sonae_arauco_protecao_civil
piaget
Two men in white shirts stand at a dusty excavation site, examining the ground together.
casas habitação aluguer comprar
Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.
arrendar casa

No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…

16.02.26

Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…

12.12.25

No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…

21.08.25
jose-damiao-tarouca-232
ps campanha
camapnha10
trilho varzielas ofrades caramulo
Young couple near classical stone columns on a campus; the man with a backpack gazes upward as the woman looks on.
Concert stage with a band performing under purple lights; large orange screen behind reads 'SAMUEL URIA' in blue letters; audience silhouettes in foreground.
Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um Diário: 9 Outubro de 1985

Fragmentos de um Diário: 9 Outubro de 1985

30.12.23
partilhar

Hoje faltei ao último tempo letivo. Estava farto, cansado. Gosto da minha profissão, mas muitas vezes desconfio das matérias que leciono. É difícil descobrir a importância de alguns temas. Talvez tenham sentido na formação universitária, não nesta iniciação filosófica do ensino secundário. Importa incentivar a atenção crítica do aluno; contribuir para uma formação integral do jovem. Mas sem um conjunto de conceitos fundamentais, estruturantes, e, sobretudo, sem uma história das ideias, não se pode pensar. A reflexão sobre ética, estética, política, e outros temas, só é possível se se estiver familiarizado com determinados conceitos. Se se ignora, por exemplo, o que é o marxismo, democracia, socialismo, Estado de Direito, legalidade, legitimidade, e a sua origem, qualquer pensamento sobre política é apenas um simulacro.

10 Outubro de 1985

               Mas ainda existe um vazio por preencher. Um vazio metafísico. Há coisas boas na vida, sem dúvida, contudo esta espécie de buraco negro tudo absorve, permanecendo uma ansiedade, uma fome inclassificável. Saber que os meus pais estão bem, que a Fátima me ama, olhar a paisagem, a presença dos livros, da música, da arte, a natureza, tudo isto é reconfortante. Mas, apesar disto, a ferida indefinida da tristeza como marca invisível em cada instante do dia.
  A Maria João Pires a tocar Schubert: “Le voyage magnifique”, triste, sublime. Agora releio o livro “Jogo das Contas de Vidro” de H. Hesse. Depois de ter lido “Monstruosidades Vulgares” de José Régio. As personagens deste livro são tratadas com profundidade psicológica, muito embora a abordagem política seja bastante datada e a atmosfera interior respire depressão e melancolia. Mas a temática inscreve-se num percurso de interrogação do sentido da vida, que é o que mais me agrada.
Mas de leituras confesso o meu cansaço. Reconheço ainda um impulso em direção aos livros, mas já me pergunto porquê e para quê. Terei perdido a inocência da leitura. O seu prazer gratuito. Ou não se tratará bem disso, mas apenas da minha neurastenia que se estende a toda atividade. Não sei também se hei-de continuar a escrever. Para quê mais um romance no mundo? Nada acrescento ao que já foi escrito e tão bem escrito por uma mão cheia de criadores. Penso mesmo que o que queria dizer já o expressei na dúzia e meia de poemas que escrevi.

Jornal do Centro

pub
  • Janelas 4Life. Qualidade, inovação e sustentabilidade
  • Habifactus - Viseu cresce e nós crescemos consigo. A sua imobiliária de confiança há 23 anos.
  • ReMax Dinâmica, a agencia numero 1 no Distrito de Viseu

Colunistas

Procurar