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Continuam a chegar mais reações à morte do presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques.
O autarca morreu na manhã do Domingo da Páscoa (4 de abril), no Hospital de Viseu, onde estava internado com Covid-19 há cerca de um mês. Tinha 59 anos e deixou para trás uma longa carreira política com direito também a passagens pelos mundos empresarial, associativo e cultural.
Mário Augusto, conhecido jornalista de cinema e embaixador de Viseu, diz que Almeida Henriques, que tratava por Tó, “foi uma das minhas mais sólidas e fraternas amizades”.
Numa longa mensagem publicada no Facebook, Mário Augusto escreveu que Almeida Henriques “partiu, talvez com a sua missão cumprida para com o universo”, mas acrescentou que, com esta morte, “foi-nos roubado de repente e sem contar, deixando pendurada e a baloiçar de tristeza, uma conta corrente de confiança e alegria que transmitia aos que lhe eram próximos”.
“Político por convicção a causas públicas, autarca de terra aos ombros, fez de mim viseense, apesar de eu ter nascido perto do mar. Pelo Tó Almeida Henriques eu também sou beirão. (…) Perdeu-se um homem bom para Viseu e eu perdi um amigo que abraçava como um agasalho. (…) Que eu seja capaz daqui para a frente de ajudar a agasalhar aquela família, especialmente os três filhos muito jovens que eu vi nascer. Do Tó desejo mesmo que fique como uma brisa que nos sussurra segredos que entendemos como simples intuições”, afirmou.
“Ninguém é perfeito, também eu lhe apontava erros, mas ele era na verdade uma homem bom e como todos os bons de dentro para fora, nem sempre e apenas atraía os seus iguais na bondade”, acrescentou Mário Augusto.
Na cultura, o Teatro Viriato deixou uma mensagem de “solidariedade com os viseenses, e em especial com a família” de Almeida Henriques, que, recorda o espaço cultural, foi sócio e presidente do Conselho Fiscal do Centro de Artes do Espetáculo de Viseu, a associação gestora do Teatro. A Companhia Paulo Ribeiro também deixou as “mais sentidas condolências” à família e aos amigos do presidente da Câmara.
A ACERT, de Tondela, também expressou a “sentida solidariedade” à família de Almeida Henriques e à Câmara de Viseu e diz em comunicado que guarda “boas memórias” pela cooperação e relação cordial “mantida em vários momentos de partilha cultural e nas realizações artísticas que mereceram a sua entusiástica parceria”.
O Teatro do Montemuro, sediado em Castro Daire, diz que Almeida Henriques esteve entre as “pessoas que ao longo das nossa vidas deixam claramente uma marca, uma visão”. “No comando do Município de Viseu foi um parceiro entusiasta e constante do Teatro do Montemuro. Ficam as memórias e o nosso apoio à sua família que tem de descobrir forças neste momento tão difícil”, escreveu a companhia.
O Coro Mozart afirmou que Almeida Henriques, que era sócio honorário do grupo, era “uma grande pessoa e um amigo”. As mesmas condolências também foram endereçadas por um outro grupo coral conhecido de Viseu, o Vox Visio, que fala do autarca como “um dos grandes impulsionadores” do projeto.
Já o Cineclube de Viseu recordou a “vontade e entusiasmo” de Almeida Henriques, que condecorou a instituição cinéfila com a Medalha Municipal de Mérito em 2020, aquando das comemorações dos 65 anos de atividade.
A organizadora dos Jardins Efémeros, Sandra Oliveira, realçou que, neste “momento trágico”, é necessário “unimo-nos numa só voz – a voz de Viseu -, apresentando as nossas condolências à sua família, amigos e equipa” de Almeida Henriques.
A organização do Festival de Música da Primavera já anunciou que o concerto agendado inicialmente para as 19h00 desta segunda-feira foi adiado e será “transmitido em momento oportuno”, realçando ainda que Almeida Henriques tinha uma grande paixão pela música e trouxe uma grande “aposta” na educação musical, na música e na cultura de Viseu.
Por fim, o músico José Cid disse que Almeida Henriques foi um “grande homem” e uma “pessoa simples e inteligente, mas humilde”.
“Tinha apostado com outros autarcas da cidade ser eu a abrir a Feira de S. Mateus em agosto de 2020. Fica adiado, mas nunca a minha gratidão por ele! Quando há um mês se soube contaminado, ligou-me e até gracejou sobre o sucedido: “uma ou duas semanas estou bem!”. O destino surpreendeu-o, mas a vida é uma passagem. Até sempre amigo Almeida Henriques”, escreveu no Facebook.
Já um outro embaixador de Viseu, o jornalista Paulo Ferreira, diz que a cidade viu partir “um dos que mais a amavam” e fala da morte de Almeida Henriques como uma partida “prematura e traiçoeira”, elogiando-o como um político “competente nas funções públicas que exerceu, combativo, assertivo e frontal”, mas também “amável, despretensioso e generoso no trato pessoal, e ótimo anfitrião de uma cidade que sabe receber e fazer sentir bem quem a procura”.
“Defensor consistente e lúcido do poder local e do municipalismo, Viseu fica a dever-lhe a visão que teve e praticou para o seu desenvolvimento e competitividade”, acrescenta Paulo Ferreira.
Para esta segunda-feira, estão marcadas as cerimónias fúnebres de Almeida Henriques, que contarão com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O corpo do autarca de Viseu vai sair do Hospital de São Teotónio às 16h00. O cortejo começa na Rua Prof. Egas Moniz (junto ao Hospital), e percorrerá algumas das ruas principais da cidade, passando, por exemplo, na Avenida Alexandre Herculano e na rotunda de Santa Cristina.
O corpo seguirá depois pelo centro histórico da cidade, com passagens na Praça Dom Duarte, na Rua do Adro, Largo Pintor Gata, Largo Major Teles, rotunda D. João I e Avenida 25 de Abril. O trajeto inclui em seguida a passagem pelo Rossio, continuando pela Avenida António José de Almeida e pela Avenida da Europa e terminando no cemitério de Abraveses, onde Almeida Henriques será sepultado. A Câmara de Viseu decretou três dias de luto municipal.