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Quando o rei que ‘selou’ a Feira volta ao certame 632 anos depois

D. João foi o responsável por dar a Viseu a Feira de São Mateus. 632 anos depois, o monarca foi à festa que um dia autorizou

Carlos Eduardo Esteves
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17.08.24
fotografia: Jornal do Centro
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Fotografia: Jornal do Centro
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 Quando o rei que ‘selou’ a Feira volta ao certame 632 anos depois

Como que num sonho, o rei que selou a Feira de São Mateus, a 10 de janeiro de 1392, voltou ao ‘reino de Viseu’ para, 632 anos depois, perceber como está a menina dos olhos do rei. E foi com surpresa que o monarca se apercebeu das mudanças que, quase sete séculos depois, a Feira vive em 2024. Cavalos já há poucos, as pessoas estão bem mais altas, os alimentos viveram uma revolução total. Não há comparação absolutamente nenhuma, diz o rei. O primeiro contacto com o certame a quem concedeu a Carta de Feira não foi propriamente o mais tranquilo. Tudo mudou. E agora? O ator Rafael Lopes, do Grupo Off, veste a pele de um D. João I perdido na Feira de São Mateus.

Acordado do sonho junto à Estátua de Viriato, D. João I, pai de D. Duarte, apercebeu-se de que nada estava como quando autorizou o certame. Foi circulando junto dos ‘súbditos’ que o foram ajudando a perceber o que se estava a passar. “Em que ano estamos”, questionava D. João I. E foi-se surpreendendo com as respostas. O tempo havia passado. “Não vejo aqui a minha corte, os meus criados”, desesperava o monarca. “Todas as pessoas estão vestidas de forma estranha”, atirava, enquanto perguntava pelos cavalos.

Durante uma viagem pela roda gigante, D. João I surpreendeu-se com a dimensão da paisagem. “É possível observar o reino todo daqui. Que engenho maravilhoso”, elogiou, assinalando que as alturas nunca o deixam confortável. No dia do Mateus Fest, que juntou na Feira de São Mateus 12 mil festivaleiros, o rei também andou pelo certame. E teve hipótese de conversar com Fernando Daniel, um dos artistas do cartaz. O cantor começou por reconhecer que hoje a música que é produzida “é um pouco diferente” daquela que era concebida no tempo do monarca. “Espero que as pessoas gostem e que seja um grande espetáculo para todos”, sublinhou Fernando Daniel. O músico “agradeceu” a D. João I ter dado o pontapé de saída para a Feira de São Mateus. “Quase 800 anos depois, está aqui um belíssimo trabalho. É o meu terceiro ano consecutivo na Feira de São Mateus. É um evento que tem vindo a crescer e este ano temos o primeiro Mateus Fest”, elogiou. Sobre o evento, Fernando Daniel disse ter uma “energia incrível, de grande dimensão”.

 Quando o rei que ‘selou’ a Feira volta ao certame 632 anos depois
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“Os habitantes de Viseu e quem vem até à cidade estes dias são muito acolhedores. É um público incrível. Há sempre enchentes. O cartaz é sempre incrível”, assinalou Fernando Daniel. O músico acrescentou que a Feira Franca “rivaliza com muitos festivais”.

Depois da música, o rei foi alimentar-se a uma barraca de farturas. Pediu três farturas e, quando quis pagar, percebeu que o dinheiro que trazia no bolso já não “combina” com os tempos de hoje. “Não aceitamos estas moedas”, disse-lhe a feirante. “Não aceita o dinheiro do seu rei?”, questionou D. João I. No entanto, uma súbdita simpática pagou as farturas ao monarca com recurso a um cartão de crédito. “É com isto que se paga”, perguntou D. João, visivelmente admirado. A verdade é que o monarca se deliciou com as farturas, a iguaria do certame que, quis a história, tivesse ratificado há 632 anos. Se andar pela Feira de São Mateus, não se admire se encontrar o nosso Rei. E ajude-o se ele se mostrar perdido. Afinal ele é o responsável pela guardiã das feiras populares!

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