As casas ficaram mais caras em Viseu durante estes últimos meses da pandemia. O custo subiu na ordem dos 13,9% (por cento) em março deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, marcado pelo início da Covid-19.
Segundo o índice de preços do portal imobiliário Idealista, Viseu foi a segunda capital de distrito do país que registou um aumento do preço das casas, ficando apenas atrás de Vila Real, que teve uma subida de 26,4%.
A nível distrital, Viseu teve um aumento de 7% nos preços das habitações. A região tem, em média, casas à venda pelo preço de 864 euros por metro quadrado.
Só na capital do distrito, uma casa poderá ser vendida por 1.065 euros por metro quadrado. Cinfães e Lamego são os concelhos a seguir, onde as casas estão à venda por 691 e 681 euros por metro quadrado, respetivamente.
Seguem-se São Pedro do Sul (652 euros), Oliveira de Frades (634 euros), Resende (583 euros), Tondela (581 euros), Carregal do Sal (552 euros), Mangualde (539 euros), Vouzela (517 euros), Santa Comba Dão (517 euros), Nelas (509 euros) e Castro Daire (455 euros).
Já segundo outro portal, a Imovirtual, o preço médio da venda da casa em Viseu aumentou 4,7% entre março de 2020 e 2021, dos 162.830 euros para os 170.550 euros. Quanto ao arrendamento, Viseu destacou-se com a maior subida (17,6%), ao passar dos 429 para os 504 euros de valor médio anunciado.
Marco Marques, gerente da agência imobiliária Global, explica que o aumento do preço das casas em Viseu se deve a dois fatores.
Primeiro, está, segundo este empresário, “o investimento que existe dos investidores para o mercado do arrendamento, porque o banco cada vez paga menos pelo dinheiro em depósito e as pessoas começaram a investir mais no imobiliário para arrendamento”.
Além disso, há também cada vez mais pessoas “a quererem morar em Viseu, mesmo trabalhando noutros pólos e mesmo querendo fazer 10, 15 ou 20 quilómetros por dia”.
“Para cada imóvel, tenho uma média de cinco a sete clientes. A procura aumentou”, acrescenta Marco Marques.
Já Serafim Marques, responsável pela Habifactus, revela que este fenómeno se deve ao aumento da procura associado às boas condições de financiamento.
“A procura tem aumentado mas a oferta não aumentou na mesma proporção e até está mais cara. Isto está aliado às condições de financiamento que se mantêm boas ou até excelentes. Os bancos estão a conceder crédito às pessoas, as taxas de juro estão baixas e, enquanto se mantiver este clima financeiro, há sempre concessão de crédito e haverá sempre procura”, afirma.
Serafim Marques aponta para um crescimento na procura de casas na ordem dos 30%, “dentro da nossa procura e do nosso registo de contactos”.
Por seu lado, o agente Pedro Noronha, da Remax, aponta para a qualidade da construção, “que se nota que está melhor em Viseu do que havia anteriormente”, e também para a qualidade de vida e o teletrabalho como motivos para este aumento da procura imobiliária em Viseu.
“A procura aumentou e, como a oferta era pequena, os preços subiram. Há muita gente a vir de fora a vir viver e trabalhar para Viseu. Notámos que há pessoas que não trabalhavam cá e que vão para Viseu para viver. O teletrabalho também beneficiou a cidade porque houve muita gente que viu que vai trabalhar em casa e que se deslocou do seu centro urbanístico para vir para Viseu”, diz.
Pedro Noronha também considera que as baixas taxas de juro e o maior investimento no mercado do arrendamento ajudaram a contribuir para este aumento dos preços das casas em Viseu, além das maiores rendas.
“É muito mais fácil e económico comprar do que arrendar. Há muita gente à procura da troca, ou porque tem apartamentos e vão para uma vivenda ou porque vão para um apartamento que tenha logradouro. A pandemia criou a necessidade de espaços maiores, quintais e logradouros e isso fez com que 2020 e o primeiro trimestre de 2021 fossem excelentes períodos para o mercado”, remata.