Weathered stone chapel with arched doorway and red-tiled roof, in a sunny courtyard.
Panel discussion at a charity/event inside a fire station, with a red fire truck behind and banners on the table centerpiece.
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A sunny riverside beach with people sunbathing under straw umbrellas on a sandy shore, next to a calm green river framed by forested hills.
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Yadaïn: Um piano, dois intérpretes e um concerto onde ‘a música começa quando as palavras acabam’

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 Yadaïn: Um piano, dois intérpretes e um concerto onde ‘a música começa quando as palavras acabam’

Os pianistas Joseph Birnbaum (França) e Dina Bensaïd (Marrocos) encontraram-se há cerca de dez anos em Paris, altura em que começaram a desenvolver um espetáculo que é muito mais do que só música. O concerto Yadaïn – a quatro mãos – inclui um repertório que vai desde Gershwin a Dvo?ák e que demonstra que na diversidade, e neste caso também cultural, há um sentido universal. Um espetáculo para ver esta noite de quarta-feira, no Teatro Viriato, em Viseu, no âmbito do Festival Internacional da Primavera. Ao Jornal do Centro, os intérpretes explicaram que se trata de um concerto onde “a música começa quando as palavras acabam”

Quando é que se encontraram e começaram a trabalhar juntos?
Joseph Birnbaum: Conhecemo-nos em Paris, no Conservatório.Tínhamos o mesmo professor e a Dina estava a terminar o curso com ele e eu a iniciar e encontrámo-nos e tivemos uma ligação musical que nos fez querer desenvolver um projeto com o qual nos identificamos.

E quando começaram a pensar neste espetáculo onde se incorporam diferentes tradições culturais, tendo em contra que o Joseph é francês e de origem judaica e a Dina é marroquina?
Dina Bensaïd: Queríamos mostrar algo diferente, algo que não se vê muito. É normal falar-se de culturas tradicionais, de várias culturas. O encontro entre estas duas culturas que são fortes em França. Em Marrocos, estas duas culturas também são próximas. Por exemplo, o melhor amigo do meu avô é judeu. Para nós é normal a convivência, mas não se fala disso. Por isso, tentamos expressar esta união que há através da música.
Joseph Birnbaum: nós não nos focamos nas diferenças culturais. Queremos mostrar que somos

O quão importante é a música nas vossas vidas e que papel desempenha no vosso relacionamento enquanto intérpretes?
Joseph Birnbaum: a música é o lugar onde nos encontramos. Ouve-se de muitos músicos esta expressão, mas é verdade. Nós vivemos na e para a música. A Dina ainda agora vinha de autocarro de Lisboa para Viseu e estava a treinar para uma obra que vai apresentar na próxima semana. Estamos constantemente a fazer música, a trabalhar para a música, a pensar em música.
Dina Bensaïd: É através da música que comunicamos.

A música é universal. É esse o diálogo que querem ter com o público quando estão os dois ao piano?
Dina Bensaïd: Alguém disse que a música começa quando as palavras acabam. Quando queremos transmitir alguma coisa, com a música conseguimos fazê-lo de uma forma mais profunda.
Joseph Birnbaum: a música tem forma, tem profundidade.
Dina Bensaïd: A música diz muito mais que as palavras, porque consegue tocar-te em vários sentidos. Dar-te sensações que a linguagem falada ou escrita não dão.

Decidiram criar este “diálogo” através do piano porque é o vosso instrumento musical de formação ou porque as suas características integram aquilo que querem transmitir com a música?
Dina Bensaïd: Ele começou com o violino (risos) e eu com violino só comecei há um ano… por isso… piano
Joseph Birnbaum: Bem… eu venho de uma família de músicos e foi criado todo um plano. A minha irmã tocava violencelo e piano, o meu irmão percurssão e piano e eu violino e piano. Num ato de rebeldia para com os meus pais decidi que não queria violino e fiquei só com o piano (risos). Na realidade o plano era sermos todos músicos … Mas agora a sério, o piano e o que ele permite combina com a minha maneira de ser, com o que consigo fazer com ele e transmitir ao público.

O que conhecem do Festival da Primavera e é a primeira vez que estão em Portugal?
Dina Bensaïd: Não é a primeira vez em Portugal. Mas em Viseu é a primeira vez. Conheço o Jorge Martins (um dos maiores especialistas no piano, reconhecido em Portugal e no estrangeiro) e já tinha estado com ele em Marrocos..
Joseph Birnbaum: É a primeira vez em Portugal. Estou a gostar, apesar de ficar por cá pouco tempo. Infelizmente, amanhã já tenho de ir embora.

Há algum espetáculo com os dois em palco, algum espaço, por onde tenham passado e que ficou marcado na vossa carreira?
Joseph Birnbaum: Fizemos essencialmente espetáculo em França e em Marrocos. Houve um em que enquanto tocávamos estavam também dançarinas…
Dina Bensaïd: … e um artista de rua a pintar ao vivo. Nesse espetáculo tocámos uma obra que foi escrita especialmente para nós. Foi magnífico trabalhar com o compositor.
Joseph Birnbaum: Foi muito especial. A música liga diferentes culturas, mas também diferentes estilos e diferentes vertentes artísticas. E foi isso o que aconteceu. Tocámos obras antigas, mas outras mais contemporâneas.
Dina Bensaïd: Marcou-nos porque estávamos todos a contar uma história. E mesmo que o público não entendessem tão bem a música, conseguia seguir “o enredo” quer fosse pela pintura que estava a ser feita, quer pela dança.

JOSEPH BIRNBAUM
Joseph Birnbaum é um pianista, vocalista e maestro. As suas atividades recentes levaram-no a algumas das principais salas de concertos do mundo e incluem a completa Clavier Well-Tempered de J.S. Bach, apresentada em recital; produções na Opéra Comique e na Opéra Bastille; colaborações com o Collegium Vocale de Gent e o seu maestro Phillips Herreweghe; e concertos com a Orchestre de Chambre de Paris, no Théâtre des Champs-Elysées e na Philharmonie de Paris.
Estudou no CNSM de Paris, do qual se formou em piano (na classe de Frank Braley), direção de voz, direção orquestral e acompanhamento vocal. Também estudou com Rena Shereshevskaya e beneficiou dos conselhos de outros músicos prestigiados, tais como Anne Le Bozec, Jean-Frédéric Neuburger, Jacques Rouvier, Jean-Claude Pennetier e Itamar Golan.
É apaixonado pela música de câmara em todas as suas formas, executando o repertório Lied com os seus amigos e parceiros vocais, e o repertório Sonata com vários instrumentistas; publicou um disco dedicado à música francesa com o violoncelista Armance Quéro (“Jeux à la française”, na editora Etcetera Records).

DINA BENSAÏD
Dina Bensaïd fez a sua estreia a solo com a Orquestra Filarmónica Marroquina em 2003.
Em Setembro de 2015, fez a sua estreia em Londres com a Orquestra de Câmara Inglesa. Fez recitais na Salle Cortot em França, assim como em Itália, Espanha e Canadá, e como solista na Filarmónica de Paris. Tem colaborado com artistas como Jean-Claude Casadesus, Faycal Karoui, Marc Coppey, David Guerrier, Abdel Rahman El Bacha, Frank Braley e Emmanuelle Bertrand.
Em 2015, interpretou o Concerto para Piano nº 2 em Dó menor de Rachmaninov, op. 18, no concerto inaugural da Orquestra Filarmónica do Magrebe sob a batuta de Faycal Karoui, e apareceu como solista com a Orchestre Pasdeloup sob a batuta da maestrina Marzena Diakun.
Dina fundou o Duo de Piano Yadaïn para promover uma mensagem de diálogo e respeito entre as culturas judaica e muçulmana. Ansiosa por derrubar o muro entre o palco e o público, Dina faz dos seus concertos um momento de convívio, troca e partilha, apresentando ela própria os seus recitais. Esta preocupação em renovar as formas clássicas de concertos levou-a a criar o Concerto à la carte, durante o qual o público participa plenamente no espectáculo.
Nascida em Rabat (Marrocos), Dina Bensaïd iniciou os seus estudos de piano aos 4 anos de idade em Casablanca. Incentivada por Jacques Rouvier, Dina mudou-se para Paris, onde estudou no Conservatoire National Supérieur de Musique et de Danse de Paris na classe de piano de Georges Pludermarcher e Claire Désert, depois com Franck Braley e Haruko Ueda.
Durante as masterclasses, foi aconselhada por Pascal Devoyon, Dominique Merlet e Dimitri Bashkirov. Também estudou condução com Nicolas Brochot. Dina Bensaïd recebeu os Primeiros Prémios em numerosos concursos internacionais, e é a primeira marroquina a ser selecionada para participar no Concurso de Música Rainha Elisabeth da Bélgica.
Desde 2016, Dina é apoiada pela ADAMI e pela Fondation Safran pour la culture, é Diretora Artística do Festival Printemps Musical des Alizés e Diretora Geral da Fondation Ténor pour la Culture.

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