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A Barragem de Fagilde vai aumentar a capacidade já a partir de sexta-feira (4 de fevereiro). A Câmara de Viseu pediu à Agência Portuguesa do Ambiente para ativar as ensecadeiras (estruturas de contenção), numa altura em que o distrito está em seca moderada, mas com perspetivas de entrar, como grande parte do país, em situação extrema.
O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, disse na última reunião do executivo que a infraestrutura está na cota máxima, apesar de não haver chuva na região há três meses.
“Não se prevê que haja chuva, pelo menos nos próximos dez dias. Sabemos que a situação está agravada e ainda por cima com esta particularidade de estarem a ser descarregados neste momento 100 mil metros cúbicos por dia. São menos 50 mil metros cúbicos do que no passado”, começou por explicar.
O autarca informou que a subida das ensecadeiras acontece já esta sexta-feira. Fernando Ruas disse ainda que, caso se verifique o mesmo cenário que em 2017, agora o município pode estar mais preparado. “Neste momento já temos com as Águas do Alto Douro e Paiva um ponto onde ir buscar a água se for necessário”, frisou, lembrando que este subsistema de distribuição está “às portas do concelho de Viseu”. “Só temos um concelho (S. Pedro do Sul) a separar-nos”, reforçou.
Já o presidente da Câmara de Nelas, Joaquim Amaral, teme que o cenário verificado em 2017, em que foram precisos camiões cisterna para garantir o abastecimento de água, se repita. O concelho é um dos municípios do distrito que são servidos pela barragem de Fagilde.
O autarca de Nelas mostra-se preocupado e garante que está atento à evolução das condições climatéricas, sobretudo na agricultura. Joaquim Amaral assegura ao Jornal do Centro que existem soluções e medidas que serão tomadas a seu tempo.
“Os dados apontam para uma das maiores secas dos últimos anos e é natural que haja apreensão da nossa parte. Vamos ver a evolução das questões climáticas, mas os municípios terão também de se precaver para tentar eventualmente que não se suceda o mesmo (em 2017), sendo certo que haverá soluções e decisões que serão tomadas na altura certa”, diz.
Mesmo assim, garante o autarca, o problema ainda não se coloca a nível do abastecimento doméstico.
O presidente da Câmara de Nelas não esconde que a seca traz impactos para o concelho e assegura que a Proteção Civil municipal irá acompanhar a situação “com maior cuidado”. O autarca apela ainda ao “consumo racional” da água por parte da população.
Joaquim Amaral não exclui também uma solução no plano intermunicipal e lamenta que a barragem de Girabolhos não tivesse avançado para tentar resolver o problema da seca na região.
A barragem de Fagilde é a principal fonte de abastecimento de água ao município de Viseu, sendo que 70% da água da albufeira é consumida no concelho de Viseu, 11,5% são consumidos por Mangualde, 15,5 por Nelas e 3% por Penalva do Castelo, os concelhos vizinhos, todos no distrito de Viseu.
Autarquias decidem futuro da empresa intermunicipal
Ainda a propósito desta questão, Nelas e também os municípios de Viseu, Mangualde e Penalva do Castelo irão tomar no próximo dia 11 de fevereiro a decisão final sobre o futuro da empresa intermunicipal Águas da Região de Viseu.
Na reunião de Câmara desta quinta-feira (3 de fevereiro), o presidente da autarquia viseense, Fernando Ruas, revelou que há duas soluções que estão em cima da mesa.
Segundo afirmou o autarca durante a reunião do executivo, a primeira opção passa por “iniciar o diálogo com as Águas de Portugal para uma possível criação de uma parceria para estes territórios”.
A segunda hipótese, entendida por Fernando Ruas como o “plano B”, passará pela empresa plurimunicipal e pelas autarquias tentarem assegurar que o Estado, “através da APA (Agência Portuguesa do Ambiente) e do Ministério do Ambiente, concretize o compromisso da construção e financiamento” de uma nova barragem, quer seja em Fagilde ou no Pinhozão.
Um projeto que, recordou o autarca de Viseu, “foi repetidamente prometido de acordo com os autarcas em exercício na altura”, quando foi formalizada a criação da Águas da Região de Viseu.
Água motiva troca de palavras entre executivo e oposição
A questão da água originou também uma acesa troca de palavras entre Fernando Ruas e o vereador do PS, João Azevedo, numa discussão em que também esteve envolvido o vice-presidente João Paulo Gouveia.
Interrompendo Fernando Ruas, João Azevedo acusou o autarca de querer acabar com tudo e de ter responsabilidades nesta matéria por ter liderado a Câmara de Viseu durante 24 anos.
João Paulo Gouveia devolveu as críticas, acusando o opositor socialista de ser “mal-educado”. Esta foi uma das discussões mais crispadas no seio da autarquia desde o início do atual mandato, em 2021.
Já Fernando Ruas disse que não aceita ser responsabilizado e que encontrou o processo da água parado. Garantiu ainda que, por ele, este dossiê “não atrasa nem um bocadinho”.