Weathered stone chapel with arched doorway and red-tiled roof, in a sunny courtyard.
Panel discussion at a charity/event inside a fire station, with a red fire truck behind and banners on the table centerpiece.
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A sunny riverside beach with people sunbathing under straw umbrellas on a sandy shore, next to a calm green river framed by forested hills.
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‘Ou há inclusão ou não há inclusão’ das pessoas com deficiência, defende investigadora

Poster featuring a young woman with bold white text: 'A prevenção começa em si. Prepare-se e proteja-se dos incêndios rurais.' Promotes rural fire safety with logos at the bottom.
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Public safety poster featuring a man in a plaid shirt; text reads 'A PREVENÇÃO COMEÇA EM SI. SAIBA COMO SE PROTEGER DOS INCÊNDIOS' with logos at the bottom.
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 ‘Ou há inclusão ou não há inclusão’ das pessoas com deficiência, defende investigadora

Ainda há muito a fazer para apoiar as pessoas com deficiência e garantir a sua autonomia. A conclusão é da investigadora Sara Felizardo, que apresentou esta sexta-feira (30 de junho) um estudo de impacto do Centro de Apoio à Vida Independente (CAVI), que é dinamizado pela Associação de Paralisia Cerebral de Viseu.

A especialista defendeu uma maior sensibilização da população e das várias instituições sobre este tema e disse que a inclusão só é conseguida quando “todos estiverem na mesma sintonia”.

“É importante sensibilizar e informar a população e também entidades nacionais, regionais e locais porque, senão, não podemos falar da inclusão. As coisas não podem ser a meio-termo, ou há inclusão ou não há inclusão”, disse a especialista durante o seminário de apresentação do estudo, que juntou dezenas de participantes.

“É preciso sensibilizar para o que é deficiência ou incapacidade e até falar da questão terminológica, porque são questões que causam muita confusão às pessoas e a sociedade devia estar mais informada, mas também as entidades com maior responsabilidade”, acrescentou.

A também professora na Escola Superior de Educação de Viseu sugeriu ainda uma campanha de sensibilização, com o apoio da comunicação social, que mostre casos de sucesso “porque há tanta gente no trabalho, no estudo e na sociedade”, dando uma “boa imagem” da inclusão e desmistificando os preconceitos que ainda existem à volta das pessoas com deficiência.

“Não acredito numa sensibilização muito passiva e só podemos desconstruir preconceitos noutro tipo de informação, mostrando dados concretos e, neste caso, casos positivos”, reiterou.

A docente deu como exemplo de inclusão o Instituto Politécnico de Viseu, que acolhe todos os anos diversos estudantes com deficiência. Só na Escola Superior de Educação há 40 alunos com incapacidade, disse a especialista.

A investigadora é também da opinião de que as iniciativas de sensibilização também devem ser realizadas nas escolas, apelando à consciencialização e à prevenção de situações de discriminação e de bullying. “Ainda existe muito bullying no contexto escolar e no contexto académico do ensino superior. Eu sei porque faço esses estudos habitualmente, muitas vezes de uma forma quase escondida, mas existe infelizmente”, revelou.

Estas afirmações foram ditas após Sara Felizardo ter apresentado os resultados do estudo sobre o efeito do CAVI da Associação de Paralisia Cerebral na vida de quem é acolhido neste centro que pretende incentivar uma vida mais autónoma por parte das pessoas com deficiência.

O estudo conclui que o CAVI ajuda a contribuir para a autonomia e a autodeterminação das pessoas que usufruem desta valência e outra das conclusões aponta para a continuidade do seu modelo, “robustecendo a sua operacionalização”.

“Seria muito importante que todos os CAVI tivessem um estudo e é também importante analisar a articulação do CAVI com outras respostas e apoios sociais, evitando redundâncias que podem causar confusão e incerteza e um não-envolvimento como deveria ser na vida independente porque são situações de injustiça”, sublinhou Sara Felizardo. O estudo também defende novas formas de financiamento destes centros através de comparticipações financeiras ajustadas aos rendimentos dos utentes, alargando o seu âmbito de intervenção a mais pessoas.

Utentes do CAVI querem mais liberdade para as suas vidas e assistentes exigem reconhecimento da profissão
O CAVI de Viseu, inaugurado em 2019, acolhe atualmente 11 pessoas com deficiência que são apoiados por sete assistentes pessoais. O estudo apresentado elogia o “trabalho muito meritório” desta valência, cuja ação “está orientada para a prossecução dos princípios da vida independente”, embora os números tenham “variado um pouco” ao longo do tempo, como sublinhou Sara Felizardo.

Os utentes do CAVI apresentam “uma menor dependência face às famílias” e mostram maior determinação em decidirem sobre a sua própria vida. “É interessante que, muitas vezes, eles falavam na consequente sensação de liberdade, perspetivando o futuro com o suporte do assistente pessoal”, afirmou acrescentando ainda que o grau de satisfação é elevado.

Os assistentes pessoais são apontados como outro dos efeitos positivos concluídos pela investigação. “Os indicadores revelam um efeito globalmente positivo dos serviços de assistência pessoal, designadamente na autodeterminação, autonomia, suporte social e satisfação com a vida.
Os resultados indicam um impacto positivo das atividades de apoio na tomada de decisões e na consciencialização dos direitos, bem como na inclusão na comunidade”, explicou Sara Felizardo.

De acordo com a pesquisa, a proximidade relacional foi o fator mais apontado tanto pelos destinatários como pelos assistentes pessoais como o principal impacto a nível pessoal. Nas perspetivas de futuro, o inquérito refere que os utentes desejam ter emprego, maior autonomia ou até criar família. Algo que, segundo Sara Felizardo, é um sinal de que se deve promover mais a independência e a autonomia das pessoas com deficiência.

O estudo questionou os inquiridos sobre o funcionamento do CAVI, a dimensão relacional, o impacto a nível pessoal, as expetativas para o projeto, o que as pessoas fazem nos seus tempos livres e as suas aspirações e sonhos. Segundo a investigação, a maioria dos utentes – com idades entre os 23 e os 61 anos – são do sexo feminino com 54,5 por cento, enquanto que os homens representam 45,5%. A média etária ronda os 38,36 anos de idade.

A maioria dos destinatários é solteira, desempregada, encaixa-se nas faixas etárias dos 27 aos 37 anos e dos 39 aos 49 anos e formou-se nos ensinos secundário e superior. Os apoios de que os utentes mais necessitam são ao nível das deslocações (100%), cultura, lazer e desporto (81,8%), assistência doméstica (54,5%) e apoio em contexto laboral (27,3%).

A maioria dos utentes apresenta limitações nas funções motoras (81,8%), enquanto as funções de mobilidade e de manipulação representam 27,3% e as limitações de visão 9,1%. Quanto às expetativas, destacam a autonomia, nos direitos e na conquista de maior liberdade para poderem fazer escolhas.

Nos assistentes pessoais, a média das idades é um pouco mais alta na ordem dos 41,57 anos. A maioria é casada e têm idades entre os 39 e os 49 anos (57,1% em ambas as categorias). Estes profissionais também destacaram a autonomia e a gratificação do apoio, mas também colocaram a tónica na exigência das funções e na falta de reconhecimento da profissão, algo que também é reconhecido pelos próprios utentes que recorrem ao serviço.

No entanto, o estudo também detetou alguns pontos de tensão como a falta de substituição dos assistentes pessoais em caso de faltas, férias, doença ou fins de semana, além da dificuldade na contratação de mais profissionais e da indefinição da assistência pessoal.

Na questão da formação, é realçada a necessidade de haver uma parte prática e de também haver formação sobre tópicos mais sensíveis como a sexualidade, as relações interpessoais, as situações de emergência e stress e os primeiros socorros, além dos direitos e dos deveres dos utentes.

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