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Autocarros voltaram a parar. Motoristas pedem mais respeito

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 Autocarros voltaram a parar. Motoristas pedem mais respeito - Jornal do Centro
02.12.21
fotografia: Jornal do Centro
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 Autocarros voltaram a parar. Motoristas pedem mais respeito - Jornal do Centro
02.12.21
Fotografia: Jornal do Centro
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 Autocarros voltaram a parar. Motoristas pedem mais respeito - Jornal do Centro

Nair Seabra é motorista há 17 anos e foi uma das profissionais que durante o dia de hoje aderiu à greve dos trabalhadores de pesados de passageiros. Em causa, melhores condições laborais, como o aumento de salários.

Para Nair Seabra, estes anos não têm trazido melhorias à profissão. “Os direitos que tínhamos estagnaram e não têm evoluído. O salário é o mesmo, não temos tempo para a família, já que durante 14 horas estamos no local de trabalho, não temos tempo para a vida social e até para lazer”, desabafou.

Segundo a motorista, “é preciso que quem manda valorize mais a profissão e o trabalho que desempenham”. “Fazemos o nosso trabalho com o maior amor e empenho possível, e penso que posso falar por mim e pelos colegas. Estamos com um vencimento de 700 euros, a fazer duas funções, a de motorista e de cobrador. Esta revindicação é exatamente para que pensem e valorizem o trabalho de quem aqui está, 14 horas por dia”, frisou.

A luta dos motoristas já dura há vários meses. Segundo Jorge Rodrigues, do Sindicato dos Transportes e Comunicações, “o balanço é equiparado ao da última greve”, que aconteceu a 22 de novembro.

“Estamos na volta dos 80 por cento, no MUV [Mobilidade Urbana de Viseu]. No resto do distrito, em Tondela, zona onde a Transdev opera, houve uma paragem de 100 por cento. Lamego e Castro Daire é que está mais fraco, mas já é normal uma vez que os trabalhadores não estão organizados e há sempre esse problema”, destacou. Já fora do distrito, “Coimbra teve uma adesão de cerca de 80 por cento e Aveiro a rondar os 90 por cento”.

Jorge Rodrigues explicou que as “as reivindicações continuam a ser as mesmas”. “Nós estamos a pedir 750 euros de salário e a redução do tempo de intervalo das três para as duas horas. Queremos ir para a mesa das negociações mas não com aquilo que o patronato vem oferecer, que são 10 euros de aumento”, disse.

O sindicalista explicou ainda que este é um “falso aumento”. “Um aumento de 10 euros vai ser “engolido” pelo salário mínimo, que vai passar a 705. Ofereceu 10 euros, o salário são 700 euros por isso serão apenas mais cinco euros de aumento”, rematou.

Para quem utiliza diariamente os transportes públicos, em especial o MUV, a greve fez-se sentir, sobretudo no tempo de espera. Célia Silva e Cátia, duas passageiras que esperavam em paragens da cidade, contaram que estavam à espera há minutos, quando, habitualmente, esperam cerca de a
minutos.

Questionadas sobre a greve, explicam que “atrapalham sobretudo os consumidores”.

“Atrapalha a todos nós que temos compromissos e não conseguimos cumprir”, disse Cátia. Já Célia Silva fez questão de lembrar que “prejudica mas todos temos que reclamar pelos nossos direitos”.

À central de camionagem foram alguns os que chegaram de táxi, por não terem alternativas. Houve, até, quem tivesse que fazer alguns quilómetros a pé, como Carlos Esteves.

“Venho todos os dias de autocarro, de manhã, para a cidade. Hoje tive que vir a pé, cerca de três quilómetros. Os mesmos que terei que fazer ao final do dia.

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