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Mais do que os golos de André Clóvis, a época de 2022/2023 marcou o regresso do Académico de Viseu à agenda do futebol português. A contratação de Jorge Costa para treinador dos viseenses, devolveu ao clube uma notoriedade que ultrapassou as fronteiras do distrito e a palavra Académico foi pronunciada, escrita e partilhada como há muito não se via.
E os resultados foram alimentando essa notoriedade. A chegada à final-four da Taça da Liga (deixando para trás três clubes da Primeira Liga: Famalicão, Estoril e Boavista) e a caminhada na Taça de Portugal que só foi concluída no duelo contra o FC Porto, nos quartos de final foram colocando os academistas num pico de interesse que fizeram a esperança de um regresso ao escalão maior do futebol português ganhar cada vez mais força.
Além disto, no campeonato da Segunda Liga que até começou mal, os viseenses foram subindo paulatinamente na tabela classificativa e o sonho aumentava junto dos adeptos. A juntar a todos estes dados, houve 135 dias sem perder em provas oficiais, que se resumiram a 20 jogos sem conhecer o sabor da derrota.
Competir, ser feliz no trabalho e fazer as coisas bem feitas. Era este o discurso do então treinador do Académico de Viseu, Jorge Costa, antes e depois dos jogos. Mas o Académico em campo parecia querer mais. E foi demonstrando muito por força de um avançado brasileiro que, num ápice, se tornou o maior goleador do milénio na Segunda Liga.
André Clóvis, o senhor 28. Foram 28 golos do atacante na Segunda Liga aos quais têm de ser juntados mais três tentos: um na Taça de Portugal e dois na Taça da Liga. No total, o avançado natural de São Paulo fez pelo Académico de Viseu 31 golos numa época que, nem clube, nem jogador, nem adeptos vão esquecer.
Por falar em golos, no regresso ao segundo escalão português, só por uma vez o Académico de Viseu fez mais golos do que este ano. Foi na época de 2014/2015. Nessa altura, os viseenses fizeram 55 golos num campeonato jogado a 46 jornadas (46!). Na época que agora termina, o conjunto academista apontou 51 golos, obtendo uma média de golos por jogo absolutamente superior, que só tem paralelo com as épocas de 2018/2019 (49 golos) e de 2017/2018 (50 golos).
Em termos classificativos, desde que voltou à Segunda Liga, o Académico só por um ano fez melhor que este ano. O melhor registo foi alcançado em 2017/2018. Manuel Cajuda esteve ao leme da equipa e o conjunto viseense ficou em terceiro lugar.
Época histórica que ficou marcada por uma marcha liderada pelo então presidente do Académico de Viseu, António Albino, a clamar por justiça num caso que envolveu o Santa Clara, clube que terminou essa época em segundo lugar. O Académico reclamava perda de pontos para os açorianos e consequente subida dos ‘viriatos’ à Primeira Divisão.
Olhando para a percentagem de vitórias na Segunda Liga, foi com Cajuda que o Académico foi melhor. Numa temporada que começou com Francisco Chaló a treinar os academistas, o Académico conseguiu 45% de vitórias num campeonato jogado a 38 jornadas. Agora, nesta temporada que terminou, o Académico fechou a época com 41% de vitórias no campeonato.
Num ano de 2023 marcado pelo sonho, a época ficou também na história pela saída do treinador. Jorge Costa deixou o Académico de Viseu após um empate no Estádio Nacional, contra a BSAD. A igualdade a um golo deixou o Académico mais longe dos lugares de subida de divisão e, dias depois, foi conhecido o fim do vínculo entre técnico e clube.
Daí em diante, com Pedro Bessa ao leme, o Académico ganhou apenas um jogo em seis, averbando ainda quatro derrotas e consentindo um empate.
Olhando para todas as competições, na época de 2022/2023, o Académico fez 45 jogos: ganhou 21, empatou 13 e perdeu 11. Os viseenses marcaram 74 golos, 31 deles feitos por Clóvis. No total, o conjunto academista sofreu 57 golos.
Na época desportiva que agora terminou, a subida de divisão foi alcançada pelos juniores do Académico de Viseu que, na próxima temporada, vão jogar a Primeira Divisão.
Uma temporada marcada também pela ida de jogadores do Académico às escolas e associações do concelho, numa iniciativa que procurou aproximar os mais novos do clube. Prova disso foi a mancha preta e branca no Municipal de Leiria na ida histórica à final-four da Taça da Liga.
Dia 2 de junho, o clube vai a eleições num ato eleitoral com lista única. Segue-se a pré-época e a chegada de um novo treinador e de uma nova época. A grande questão é se será o clube capaz de se aproximar dos números desta época que agora termina. E de fazer aproximar, de novo, clube, adeptos e cidade.