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Percorriam-se as ruas, vestidas a rigor em tons lilases ou esbranquiçados, abraçavam-se procissões, diurnas ou noturnas, que aprofundam a fé de muitos dos fiéis, beijava-se a cruz entre suspiros curtos e calmos, apetrechavam-se janelas e varandas, visitava-se cada recanto da aldeia até à casa mais longínqua, e reuniam-se famílias inteiras à mesa repleta de iguarias típicas, desde pratos de borrego e cabrito às mais simples amêndoas. Falamos da Páscoa, na sua forma mais tradicional. Sentimo-la longe e solitária. Há um ano, estávamos em pleno confinamento. Desta vez, o cenário repete-se como o rebobinar de uma cassete. Um ano depois, celebra-se a morte e ressurreição de Jesus Cristo dentro de portas.
O início da primavera é marcado por uma nova luz, própria de uma celebração religiosa que acompanha um dos momentos mais importantes do Catolicismo. Por força da pandemia de Covid-19, essa mesma luz é ofuscada pelas restrições do atual estado de emergência, nomeadamente, pelas restrições de circulação.
Há um ano, de 9 a 13 de abril de 2020, vivia-se uma Páscoa ‘confinada’ e completamente limitada nos movimentos. Ninguém podia circular fora do seu concelho – fosse de carro, outros veículos, transportes públicos ou a pé – a não ser para comprar bens essenciais, trabalhar ou prestar auxílio a pessoas em carência de apoio. Nesse mesmo período, fecharam-se aeroportos e estações de comboio. As exceções confinaram-se a transportes aéreos de carga, humanitários, requisitados, de Estado e militares.
Além disso, até 17 de abril de 2020, a concentração de pessoas na via pública, com mais de cinco pessoas, estava impedida até porque o dever geral do recolhimento domiciliário já era “regra”. Também as celebrações religiosas, desde missas presenciais até procissões, foram suspensas pelo risco de contágio do novo coronavírus. Uma parte dos fiéis optou por assistir às poucas transmissões de celebrações online ou até pela televisão.
Este ano, apesar do levantamento de algumas restrições, o Governo também decidiu apertar as medidas do 14.º estado de emergência, em semana de férias escolares da Páscoa. Desde as 23.59 horas da passada quinta-feira, está proibida a circulação entre concelhos até à segunda-feira de Páscoa (5 de abril). Uma medida de segurança para evitar a eventual circulação de pessoas e anular focos de ajuntamentos familiares, de forma a diminuir o risco de contágio pela Covid-19.
Desta vez, regressam as missas com a presença física dos fiéis, inclusive no Santuário de Fátima. Algumas das paróquias optam por celebrar a ressurreição de Jesus Cristo dentro da Igreja, outras esvaziam-se e confinam-se ao online. É como se fosse conversa em que a religião anda de mãos dadas com as novas redes. Ainda assim, o típico beijar a cruz, compasso e procissões permanecem suspensas.
De forma a ‘afugentar’ o frio do isolamento social, a Igreja apela à colocação de cruzes alusivas à época pascal em janelas, para assinalar todas as celebrações que irão ficar por realizar.
À semelhança do ano passado, também não se pode sair do país. As fronteiras terrestres com Espanha estão encerradas, à exceção de quem precisa de sair para trabalhar ou prestar auxílio a pessoas vulneráveis.
Também são permitidos os passeios higiénicos e a prática de exercício ao ar livre, dentro dos limites do concelho e nas imediações da área de residência.
Ao contrário do que se fazia sentir no ano passado, salões de cabeleireiros, barbeiros, manicures e serviços do género podem permanecer abertos através de marcação prévia. O mesmo se passa com as lojas de tatuagens e piercings.
Relativamente à restauração, permite-se a manutenção do regime em take away, entrega ao domicílio ou de venda ao postigo.