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Amigos e figuras públicas no Rossio para o último adeus a Almeida Henriques

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 Amigos e figuras públicas no Rossio para o último adeus a Almeida Henriques - Jornal do Centro
05.04.21
fotografia: Jornal do Centro
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 Amigos e figuras públicas no Rossio para o último adeus a Almeida Henriques - Jornal do Centro
05.04.21
Fotografia: Jornal do Centro
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 Amigos e figuras públicas no Rossio para o último adeus a Almeida Henriques - Jornal do Centro

Foi o adeus a um amigo que muitos daqueles que com Almeida Henriques conviveu disseram na cerimónia que decorreu à porta da Câmara de Viseu. O autarca esteve pela última vez no Rossio, numa homenagem onde compareceram entidades públicas e cidadãos. Almeida Henriques faleceu no último domingo (4 de abril), vítima de Covid-19. O corpo foi esta segunda-feira (dia 5) a sepultar.

Cristina Brasete, vereadora na Câmara de Viseu, lembrou o amigo de infância. Conheceram-se tinham dez anos e o presidente da Câmara tinha acabado de chegar de Moçambique. Desde então, a vida dos dois cruzou-se em diferentes fases até que a vereadora recebeu o convite para fazer parte da lista que o autarca preparou para concorrer à autarquia. “Disse-me que queria revolucionar a Educação e eu aceitei porque foi ele a pedir. Para ele, era fácil convencer as pessoas”, lembra.

Outro “companheiro de estrada”, Diamantino Santos, presidente da Junta de Freguesia de Viseu, fala de uma perda “difícil de ultrapassar”. “Como autarca admirava-o pela visão e dedicação que tinha para o concelho”, confessa.

Uma forma de pensar o futuro que também José Ernesto, histórico do PSD local, destaca. “Isto foi um adeus a um autarca, mas também um adeus a um grande amigo que conheci na infância. E foi vítima desta pandemia que ele tanto lutou. Viseu muito deve a este homem pelo tempo que ele esteve aqui”, desabafa.

Jorge Sobrado, vereador que chegou à Câmara de Viseu com Almeida Henriques, evidencia o legado humano do presidente. “Mudou muito a minha vida. No plano público e político deixa uma marca profunda de amor a Viseu. Ainda antes de o acompanhar nas funções da Câmara (Jorge Sobrado esteve na Secretaria de Estado da Economia com Almeida Henriques), ele já olhava para o concelho com dedicação”, sublinha.

A homenagem sem partidos

“Profunda homenagem a um amigo, homem bom que lutou pela sua terra, pelos valores da descentralização, da democracia, do desenvolvimento de uma terra em que acreditou. Ao longo de 20 anos em que mantive contacto muito próximo, manteve sempre um parceiro leal, construtivo, sempre a olhar para o futuro”, disse o ministro da Administração Interna.

Eduardo Cabrita este presente no Rossio, onde a urna parou para um minuto de silêncio em frente à Câmara Municipal. O governante lembrou o percurso político do autarca e os encontros que foram tendo e que, apesar de estarem em posições partidárias diferentes, foi “sempre muito próximo”.

“Até há poucas semanas trocámos sempre mensagens, olhando para os projetos, que eram sempre muitos”, e aquilo que ele defendia para “o futuro desta região e da cidade de Viseu” contou o ministro aos jornalistas.

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, admitiu estar no Rossio, a “prestar homenagem enquanto amiga e governante”, tendo em conta “o privilégio de trabalhar muitos anos” com Almeida Henriques, lembrando a altura em que ele foi seu secretário de Estado (sendo ela presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro).

“Infelizmente é mais uma perda desta pandemia e eu gostava de partilhar uma reflexão: vale a pena estas discussões demagógicas que temos, nomeadamente, dos presidentes de Câmara, que são os responsáveis da proteção civil dos seus concelhos, se devem ou não devem ser vacinados”, disse Ana Abrunhosa.

E acrescentou: “Muitas vezes, num período de verdadeira guerra, perdemos tantas vezes tempo e oportunidade de discutir o importante e gastamos esse tempo a discutir inutilidades”, sustentou, desejando que o sucessor de Almeida Henriques “continue a fazer de Viseu a melhor cidade para se viver”.

Ana Abrunhosa lembrou que “era um homem de família e de paixões na vida pública e privada” e, por isso, apresentou a sua homenagem, até, porque, “era um homem que sabia fazer pontes como poucos e a prova é que estão aqui pessoas de todos os quadrantes políticos”.

“A minha homenagem pública a Almeida Henriques, que dedicou uma grande parte da sua vida ao serviço público (…) e, com tudo o que aconteceu, faz-nos pensar que temos de cumprir as regras”, pois “esta doença é extraordinariamente perigosa”, disse, por seu lado, o presidente do PSD.

Rui Rio alertou “mais uma vez a população portuguesa” para o “cumprimento das regras e comportamento individual” de todos, lembrando que hoje o país atingiu “o limite do denominado “R”, o valor um e a partir daqui é uma linha vermelha” e, portanto, o país está “longe de estar sossegado”.

O secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, viseense e vereador não executivo da oposição, no primeiro mandato de Almeida Henriques na Câmara de Viseu, não escondeu a “posição especial” e “a consternação imensa” com que se encontrava no Rossio, lembrando o percurso político de ambos ao longo dos anos, “particularmente no último ano, no combate à pandemia Covid-19”.

João Paulo Rebelo considerou que “todos os viseenses estão de luto, independentemente das suas opções políticas e partidárias”.

A urna, que percorreu a cidade num carro antigo descapotável dos Bombeiros Sapadores de Viseu, seguiu do Rossio, repleto de autarcas e outras figuras públicas, para o cemitério de Abraveses. Às 18h30, na Sé Catedral, foi rezada uma missa de exéquias fúnebre, que não de corpo presente, e onde esteve presente o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

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