Four men in suits applaud during a plaque unveiling outside a white building with an arched window.
Incêndio em Trancoso
House with orange-tiled roof emitting a thick plume of smoke from a nearby hillside fire, with trees and a yellow railing in the foreground.
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A sunny riverside beach with people sunbathing under straw umbrellas on a sandy shore, next to a calm green river framed by forested hills.
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Filho de portugueses pinta emoções em ruínas de aldeia de São João da Pesqueira

 ”Grândola, Vila Morena” vai ser cantada na sessão solene do 25 de Abril em Vouzela
23.08.23
fotografia: Jornal do Centro
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 ”Grândola, Vila Morena” vai ser cantada na sessão solene do 25 de Abril em Vouzela
23.08.23
Fotografia: Jornal do Centro
Aerial view of a sandy beach with large stone letters forming a message, promoting recycling; below, the slogan 'Começa por reciclar as desculpas' and a call to action with a URL.
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 Filho de portugueses pinta emoções em ruínas de aldeia de São João da Pesqueira

José Vital, um filho de portugueses que reside em Paris desde sempre, tem pintado emoções em casas devolutas na aldeia de origem, Trevões, São João da Pesqueira.

“O que gosto de pintar são emoções e, por isso, o que mais pinto são rostos, principalmente de mulheres e crianças, e olhos, ou seja, emoções”, revelou à agência Lusa José Vital.

Nasceu na França há 53 anos e “desde muito cedo” percebeu ter “um imenso gosto em pintar”.

“Sempre que podia”, era o que fazia no tempo livre. Atualmente, trabalha de noite num armazém e, durante o dia, dedica “uma boa parte” do tempo à pintura.

L’emprente_jo_v é o seu nome artístico, já que assina todos os seus trabalhos com a sua impressão digital e, preferencialmente, a obra nasce em “materiais recicláveis, a maior parte em madeira”, e a tela “só mesmo em trabalhos encomendados”.

Em Paris, onde reside, “há muitos murais” com a sua obra e, em Portugal, começou “há pouco tempo” a pintar na terra natal do pai, em Trevões, São João da Pesqueira, distrito de Viseu, onde costuma estar “uns dias” de férias.

“No ano passado pintei três casas devolutas. Este ano, no 25 de abril estive lá de férias e pintei uma casa de um pastor. A aldeia está cheia de casas devolutas e ao pintar estou a dar-lhes emoções, onde outrora já houve pessoas a dar-lhes vida”, justificou.

Hoje, Trevôes “tem nove ou 10” casas pintadas e, em todas elas, “há um elemento em comum, todas as emoções, sejam rostos ou olhares, têm um coração vermelho pintado”, o que, além da impressão digital, “também já é uma espécie de assinatura”.

“As pessoas já conhecem que o trabalho é meu, pelo coração. Só retrato emoções, porque quero que as pessoas ao passarem por uma pintura olhem e reflitam sobre o que ela despertou nelas”, justificou.

José Vital assumiu que quer “provocar emoções, porque as pessoas estão cada vez mais frias e distantes e isso sente-se muito em cidades grandes, como Paris, mas também já se sente um pouco isso nos meios mais pequenos”.

Os rostos nos muros e casas são “essencialmente fruto da imaginação”, mas José Vital não esconde que recorre também “à memória e às vezes misturam-se rostos imaginários com os da memória e criam-se novas caras, com emoções”.

“Mas gostava de um dia pintar rostos de quem já morou dentro dessas casas devolutas de Trevões. Só preciso de autorização e fotografias dos familiares para o fazer, de forma a honrar quem já morou na aldeia”, adiantou à agência Lusa.

E se “há uns anos era muito difícil, porque era proibido e a polícia andava sempre atrás dos artistas, embora seja melhor andar com pincéis nas mãos, em vez de bombas, hoje é mais fácil, e com a autorização das pessoas, é possível embelezar paredes”.

L’emprente_jo_v tem trabalhos seus em várias cidades do mundo, através de “pinturas encomendadas” e, em murais, o seu registo está essencialmente em Paris, Trevões e Lagos, no Algarve, onde participou numa obra coletiva alusiva ao Dia Internacional da Mulher, 08 de março.

No sábado, inaugura em Paris a exposição “Saudade”, uma forma de “homenagear a terra [Trevões] e Portugal” e que estará patente até 09 de setembro, num espaço dedicado à arte urbana, no lavo//matik.

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