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Seis meses depois das eleições autárquicas, Porto, Lisboa, Cascais, Sintra e Gaia estão entre as mais de duas dezenas de municípios onde executivos minoritários conseguiram a maioria absoluta através de acordos e atribuição de pelouros a vereadores da oposição. O mesmo aconteceu com Viseu.
Na Câmara do Porto, a coligação PSD/CDS-PP/IL, liderada pelo social-democrata Pedro Duarte, tinha elegido em 12 de outubro de 2025 seis mandatos num total de 13, mas conseguiu assegurar maioria no executivo municipal ao atribuir o pelouro da Cultura e Património ao eleito pelo PS Jorge Sobrado, que passou então a vereador independente.
Também o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), governa com maioria absoluta, com nove eleitos (num total de 17), depois de delegar competências na vereadora independente Ana Simões Silva, que se desfiliou do Chega em janeiro.
Em Vila Nova de Gaia, o social-democrata Luís Filipe Menezes conseguiu uma liderança maioritária com o apoio do vereador eleito pelo Chega, António Barbosa, que se desvinculou do partido.
Em Sintra, o presidente Marco Almeida, eleito à frente da coligação PSD/IL/PAN, integrou dois vereadores do Chega na gestão municipal para “assegurar estabilidade”, levando a que a Iniciativa Liberal retirasse a confiança à sua vereadora na coligação, uma vez que os liberais tinham aprovado recusar participação em alianças com o partido nacionalista.
No concelho vizinho de Cascais, o social-democrata Nuno Piteira Lopes, eleito sem maioria absoluta em coligação com o CDS-PP, fez um acordo de governação com o Chega em fevereiro, com a entrega de pelouros aos dois vereadores e o compromisso de aprovação dos orçamentos municipais até 2029, motivando a rutura de um acordo anterior com o PS, que abdicou das pastas atribuídas.
Segundo os resultados das eleições autárquicas de outubro do ano passado, 233 das 308 câmaras do país ficaram então com maioria absoluta.
Já nas semanas seguintes foram anunciados alguns acordos, como em Bragança, onde o vereador Ricardo Pinto, eleito pelo PSD, se desfiliou do partido e passou a independente, assumindo pelouros e permitindo a maioria no executivo liderado pela socialista Isabel Ferreira, que conquistou esta Câmara aos sociais-democratas, 28 anos depois.
Na Câmara de Viseu, o socialista João Azevedo ‘roubou’ um vereador ao PSD, ficando com maioria absoluta, com cinco autarcas, contra três vereadores do PSD e um do Chega, e na Trofa a coligação PSD/CDS apenas elegeu três elementos e fez um acordo com a coligação PS/PAN/Livre, atribuindo pelouros a dois vereadores.
Também a liderança CDS-PP da Câmara de Vale de Cambra, que empatou com o PSD em número de vereadores, entregou o pelouro da Educação ao eleito do PS e em Ovar a presidência PSD estabeleceu um acordo com a eleita do movimento independente AGIR.
No Fundão, o vereador Hugo Silva, eleito pelo Chega, desfiliou-se do partido e o presidente da Câmara, eleito pelo PSD, atribuiu-lhe os pelouros da Segurança e Proteção Civil, conseguindo um apoio que lhe permite maioria absoluta.
Na Câmara de Tomar, a coligação AD (PSD/CDS) venceu, mas com o mesmo número de vereadores (três) do que o PS, pelo que o presidente Tiago Carrão chamou para a governação o vereador eleito pelo Chega.
Também no distrito de Santarém, em Vila Nova da Barquinha o PS chegou a acordo com a vereadora única do PSD, para garantir “estabilidade governativa”, e a presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira, da coligação AD, atribuiu pelouros ao vereador do Chega Frederico Colaço Antunes, após um entendimento político para assegurar “uma governação estável”.
Na Marinha Grande, o presidente da Câmara, o socialista Paulo Vicente, entregou pelouros ao vereador eleito pela CDU (PCP/PEV), Sérgio Silva, garantindo, dessa forma, uma gestão maioritária.
Em Almada, o PS conseguiu quatro mandatos e chegou a um acordo de governação com a CDU, com três lugares, para que a liderança da socialista Inês de Medeiros ganhasse maioria sobre os restantes dois vereadores do PSD e outros dois do Chega.
Já em Palmela, houve um entendimento e distribuição de pelouros entre a maioria CDU (três eleitos) e o PS (dois eleitos) que garantiu a governabilidade do município e, no Montijo, os três vereadores do movimento independente Montijo Com Visão e Coração (MVC), liderado por Fernando Caria, chegaram a um entendimento com o vereador da coligação PSD/IL, deixando na oposição os dois eleitos do Chega e o eleito pelo PS.
O Movimento Cívico Por Elvas (MCPE) venceu pela segunda vez consecutiva as eleições autárquicas, mas sem maioria absoluta, tendo efetuado um acordo com o PS, a quem foi atribuída a vice-presidência do município.
Após reconquistar ao PS a Câmara de Montemor-o-Novo, sem maioria absoluta, a CDU estabeleceu um acordo político com os socialistas que lhe permitiu a maioria, enquanto em Beja a liderança do município, conquistado pela primeira vez por uma coligação encabeçada pelos sociais-democratas (PSD/CDS-PP/IL) chegou a acordo com a CDU atribuindo pelouros ao vereador comunista Vítor Picado.
Noutros governos autárquicos minoritários, a celebração de acordos foi insuficiente para assegurar a maioria absoluta.
Em Sesimbra, por exemplo, a CDU governa com o apoio da única vereadora eleita pela coligação PSD/CDS-PP, mas se os dois vereadores do Chega e os dois do PS unirem esforços podem bloquear qualquer decisão da atual maioria relativa.
Em Braga, a coligação vencedora das autárquicas (PSD/CDS-PP/PPM) entregou o pelouro da Cultura a uma vereadora eleita pela coligação PS/PAN, mas, mesmo assim, continua minoritária.
Na Nazaré, os três elementos do PSD aprovaram a entrega de pelouros a um vereador do PS, mas, sem um acordo de governação, este é livre de votar ou não ao lado do executivo.
Em Coimbra, dirigida por uma coligação liderada pelo PS, com cinco autarcas, o mesmo número que os da coligação liderada pelo PSD, a diferença pode ser uma vereadora eleita pelo Chega, que entretanto se desfiliou e, agora como vereadora independente, aprovou o orçamento da autarquia ao lado dos socialistas, tendo sido entretanto nomeada pela Câmara para gestora de uma empresa municipal que detém uma escola profissional.
O presidente da Câmara de Aveiro, Luís Souto Miranda (PSD/CDS-PP), que governa em minoria, assumiu recentemente que estão a decorrer conversações com o vereador do Chega para conseguir ter maioria.