A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) atendeu 121 vítimas oriundas da região de Viseu em 2020.
O balanço foi divulgado esta segunda-feira (29 de março) no último relatório anual da associação de apoio à vítima. O número representa um aumento face aos dados de 2019, em que a APAV apontou para mais de 110 vítimas atendidas.
Num ano marcado pela pandemia da Covid-19, Viseu continuou a ser o concelho com mais vítimas, passando de 27 em 2019 para 29 em 2020. Em comparação com o ano anterior, há cinco concelhos que passaram a entrar na lista da APAV.
Oliveira de Frades e Penalva do Castelo passaram a registar três vítimas cada em 2020. São Pedro do Sul foi mais longe: quatro vítimas. Já Sernancelhe e Aguiar da Beira registaram uma vítima.
Alguns concelhos notaram algumas descidas, como é o caso de Tondela (que, de 12 em 2019, passou para 7 no ano passado), Vouzela (de 3 para 2), Castro Daire (de 3 para 1), Cinfães (de 13 para 8), Moimenta da Beira (de 6 para 1), São João da Pesqueira (de 5 para 2) e Lamego (de 13 para 12).
Por outro lado, os concelhos que registaram subidas foram Armamar (de 3 para 6), Mangualde (de 1 para 3), Nelas (de 4 para 5), Resende (de 5 para 7), Sátão (de 1 para 7), Tarouca (de 2 para 8) e Vila Nova de Paiva (de 2 para 3).
Outros municípios como Penedono (que teve duas pessoas em 2019) deixaram de ter vítimas atendidas pela APAV no último ano.
Ao todo, a nível nacional, foram apoiadas 13.093 pessoas e feitos 66.408 atendimentos. Os crimes contra as pessoas foram os mais registados pela APAV em 2020, com 95,1 por cento dos crimes apurados.
Dos 19.697 crimes registados, a grande maioria (14.854) eram casos de violência doméstica e de maus-tratos físicos e psíquicos. 724 foram ameaças e coações, enquanto 504 foram difamações e injúrias.
A APAV registou ainda 292 crimes de abuso sexual de crianças, 111 de assédio sexual, 42 de bullying, 108 de cibercrime e 18 de subtração de menores, entre outros crimes.
Em média, a vítima é mulher, tem 40 anos e frequentou o ensino superior, o ensino secundário ou o terceiro ciclo. Boa parte dos autores dos crimes são cônjuges, companheiros, pais e até filhos das vítimas.
Se as vítimas são geralmente do sexo feminino (74,9 por cento), os autores são predominantemente homens (65%) e com idades entre os 35 e os 54 anos.
Em cerca de 46% das situações, foi formalizada queixa ou denúncia junto das autoridades.