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Nem todos os bombeiros da região de Viseu se reveem nas críticas do Tribunal de Contas no relatório que escreveu sobre o plano de prevenção e combate decidido após os fogos de outubro de 2017.
A auditoria, divulgada esta sexta-feira (23 de abril), revela que as medidas tomadas “ainda não foram completamente concretizadas”, existindo várias áreas que carecem “de aperfeiçoamento”.
Os juízes consideram que a reforma “está atrasada nalgumas vertentes importantes”, embora tenham sido realizadas uma boa parte das medidas definidas e tenha havido reforço dos meios humanos, terrestres e aéreos afetos ao combate a incêndios e melhorias no respetivo planeamento e coordenação.
O Tribunal de Contas defende ainda “mais esforços” na área da formação. O presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Viseu, Guilherme Almeida, defende que este é um ponto positivo do relatório, mas pede também que o combate aos incêndios seja cada vez mais realizado por profissionais.
“A formação é sempre bem-vinda e é também o que defendemos. Queremos sempre fazer mais e melhor formação. Muitos destes homens e mulheres são voluntários e muitos corpos de bombeiros nascem no combate, no socorro e na disponibilidade de voluntariado e isso tem de mudar a curto-prazo. Tem de se adotar a profissionalização cada vez mais no socorro de prontidão e primeira linha, mas o voluntariado é sempre bem-vindo”, explica.
O relatório refere igualmente que é preciso melhorar a operacionalização do combate ao fogo. O Tribunal de Contas entende ainda que a capacitação dos meios humanos de combate aos incêndios deve ser aprofundada.
Guilherme Almeida diz que tem havido melhorias na colocação dos bombeiros na primeira fase de combate e que o que dificulta é, muitas vezes, a localização do incêndio. “Continuamos a ter zonas que ainda estão limitadas nos seus recursos e temos zonas onde os meios demoram a chegar, o que se torna complicado porque quando menos eficaz o ataque inicial, o fogo é mais problemático”, afirma o dirigente.
Segundo o também comandante dos Bombeiros de Nelas, houve uma “evolução considerável na eficácia do combate e no ataque inicial”. “Mais de 90 por cento dos incêndios são extintos logo no ataque inicial. Estamos a falar dos primeiros 90 minutos de combate”, refere.
O presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Viseu defende também que o problema da floresta abandonada tem de ser encarado de frente e acredita que a questão não será resolvida dentro de pouco tempo.
“A recuperação do interior e das áreas de abandono vai levar muitos anos e não sei até que ponto não será uma utopia fazer a recuperação das áreas que estão disponíveis para arder e nos dão problemas todos os anos. Temos consciência que temos uma floresta desordenada e que é um problema que é para muitos anos e que não sei até que ponto será resolvido”, remata.
Comandante de Oliveira de Frades fala em “machadada final”
Também em reação ao relatório do Tribunal de Contas, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Frades, Fernando Farreca, diz que há uma desconsideração pelos bombeiros portugueses.
O responsável admite não entender o documento e fala mesmo numa “machadada final” aos corpos de bombeiros.
“Acho estranho o Tribunal de Contas fazer conclusões do foro operacional. Outras entidades deveriam manifestar-se sobre isso, mas temos pena. Se querem dar uma machadada final nos bombeiros, eles que deem, mas com os pés bem assentes na terra e que digam assim. Se o Governo não quer os bombeiros, então que se formem pessoas, GNR e outras entidades para essa matéria. Mas, em pandemia, quem salvou o país foram os bombeiros”, lamenta.
Ao Jornal do Centro, o comandante concorda que os bombeiros precisam de mais formação, mas diz que ela tem de vir do Estado central. “Efetivamente, tem de haver formação, mas tem de chegar a quem tem de a dar também. Os corpos de bombeiros não podem andar a pagar para formar os seus profissionais”, afirma.
Fernando Farreca lembra que a Liga dos Bombeiros Portugueses está nesta altura em campanha eleitoral e que as duas listas concorrentes querem ver resolvido “o problema da Escola Nacional de Bombeiros porque têm de ser revistos todos os protocolos com a escola e a Autoridade Nacional de Proteção Civil”. “Existe uma escola para os bombeiros que está formatada para o civil e não propriamente para os bombeiros porque a formação que chega é escassa e muitas vezes dadas pelo esforço dos seus comandantes e chefias”, diz.
Sobre a “má colocação dos profissionais em terreno” argumentada pelo Tribunal de Contas, o comandante dos Bombeiros de Oliveira de Frades lembra que nem todas as operações correm bem e diz que os operacionais “não param no terreno”.
“Estão ao dispor de quem está a coordenar as operações. E, perante as solicitações de quem está no terreno, assim são combatidas as situações. É claro que umas correm bem e outras pior, mas é como qualquer outro setor. Nem todos os médicos acertam nas doenças que os seus pacientes têm”, conclui Fernando Farreca.