Car overturned on its roof in the middle of a highway at night, with orange traffic cones around it.
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Brown cow standing on a grassy hill, bell around its neck, against a bright blue sky with clouds.
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Line of motorcycles parked in front of a historic municipal building, with riders in white shirts standing beside them on a cobblestone plaza.
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Fragmentos de um Diário – 25 de Maio 1982

 SP – Opinião - Jornal do Centro
27.08.22
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 Fragmentos de um Diário – 25 de Maio 1982

  Escrevo para quem? Escrevo só para a Fátima. Quero que os outros se lixem, escrevo porque nada mais sei fazer, escrevo porque sou um sonhador; sem um amigo, sem a minha mulher, pergunto: que me dizem? Não me digam nada. Pratico desporto, ouço música, leio, estudo, vou às aulas, mas quero mais, não me digam nada, hei-de vencer, com ou sem filosofia, que a vida não é só isto…Mas ainda falta tempo. Por vezes, desespero. Mas eu sei que ela tem razão. E não é uma razão superficial, está em causa a vida de uma família, uma mãe doente, um pai amoroso mas desajeitado para os negócios do mundo do trabalho. Ela não protela por causa de bens materiais, um carro, luxos, ou a pensar na reforma daqui a quarenta anos. Ela faz o que tem que fazer, o que determina a lei do amor e o respeito pelo dever racional. E ao contrário de Kant, sonha, sonha com o amor, os caminhos do campo, sonha com a alegria.

13 de Julho 1982

        Ela é uma hippie, simples, livre, com uma beleza muito própria. Nasceu como eu em Lourenço Marques. Decerto que nos teremos cruzado nas ruas daquela cidade. Encontrei-a porque frequenta a cadeira de Antropologia do meu curso, e desde o início me tocou. Ela de facto está matriculada em Economia.
        Temos convivido nos últimos dias, demos já alguns beijos, mas nada mais. Ela diz que sente um certo «feeling» por mim, mas acabou há pouco tempo com o namorado de há anos e anda confusa.
        Gostaria de estar mais vezes com ela. Ela gosta do campo, não tem paciência para discotecas, raras vezes fuma, gosta da mesma música que eu, é calma, com uma certa loucura interior mas sem paranoias. Os olhos, tem-nos verdes, de um verde que transparece por vezes no mar, à hora em que os peixes são mãos lentas de melancolia.
Ontem, subiu ao meu quarto. Encostou-se ao parapeito da janela contra o fundo  do pôr do sol. Aproximei-me e abracei-a por detrás. Toquei-lhe a pele debaixo da blusa. Depois aconteceu. No fim, ela disse-me que teria sido a única vez. Vai-se embora com o namorado, com quem está a reatar. Mas sentiu que precisava de me compensar pelo afeto que lhe tenho dedicado. Há cenas destas na vida. Fiquei tocado por esta dádiva. Pouco depois, vestiu-se, deu-me um beijo na face e despediu-se.     

 SP – Opinião - Jornal do Centro

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