Two clowns in a rehearsal studio with mirrors, one holding a yellow banana-shaped prop while the other raises her arms in celebration.
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Concert stage with a band performing under purple lights; large orange screen behind reads 'SAMUEL URIA' in blue letters; audience silhouettes in foreground.
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Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.
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Concert stage with a band performing under purple lights; large orange screen behind reads 'SAMUEL URIA' in blue letters; audience silhouettes in foreground.
Vineyard path between rows of green grapevines on a sunny hillside with blue sky and distant valley.
People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
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Museu do Falso instala-se por 24 horas no n.º 71 da Rua Direita – uma carta do diretor

21.09.26
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por
Rui Macário

Boas férias, diriam os maus-de-humores, a quem já voltou ao trabalho, mas continua a defender a desobediência civil em horário de expediente. Gente chã! Quem diz. Os outros resistem e desobedecem que é o que se espera de quem não tem condições para melhor!

Quando Almada Negreiros nos enviou uma mensagem caligraficamente exemplar e que recebemos vai para uns anos, numa garrafa de conhaque com um vidro que parece ter sido soprado por um anjo, sustivemos a respiração. Alguns de nós ficaram roxos e precisaram de um safanão, mas os outros quedaram-se ali, habituadíssimos a receber mensagens de artistas de nomeada a que não ligam nada, de facto. 

Pois que parece ser Almada Negreiros um epistolador de nomeada, por vocação, e um engarrafador compulsivo, por hobby. Juntem-se as duas e temos a mensagem que recebemos. Se não estiver claro, por favor perguntem, da próxima vez que nos virmos, o que esperamos seja durante a integralidade das 24h do Museu do Falso, entre as 10:30 da manhã de sexta-feira, dia 25 e as 10:30 da manhã de sábado, dia 26 de Setembro, sito na Rua Direita nº71 (por detrás da Estátua do Soldado Desconhecido). Sim, a integralidade das 24h, porque se fosse para todos terem um tempinho e darem uma saltada, tínhamos marcado diretamente uma hora que conviesse, mas como é para ser um dia inteiro, não é simpático não estarem connosco durante a prosápia inteira além de que não podem depois ir dizer que afinal foram 24h, com uns intervalos. Ou estão ou não estão e se não estão, não podem enviar bilhética aninhada em garrafa a fazer de contas que leram esta carta e seu convite.

Por outro lado, a integralidade da coisa é uma homenagem sentida aos integralistas que esperam ainda que D. Sebastião não tenha morrido engasgado com uma dose de bacalhau desfiado, no que era o palco do Teatro Viriato e é agora mais ou menos o palco do Teatro Viriato. Confusos? Também quem o viu ali nos preparos de comer bacalhau desfiado, a engasgar com um pedaço de cebola e paprika a escorrer pela boca. O cavalo sumiu-se, mas era branco, dizem. Se não fosse branco, os integralistas teriam preferido Afonso Henriques, mas como também falava árabe – que remédio, naquele tempo! – não cai no goto de todos para porta-estandarte das Lusitanopíadas. Ainda assim era gajo para mandar uns sopapos lá em casa, que os franceses têm disto e ele era mais francês que outra coisa, sendo a mãe (diríamos hoje) espanhola. Ele mandou-a para a terra dela e ele ficou na dos outros, que apesar de tudo estava para o Condado Portucalense como o pessoal da Comporta para a Comporta. É só passar tempo suficiente e esta já é a sua casa.

Desculpem. Distraí-mo-nos com a excitação de 2028 e da festança que aí vem. Já era tempo de alguém celebrar uns multi-centenários de qualquer coisa. Da última vez foi festa rija e só quem não era de Lisboa ou não tinha dinheiro ou sapatos (foram uns quantos) é que não gostou. Fala-se na possibilidade de entre tudo o resto, trazer uns aspirantes a Tarzan Taborda, o Grande e realizar uma digressão pelo país, com lutas entre os tarzonianos e galos. De uma assentada fazemos uns streamings na Netflix e ensinamos aos camones o que são as nossas origens e inspirações romanas, o Afonso e seus descendentes, e prestamos a devida homenagem a todos nós que são de acima do Mondego.

Mas dizia que dizíamos que serão 24h para terminar. As últimas 24h do Museu do Falso em matéria apalpável. Leram bem. Por tudo isto que agora tem quem faça com meios solenes, não se precisa de que as pessoas tenham a sua participação. Não se necessita que haja lugar a quem segurava o cavalo ao ibn-Harrik, o cavalo ainda vá e o Rei, claro. O resto é o resto e os museus já não precisam de gente. Só de visitantes. A participação ou construção coletiva tem os dias contados até porque agora é tudo por IA. Já não vale o trabalho. Mais dia menos dão cabo disto tudo e ainda aprendem com o Museu do Falso e não estamos para isso: como uma senhora diretora de algo muito, mesmo muito, importante, no Brasil, que acusou o Museu de tráfico de bens patrimoniais tombados (inventariados), utilizando como prova da perfídia as páginas do próprio site do Museu do Falso. Vamos mostrar essa peça, claro. Nas 24h do Museu do Falso, entre as 10:30 da manhã de sexta-feira, dia 25 e as 10:30 da manhã de sábado, dia 26 de Setembro, sito na Rua Direita nº71 (por detrás da Estátua do Soldado Desconhecido)

Até lá?

Tragam roupa confortável e comida para partilhar, ou pelo menos para que não tenham de pedir a mais ninguém.

Rui Macário – Diretor do Museu do Falso

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