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O Mortágua alcançou este sábado, 8 de abril, a manutenção no Campeonato de Portugal. Meses depois de ter chegado à prova vinda da Divisão de Honra, a equipa do sul do distrito de Viseu garantiu a permanência a uma jornada do fim.
Um feito que, para o treinador do clube, Rui Gomes, sabe a “dever cumprido”. “O Mortágua tem-nos habituado, nos últimos anos, a andar sempre, ou neste patamar ou a lutar para subir na distrital”, vinca.
Ao Jornal do Centro, o técnico confessou que confiava num campeonato equilibrado até ao fim e assume também que só a manutenção “sabe a pouco”. “Tivemos jogos a ganhar por margens superiores a um golo, deixamo-nos empatar e não ganhámos. Jogos que nos dariam neste momento mais entre oito e dez pontos, que nos permitiria sonhar com outras coisas. Mas isso também atesta da competitividade do campeonato e da série”, revela.
O Mortágua selou a permanência no Campeonato de Portugal ao fim de 25 jornadas num percurso feito com 9 vitórias, 8 empates e 7 derrotas. A estes números, Rui Gomes acrescentou outro dado que considera importante.
É que a equipa mortaguense pode alcançar ainda o estatuto de melhor ataque da prova. “A par da União de Santarém, que não joga no último jogo, somos o melhor ataque. Se marcarmos um golo e não acontecer nenhuma goleada nos outros jogos, somos o melhor ataque da Série”, sublinhou.
Recorde-se que a meio do trajeto, o Mortágua viu sair o melhor marcador da equipa, Lucas Vilela. “Os nossos números mostram que a saída do Lucas não se manifestou assim tanto naquilo que se refere ao nosso jogo ofensivo. Continuámos a marcar muitos golos”, explica, admitindo, no entanto que ‘faz sempre mossa perder jogadores de qualidade”.
“Pouca gente liga a isto, mas nesta série de 14, havia só três equipas que treinavam de noite e o Mortágua era uma delas. Todas as outras tinham treino de manhã e isso influencia um bocadinho. E as viagens… Fomos o clube mais sobrecarregado com as deslocações”, descreve, referindo-se às dificuldades sentidas esta época.
Este ano, o Campeonato de Portugal vai perder 24 equipas. Contas feitas, das quatro séries, seis equipas vão ter de descer aos distritais em 14 clubes por série. Logo, só oito garantem manutenção.
Tal situação deixou Rui Gomes preocupado. “Não era só eu [a estar preocupado], certamente. Descerem quase 50% das equipas deixou toda a gente alerta. A primeira volta do campeonato disse-nos isso. Por exemplo, o Pêro Pinheiro que está agora em primeiro lugar, com grandes hipóteses de subir à Liga 3, acabou a primeira volta atrás de nós. Todas as equipas estavam equiparadas”, detalhou.
O treinador do Mortágua assumiu também não concordar com o modelo competitivo do Campeonato de Portugal. “Em cada série deveriam descer menos equipas. Eventualmente poderem aumentar o número de séries e de equipas no Campeonato de Portugal. Percebo que tenham de subir do distrital e que tenham de descer da Liga 3. Mas assim é muito duro para quem está a jogar um campeonato com 50% das equipas a terem de descer”, esclareceu Rui Gomes.
O treinador não quer pensar no futuro para já. Diz Rui Gomes ao Jornal do Centro que o foco está em ganhar o próximo jogo e em tornar o Mortágua o melhor ataque da Série C do Campeonato de Portugal.