de Dezembro 1981

 É só bola!
16.07.22
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 Fragmentos de um Diário – 1 de Dezembro 1981

Feriado. Cheguei a Coimbra. Deixei-me andar junto do pessoal cá de casa e outros conhecidos durante o jantar e ao café. E, como sempre, a superficialidade, o à-vontade com que se enrodilham nas mesas do café, provocaram-me de novo o desejo de partir, de viver de um outro modo, sem extravagâncias, com simplicidade, mas concentrado na intensidade de cada instante. Vim para casa, meti-me na cama e escrevo, ouvindo música clássica.

Olho o quarto e penso em como é inacreditável estar no último ano letivo. Como o tempo passou! Abre-se-me um outro horizonte.
Continuo a leitura de Húmus do Raul Brandão.

Finalmente, uma cadeira deveras interessante: Antropologia Filosófica. Acrescente-se o método vivo que é adotado pelo professor Miguel Baptista Pereira. Há a convicção entre os meus colegas de que se assiste pela primeira vez a aulas de filosofia.

Por vezes invade-me uma sensação de vazio, de burrice. Sinto-me confuso, sem claridade, sem ideias. Acho-me incapaz de emitir uma opinião, como se um sentimento de fracasso me invadisse, uma sensação de mal-estar por reconhecer a inutilidade e vaidade das discussões e a fragilidade das minhas opiniões.

Não pretendo atingir coisas definitivas; reconheço que tudo é sujeito à mudança, ao aperfeiçoamento, à rutura. Mas preciso de períodos de isolamento em que me sente à frente de mim mesmo para um balanço da vida, das experiências, das ideias e emoções.

Sinto-me um tanto à deriva, sem bússola, um tanto perdido no meio de explosões constantes. Quem sou eu? Que fazer? Custa-me viver na dispersão, no dia-a-dia, assim à toa. Às vezes tiro bilhete e recolho-me em meditação. Mas são instantes muito breves, limitados, muito embora sejam eles a raiz da minha maneira de ser e de estar no mundo. Mas é preciso ir mais longe, mais fundo.

É difícil viver como se não existisse a mulher, a minha mulher. Mas é assim que vivo. Ninguém sabe da minha história, ninguém tem que saber, ninguém é merecedor de saber. No entanto, existe cada dia, e em cada dia eu existo, levanto-me, preparo-me para as aulas, converso, estudo. Mas por dentro habita-me um outro desejo, violento, voraz, de me ir embora para sempre, de ir buscá-la à Suíça e partirmos para um outro continente feito à nossa medida.

 É só bola!

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