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“De pé, ó vítimas da fome! De pé, famélicos da terra! Da ideia a chama já consome. A crosta bruta que a soterra”. Era a Internacional Comunista que se ouvia, ao cimo da Capitão Silva Pereira, em Viseu. Às três menos um quarto já se juntava gente. As bandeiras vermelhas faziam antever que era dali que a manifestação do 1º de Maio iria partir. E assim foi.
Pelas três da tarde, o som vindo de um megafone ia apelando ao cumprimento das regras. “Estamos em pandemia, há restrições, pedimos que cumpram o distanciamento”. Logo depois, os cartazes que estavam no chão, foram erguidos e, por ordem, a concentração fez-se manifestação.
Eram dezenas. Ao ritmo das palavras de ordem a pedir mais direitos e mais dignidade no trabalho, saíram do Largo de Santa Cristina rumo ao Rossio. Ali já estava montado um palco que, há uma semana, foi o centro da festa que assinalou os 47 anos da Revolução de Abril. Enquanto atravessavam a Rua Alexandre Lobo, alguns com as mãos em punho, outros com cravos na mão, iam gritando “A luta continua, nas empresas e na rua” ou “Abril continua, maio está na rua”.
Os cartazes afetos à CGTP, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Portugueses, iam pintando a manifestação de vermelho. Um protesto sem idade e sem género, rumando num mesmo objetivo. Enquanto o desfile ia chegando ao Rossio, pelo meio havia pessoas à janela, outros que esperavam os manifestantes junto ao Rossio, procurando acompanhar os gritos de revolta, transformados em slogans de protesto. À chegada aos Paços do Concelho, ouvia-se que o povo unido jamais será vencido.
Em palco já estava Carlos Peninha e a sua banda. Mas antes havia que continuar a lembrar que ali estavam para reclamar direitos. Mesmo que a coluna de som já estivesse desligada, os slogans foram continuando. Depois, as músicas. Peninha & Tocar o Chão interpretaram quatro temas todos em português. Seguiu-se o discurso de Francisco Almeida, líder da União dos Sindicatos de Viseu.
O sindicalista lembrou que é urgente não desarmar e continuar a lutar por direitos. Mesmo em tempo de pandemia, reforçou. “O ataque aos salários, o aumento dos despedimentos, em especial aos que têm vínculos precários, entre tantas outras ameaças”, referiu.
Francisco Almeida acrescentou que a luta nunca deixou de ser feita. “Estivemos lado a lado, frente a frente, olhos nos olhos. Não ficámos exclusivamente na internet. Enquanto milhões de trabalhadores se deslocavam para o trabalho, enfrentavam os problemas com os transportes à pinha, sem esquecer os equipamentos de proteção individual e os horários desregulados. Não nos vergam porque é da nossa ação e da determinação em enfrentar as dificuldades que resultam as conquistas e a defesa dos direitos dos trabalhadores”, assinalou o sindicalista.
Dando vários exemplos em que, no entender da CGTP, houve atropelo de direitos no trabalho, Francisco Almeida defendeu que “não estamos todos no mesmo barco”. “O nosso barco não é o barco do patronato, nem do grande capital. E é por causa disso, que exigimos outra resposta aos problemas concretos de quem trabalha e trabalhou no nosso país”.
O discurso havia de terminar 20 minutos. Depois, voltou a música. Carlos Peninha escolheu “Portugal Futuro”, poema de Ruy Belo que musicou, para a festa continuar.