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A freguesia de Viseu apresenta uma desigualdade de género na sua toponímia, com apenas 24 dos 528 arruamentos identificados a terem designações femininas, o que corresponde a 4,5% do total, denunciou o Bloco de Esquerda.
Segundo esta força partidária, 48,1% dos topónimos são masculinos, enquanto 47,3% correspondem a designações às quais não se aplica o género. “Considerando apenas os nomes com género, a disparidade acentua-se já que cerca de 91% são masculinos e apenas 9% femininos”, aponta o BE.
De acordo com levantamento feito, entre os poucos arruamentos com nomes de mulheres, metade tem origem religiosa, refletindo uma predominância de figuras como santas ou invocações. Já 45,8% correspondem a mulheres reais e apenas uma pequena percentagem representa conceitos abstratos.
Também ao nível da tipologia dos arruamentos se verifica desequilíbrio. Metade dos topónimos femininos corresponde a ruas, seguindo-se travessas (12,5%) e largos (8,3%). “A presença em avenidas ou espaços mais centrais é residual”, o que, segundo os dados, evidencia “uma menor valorização simbólica dessas homenagens”.
Para o Bloco de Esquerda, esta realidade demonstra que o espaço público continua “esmagadoramente masculinizado”, defendendo a necessidade de corrigir a desigualdade histórica. Entre as propostas está a atribuição de nomes de mulheres a novos arruamentos, mas também a revisão de designações associadas a figuras religiosas ou ao período do Estado Novo. Isto numa altura em que o executivo municipal anunciou que está a “recuperar” a Comissão Municipal de Toponímia, o órgão consultivo da Câmara Municipal que tem como responsabilidade a proposta, avaliação e aprovação das designações de arruamentos e outros locais públicos, assegurando, por um lado, a “organização do território, mas também a salvaguarda da história, memória e cultura locais”.
Uma das reivindicações do Bloco de Esquerda para nomes em ruas é o de Beatriz Pinheiro, escritora, poetisa e feminista ligada à revista “Ave Azul”. Apesar de já existir uma rua com o seu nome, o partido considera que a sua localização não reflete a importância da autora, apontando ainda a ausência de sinalização no local.
Entre os nomes propostos para futura toponímia estão figuras como Judith Teixeira, Emília de Sousa Costa, Maria Lamas, Alzira Augusta de Lourdes Pinto Vieira,Francisca de Almeida Furtado, Maria Cecília Correia, Maria da Graça Marques Pinto e Catarina Eufémia, entre outras personalidades ligadas à cultura, à resistência e à história local.