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Um D. Quixote e um Sancho Pança dos tempos modernos encontram-se em Viseu com o Rancho Folclórico de Silgueiros, durante o espetáculo “AoMAR – O Pão e o Vinho”, que cruza o teatro com o cinema.
“AoMAR – O Pão e o Vinho”, que será apresentado este sábado (20 de novembro) em Silgueiros, parte da obra de Miguel de Cervantes “D. Quixote de La Mancha”, escrita no século XVII, e adapta alguns dos seus episódios mais emblemáticos a situações contemporâneas.
“Em palco, só estarei eu e o Ricardo Augusto, não haverá um encontro físico com o rancho. A integração do rancho no espetáculo é feita através de um filme que criámos juntos em junho, que foi filmado na Quinta do Loureiro, em Silgueiros, e depois trabalhado com as pessoas do rancho”, explicou o ator Graeme Pulleyn à Agência Lusa.
Com encenação de Patrick Murys e realização de Leandro Silva, todo o espetáculo é um cruzamento de teatro e cinema: “Tem momentos de cinema, momentos de cenas teatrais e momentos em que os atores ao vivo interagem em palco com as imagens gravadas”.
Ao longo do processo de criação, Graeme Pulleyn e Ricardo Augusto fizeram uma viagem entre Vale da Mula (no concelho de Almeida) e Ílhavo, com as personagens e uma moto clássica, que foi filmada por Leandro Silva.
“Nesta viagem foram acontecendo algumas residências. Parámos e estivemos mais tempo a trabalhar com alguns grupos da comunidade local, como foi o caso do Rancho Folclórico de Silgueiros para este projeto, ao qual demos o subtítulo de ‘O Pão e o Vinho’, e que está integrado num projeto maior que é o AoMAR”, explicou o ator, que se fixou em Portugal, e na região de Viseu, em particular, há cerca de três décadas.
Nesta viagem, D. Quixote e Sancho Pança foram-se encontrando com elementos de várias comunidades dos locais por onde passaram: Almeida, Guarda, Trancoso, Viseu, Serra do Caramulo, Águeda e Ílhavo.
“Criámos um D. Quixote e um Sancho Pança do século XXI, que fazem esta viagem numa moto com ‘sidecar’, desde a fronteira com Espanha, mais precisamente em Vale da Mula [Almeida], até ao mar, em Ílhavo”, referiu Graeme Pulleyn.
Desde “um pequeno ribeiro que faz a fronteira entre Portugal e Espanha” até à “imensidão do oceano”, a dupla vai tendo “aventuras que são contemporâneas”, contou o ator, exemplificando com o episódio em que D. Quixote entra no meio de um jogo de futebol e começa a agredir os jogadores, por pensar, alucinado, que se tratavam de dois exércitos.
“Sancho Pança consegue salvar a situação convidando toda a gente a beber uma ‘mini’ no bar da associação”, acrescentou.
Na apresentação do projeto AoMAR – O Pão e o Vinho, da associação cultural Nicho, a vereadora com o pelouro do Património Cultural, Turismo e Cultura, Leonor Barata, salientou que “o pequeno filme que vimos [na apresentação ]que, não será o espetáculo, mostrou a importância que estes encontros têm, não só para as comunidades, mas também para os artistas”.
“É uma estrada de dois sentidos, os artistas encontram as comunidades e as comunidades encontram os artistas e há arte neste sentido e pode ser a grande arte do encontro. É através do encontro, sobretudo, em épocas pandémicas, que estes encontros ganham outro sentido e outros sabores”, assinalou.