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Atropelamentos em Viseu preocupam bombeiros “esquecidos” pelo Governo

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 Atropelamentos em Viseu preocupam bombeiros “esquecidos” pelo Governo - Jornal do Centro
06.04.24
fotografia: Jornal do Centro
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 Atropelamentos em Viseu preocupam bombeiros “esquecidos” pelo Governo - Jornal do Centro
06.04.24
Fotografia: Jornal do Centro
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 Atropelamentos em Viseu preocupam bombeiros “esquecidos” pelo Governo - Jornal do Centro

Chegou ao comando da corporação há pouco mais de um ano. Que balanço faz?
Este foi um ano de adaptação ao que já existiam e só este ano entrou um projeto 100 por cento nosso, da nossa equipa de comando. Mas há que sublinhar que há trabalho de outros comandantes que funciona muito bem e que até hoje está a funcionar, prova disso são os setores operacionais que trabalham de forma completamente autónoma. E depois há a questão dos constrangimentos financeiros e que impossibilitaram a concretização de algumas coisas.

O que é que essas dificuldades implicaram na parte operacional?
Fizemos sempre tudo para que os operacionais não sentissem esse problema. Mas começou a pedir-se mais orçamentos, a limitar a utilização de alguns equipamentos, o fardamento teve de ser mais gerido, a própria gestão da frota passou por alguns reajustamentos. No fundo, houve todo um trabalho administrativo, de reorganização, que ajudou e muito a dar saúde financeira à instituição. Há um ano a meta era tirar o chavão da dívida, porque não conseguíamos fazer nada. Por exemplo, se nos avariasse um carro era um problema e hoje respiramos de alívio, porque não há nada na parte operacional que não seja resolvido no imediato, a não ser que não seja mesmo possível.

Agora que há saúde financeira, o que faz mais falta ao corpo de bombeiros?
Não é que seja no imediato, mas precisamos de equipamentos mais modernos e atualizados e substituir alguns que já têm alguma idade e que já não dão garantias de continuarem a cumprir durante muito mais tempo. Temos o exemplo de umas almofadas de estabilização e levantamento de veículos, um investimento que ronda os cinco mil euros, e que virá substituir um equipamento que tem quase 40 anos. Precisamos de uma ambulância de socorro, porque mais de metade dos nossos serviços é pré-hospitalar. Em termos de frota, também precisávamos urgentemente de um veículo tanque, temos um de 40 mil litros e um de 8 mil e precisávamos de um intermédio. Temos o tanque, só nos falta o veículo, mas estamos a trabalhar nisso.

E a nível de infraestrutura?
Temos um projeto para um campo de treino conjunto, que sirva a corporação dos Voluntários e dos Sapadores de Viseu. Esse campo seria para treinos de combate a incêndios em edifícios de grande altura. Temos um parque de treinos de salvamento e desencarceramento que precisa de obras, o que temos é provisório e não garante condições, sobretudo por causa de um problema de acumulação de água. Há vários projetos a decorrer, um deles com o ICNF, e que será alavancado com as escolas e a Junta de Rio de Loba. Trata-se da criação de uma zona tampão para as espécies invasoras que existem no perímetro florestal para o nosso terreno. Está ainda a ser analisada a possibilidade de criarmos uma charca, um ponto de água para o perímetro florestal do ICNF.

Já estiveram com uma equipa no antigo quartel no centro da cidade de Viseu. Vão voltar?
No imediato, não, porque em termos operacionais não justifica duplicar o quartel.

E em Côta, onde uma equipa estava em permanência durante o período mais critico dos incêndios?
Apesar de ser um bom projeto, achamos que poderá não ser viável, por várias razões: a disponibilidade de pessoal, a casuística de ativação daqueles meios, nos últimos cinco anos não temos registo de grandes incêndios nesta área de intervenção e, a somar a isso, os encargos financeiros da freguesia, que são elevados. Mas estamos ainda a analisar. Este ano reduzimos o dispositivo permanente de quatro equipas para duas, disponíveis 24 horas, e isso vai estar assegurado de 15 de maio a 15 de outubro. Demos ainda a certeza ao comandante sub-regional que estaremos disponíveis para aumentar o dispositivo, sempre que for necessário. Assim como estamos disponíveis para integrar grupos de combate a incêndios rurais, fora da nossa área de intervenção.

Portanto, o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais já está a ser preparado…
Sim. Da nossa parte já foi entregue ao comandante sub-regional e são as tais duas equipas, uma de combate a incêndios e outra de logística e apoio ao combate, com a total disponibilidade de reforço. Em relação à frota, está 100 por cento disponível e capaz.

Houve dificuldades em criar este dispositivo por falta de operacionais?
Houve uma redução no dispositivo por falta de disponibilidade de meios humanos mas que, pontualmente, se ultrapassa, mas em termos de meios mecânicos estamos a 100%.

O voluntariado continua a ser um problema?
Sem dúvida, sobretudo o voluntariado prolongado. No verão temos que ter equipas 24 horas e isso é muito complicado. Há os trabalhos sazonais, os estudantes trabalham neste período, outros vão estudar para fora e não vêm no verão. E depois há o problema de o voluntário ter deixado de ser apelativo.

Quantos operacionais integram o corpo de bombeiros?
Atualmente, são 98 operacionais. Temos uma recruta que está a terminar, que começou com 25 elementos e já foram nove a exame. Temos uma campanha de recrutamento aberta, que, para já, conta com 30 inscrições.

Há um grande número de operacionais que ficam pelo caminho…
As recrutas, que chegam a durar um ano, são em horário pós laboral, o problema é que um grande número de pessoas que integra a recruta trabalha por turnos e é muito complicado. A duração também acaba por ser um problema e que leva algumas pessoas a desistir, ainda que tenha havido uma reformulação.

Como é que se pode combater a falta de operacionais? Profissionalizando?
Temos que nos convencer, de uma vez por todas, nós bombeiros voluntários e o Estado, que dada a exigência do território e da população e à cada vez maior complexidade das ocorrências, não podemos ter um sistema de Proteção Civil baseado em voluntários. Os voluntários são importantíssimos, mas não podemos ter um serviço de primeiro impacto a ser salvaguardado por voluntários. A profissionalização é um caminho, mas já está a nascer torto. Por exemplo, um bombeiro de uma EIP [Equipas de Intervenção Permanente] não ganha o mesmo que um bombeiro profissional do Estado, não tem horas extra, subsídio de risco, de turno, não tem nada disto. Está a trabalhar-se de forma errada, investimos em outras forças quando, na realidade, deveríamos investir em quem salvaguarda o dispositivo há muitos anos, os bombeiros. Não recebemos um veículo novo desde 2013, passaram 11 anos e o Estado não deu mais nada. Aliás, o Estado não precisa de dar nada, tem é que organizar a sua Administração Interna e perceber onde quer investir e quem quer a combater os incêndios. E depois há a necessidade de mais apoios aos voluntários e rever seguros.

Cativar os mais novos é um caminho?
Estamos a investir muito na escola de infantes e cadetes, que tem atualmente à volta de 25 miúdos e isso tem sido uma referência muito importante para a Associação. E nesta questão da formação, estamos a finalizar a acreditação da Associação como entidade formadora certificada, pela DGERT e INEM. Um projeto que foi possível pela recuperação da saúde financeira e que era um sonho. Há 10 anos que se falava nesta vontade e estamos cada vez mais perto.

Têm uma EIP. É necessário mais?
Sem dúvida. Dada a quantidade de serviços que temos em Viseu, já não há sapadores nem voluntários que cheguem para tudo, mas tem corrido bem. A nossa EIP trabalha oito horas, mas essas oito horas não encaixam com os horários de voluntários de piquete. Há horas mortas, no início da manhã e no final do dia, que coincide com horas de acender lareiras e de muitos peões e condutores na estrada e é aqui que não existe salvaguarda profissional. No ano passado fizemos 4390 serviços de pré-hospitalar, o que dá 12 serviços em média por dia. Serviços esses feitos com quatro ambulâncias e onde apenas duas são profissionais, ou seja, com elementos da EIP. Uma EIP tem cinco elementos, quatro estão nas ambulâncias, se houver um incêndio ou um acidente não há ambulâncias e, mais grave, não há homens. Com uma segunda EIP haveria sempre uma equipa extra para uma redundância.

O pré-hospitalar foi o maior número de serviços em 2023 e é também onde está um dos grandes problemas das corporações…
Não podemos ter uma ambulância retida durante quatro horas num hospital, tem que haver forma de se retirar esse doente e libertar a viatura. Se tivermos quatro ambulâncias durante três ou quatro horas numa urgência os bombeiros dos concelhos limítrofes vão ter que vir fazer o serviço a Viseu, e isto é uma manta de retalhos porque depois as outras corporações também ficam com ambulâncias retidas. Como resultado, podemos ter pessoas à espera de ambulância num acidente, por exemplo, durante uma hora. E depois há a questão do atraso nos pagamentos, porque as pessoas que conduzem as ambulâncias, o combustível, tudo isso tem que ser pago.

Além do pré-hospitalar, que outras ocorrências se destacam?
O transporte de doentes não urgentes é outra ocorrência muito significativa, no último ano transportámos 11.500 pessoas, para consultas, análises e outros serviços. Mas, os atropelamentos é algo que nos preocupa, não é fácil de gerir, mas é preciso que alguém faça alguma coisa. Em 2023, tivemos 197 acidentes e 29 atropelamentos. Mas este número é mais elevado, porque houve saídas que acabaram por ser para atropelamento, mas que inicialmente não era esse o alerta.

E depois há os eventos em que também estão presentes…
Tentamos comparecer sempre que somos solicitados, seja em eventos desportivos, culturais ou outros. E há também as iniciativas que fazemos, porque não estamos cá só para as coisas más. Exemplo disso é o baile de Carnaval ou o passeio TT que vamos fazer a segunda edição no próximo dia 28. Tentamos sempre, em conjunto com a Associação, criar formas de estar junto das pessoas e de conseguirmos receitas.

Falava nas duas corporações existentes em Viseu. De que forma podem complementar-se?
Durante este primeiro ano, tentamos criar o maior número possível de sinergias com o corpo de bombeiros sapadores. Hoje estamos a colher os frutos dessa consonância, mas há ainda muito a fazer. Tentamos sempre complementar as equipas deles e eles as nossas, é um acordo de cavalheiros entre as duas corporações e que tem funcionado e dado provas disso. E temos também trabalhado muito com o Serviço Municipal de Proteção Civil.

É o comandante mais novo, em idade, do distrito de Viseu. Isso dá mais responsabilidade ou “tira” alguma responsabilidade?
Dá mais responsabilidade, porque se parte do pressuposto que por ser mais novo posso falhar e não se pode falhar. Nunca se pode falhar. E ainda que os Bombeiros Voluntários de Viseu não sejam os mais antigos, há uma história e cultura muito grande ligada a esta corporação e isso também dá uma maior responsabilidade e há mais gente de olhos postos em nós. É um projeto grande e eu espero cumpri-lo na integra nos quatro anos que ainda me faltam.

Como gostaria que a corporação estivesse daqui a um ano e no final dos cinco anos de mandato?
No próximo ano, que faz dois anos que estou no comando, gostava de ter uma instituição mais capaz e mais operacional, embora ache que já cumprimos muito e somos um corpo de bombeiros muito bom. Há bombeiros voluntários que nunca foram profissionais e são muito bons. Mas gostava de ter mais profissionais, mais voluntários. No final dos cinco anos, gostava de ter o sentimento de dever cumprido, não queria ser lembrado como mais um, mas como alguém que acrescentou valor.

Que mensagem importa deixar às populações?
Que podem contar connosco. Podemos ter muitas dificuldades, mas a população nunca as sentirá, até porque a população tem sido muito boa para nós. Apoiam-nos sempre, em tudo, nos nossos eventos, nas ocorrências, no dia a dia, há sempre alguém que vem ao quartel e nos deixa qualquer coisa.

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