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Viseu recebeu este sábado e domingo (20 e 21 de abril) o 31.º congresso do CDS. O partido diz que quis mostrar que está vivo e que foi determinante na vitória da Aliança Democrática nas últimas legislativas, valendo por si sem “barrigas de aluguer” e sem abdicar dos seus valores.
Após dois anos de ausência na Assembleia da República, os centristas regressaram ao parlamento e ao Governo, e reuniram-se no Pavilhão Cidade de Viseu para assinalar 50 anos de existência e contrariar a tese de que estas conquistas se deveram apenas ao PSD, através da coligação Aliança Democrática (AD).
“Nem o CDS foi muleta, nem o PSD barriga de aluguer”, frisou Nuno Melo logo no primeiro dia da reunião magna, que juntou cerca de mil congressistas no Pavilhão Cidade de Viseu, aos quais apelou para que nunca se sintam “parceiros menores” da AD, mas sim “aliados”.
Estava dado o mote da reunião magna, sublinhado desde logo pelo histórico ex-presidente Manuel Monteiro, o qual frisou que o PSD só ganhou as legislativas “porque o CDS estava lá” e também pelo dirigente e atual secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia.
“Se não fosse o CDS, o primeiro-ministro em vez de se chamar Luís Montenegro, chamar-se-ia, para mal dos nossos pecados, Pedro Nuno Santos [secretário-geral do PS]”, defendeu o governante.
Num pequeno vídeo exibido na reunião magna, o antigo líder e ex-vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, frisou que “pelo voto dos portugueses no quadro da Aliança Democrática também foi expressa a vontade de que a voz da democracia-cristã, aberta a liberais e conservadores, voltasse ao parlamento e voltasse ao governo”, apelando aos centristas para que “provem bem, com competência no serviço” numa altura em que assumem novas responsabilidades.
Além de quererem mostrar que o CDS “é útil”, “necessário” e foi determinante na vitória eleitoral de março, os centristas fizeram também questão de lembrar que têm os seus valores e a sua singularidade, destacando a “preservação da família”, a oposição ao aborto e à morte medicamente assistida e a defesa de uma imigração regulada com “rigor na entrada e humanidade na integração”.
Manuel Monteiro, um dos autores do polémico livro “Identidade e Família”, chegou a avisar que “é bom que o parceiro de coligação saiba que o governo é de dois partidos e não apenas de um”, que os valores “não se negoceiam” e que o partido não tem que “pedir desculpa por ser contra o aborto”, frisando que não existe no país uma “polícia do pensamento”.
Houve também alguns militantes que alertaram para que a “identidade do CDS se dilua em laranjas” e defenderam que o partido não pode “dormir à sombra da laranjeira”.
Vários centristas manifestaram-se agradecidos a Nuno Melo por ter conseguido levar o CDS-PP de volta à Assembleia da República e ao Governo e a única crítica surgiu pela voz do antigo líder Francisco Rodrigues dos Santos, que não esteve em Viseu e aproveitou o seu espaço de comentário do CNN Portugal para acusar o partido de ser um “clubinho privado de portas fechadas à renovação” e admitiu desfiliar-se.
Melo acabou reeleito presidente com 89,3% dos votos dos delegados e com uma moção estratégica global aprovada por unanimidade.
O líder do CDS-PP traçou como objetivos ter um partido com mais mulheres e jovens, renovado, que não tem medo de ser moderno, no entanto, apresentou uma lista à comissão política nacional de continuidade, mantendo todos os vice-presidentes que o acompanharam nos últimos dois anos.
No discurso de encerramento do congresso, o também ministro da Defesa Nacional anunciou que o Governo vai criar uma comissão para as comemorações do 25 de Novembro de 1975.
Enquanto responsável da pasta da Defesa, Melo assumiu como missão conseguir travar “o declínio no recrutamento” das Forças Armadas e quanto às eleições europeias, alertou que a escolha será entre “a tolerância e os extremismos”, apelando aos portugueses para que “não se deixem enganar”.
O congresso ficou marcado por vários atrasos no início dos trabalhos, algo já comum no CDS, tendo um dos congressistas manifestado desagrado com esse facto.
“Já faz parte do ADN do CDS”, chegou a gracejar o presidente da Mesa.
As reaçãoes
O ministro e vice-presidente do PSD Paulo Rangel considerou positivo existir um CDS-PP “em plena forma” e o deputado do PS João Paulo Rebelo classificou o discurso de Nuno Melo no 31.º Congresso como “pouco entusiasmante”.
“Se há uma boa notícia sempre para o PSD é o CDS estar, digamos, em plena fora. E portanto obviamente que o CDS é diferente do PSD e ainda bem”, salientou Paulo Rangel, no encerramento do 31.º Congresso do CDS-PP, em Viseu, na qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros, mas também de vice-presidente do PSD.
Interrogado sobre o facto de o antigo líder do CDS Manuel Monteiro ter afirmado na reunião magna que o partido não deve pedir desculpa por ser contra o aborto, tema que gerou polémica na campanha eleitoral e levou o líder da Aliança Democrática (AD) a esclarecer que o tema não estava em cima da mesa, Rangel voltou a dizer que “isso não está em causa”.
Já sobre as eleições europeias de junho, Rangel respondeu que “não tem ideia” de qual será a lista apresentada pela coligação que junta sociais-democratas e centristas, a Aliança Democrática (AD), e que pediu a Luís Montenegro para “não interferir” na decisão, uma vez que já foi eurodeputado.
Pelo PS, o deputado e secretário nacional João Paulo Rebelo saudou o CDS pelos seus 50 anos de existência e lembrou que durante vários anos o partido foi “um tampão ao surgimento de forças extremadas mais à direita”, lamentando que tal não tenha acontecido recentemente.
O socialista apontou que o discurso de Nuno Melo “não foi particularmente entusiasmante” e em alguns aspetos um pouco vago, salientando que, “em contraponto ao CDS, o PS já tem resultados” governativos para apresentar.
Já sobre a iniciativa anunciada pelo presidente do CDS e ministro da Defesa Nacional de criar uma comissão para as comemorações do 25 de Novembro de 1975, o deputado respondeu que o PS reconhece que esta data teve “um papel importante” mas não a compara ao 25 de Abril de 1974.
Em representação do Chega, o deputado João Tilly desejou o crescimento do CDS mas “indo a jogo por si próprio e não às cavalitas de outro partido”.
O parlamentar considerou que o CDS é “um partido histórico que faz muita falta à verdadeira direita portuguesa e mais ainda a Portugal” e rejeitou que o Chega seja um partido extremista, defendendo a tese de que à direita do seu partido se posicionam o ADN e o Ergue-te!.
Sobre a iniciativa de criar uma comissão para as comemorações do 25 de Novembro de 1975, Tilly manifestou concordância: “Se não fosse isso estávamos todos a fazer parte de um comité central numa república socialista não sei onde”.
Pela Iniciativa Liberal, o membro da comissão executiva Pedro Pereira salientou que os liberais têm diferenças com os centristas sobretudo a nível social, apontando que vários dirigentes do CDS subscreveram nas últimas semanas “discussões públicas com o objetivo de repensar e inclusivamente regredir em questões de liberdade individuais”.
A Il espera que o CDS “aproveite esta segunda vida para renascer e representar de novo uma direita conservadora mas democrática e moderada”, espaço que “infelizmente tem sido ocupado por forças populistas e xenófobas”.