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Daqui a 50 anos, Economia exigirá modos mais cooperativos e colaborativos de pensar, produzir e consumir

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 Daqui a 50 anos, Economia exigirá modos mais cooperativos e colaborativos de pensar, produzir e consumir - Jornal do Centro
13.04.24
fotografia: Jornal do Centro
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 Daqui a 50 anos, Economia exigirá modos mais cooperativos e colaborativos de pensar, produzir e consumir - Jornal do Centro
13.04.24
Fotografia: Jornal do Centro
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 Daqui a 50 anos, Economia exigirá modos mais cooperativos e colaborativos de pensar, produzir e consumir - Jornal do Centro

O exercício de especular como será a região de Viseu em 2074 é interessante, mas muito difícil. Como separar o que se prevê daquilo que se deseja? Numa altura em que se comemoram os 50 anos da Liberdade, como estará o território daqui a 50 anos? Este foi o desafio lançado a José Pedro Gomes, economista e coordenador de uma estrutura residencial de pessoas idosas para quem uma nova realidade económica exigirá modos mais cooperativos e colaborativos de pensar, produzir e consumir.

“Pretendendo ser optimista, penso principalmente numa economia que vai enfrentar as crises demográfica e climática com sucesso, gerindo a diversidade sócio-cultural e cumprindo a coesão territorial. Sim, haja esperança. Ainda temos os próximos 50 anos para, apesar de reconhecermos desafios, complexidades e muitas vezes fatalidades, aplicarmos uma visão positiva e acreditarmos no potencial de mudança e progresso da nossa região”, salienta o economista.

José Pedro Gomes assume que tem confiança no potencial da região de Viseu para se destacar como uma região líder em termos de qualidade de vida e desenvolvimento sustentável.

“Nesta linha de pensamento, à partida, será necessário centrarmo-nos em tecnologias limpas e sustentáveis, num turismo com experiências mais personalizadas, numa agricultura inovadora, num território com marcas de saúde, longevidade e bem-estar. Devo destacar estas últimas áreas: saúde, longevidade e bem-estar. A região de Viseu tem aqui muitas oportunidades, bem como na área social. Creio mesmo que estas são áreas de futuro e a economia responderá a isso”, atira.

Para o economista, são evidentes os enormes avanços na saúde, na medicina e no progresso científico-tecnológico, bem como o impacto que a inteligência artificial, a robótica e o digital já estão a ter nestas áreas.

As projeções do Instituto Nacional de Estatística revelam que a esperança média de vida em Portugal vai ganhar 10 anos até 2080. “A proliferação de tratamentos e terapias destinadas a prolongar a vida avançam a um ritmo sério. Estamos perante fenómenos com muitas implicações. A região de Viseu tem já hoje muitas condições e características que lhe podem permitir um grande desenvolvimento nestas áreas”, sublinha.

Nesta “previsão” de futuro na área da saúde, José Pedro Gomes destaca também o papel do poder local. “Tenho a certeza que o poder local vai ter, para além do papel relevante que já tem a desempenhar na saúde dos habitantes, uma maior responsabilidade na prestação de cuidados de saúde e um compromisso sério com uma visão de “cidades sustentáveis”, reconhecendo o papel dos determinantes da saúde e da Saúde Pública”.

A economia social é outro aspeto que continuará a ter um peso no futuro e será uma parte significativa da economia da região, “desde que o Estado consiga investir neste território e saiba interagir e fazer as parcerias fundamentais, com novos programas e novas infra-estruturas, no sentido de uma rede social mais ampla e ajustada às necessidades que já se evidenciam”.

“Tendo em conta as instituições que operam nesta área na nossa região, o seu trabalho e as suas necessidades, é lícito considerar que a economia social vai relevar-se ainda mais como vector fundamental ao nível da actividade económica e da criação de emprego”, vaticina. José Pedro Gomes deixa aqui o caminho para impulsionar o desenvolvimento económico e social da região de Viseu e que anda ao lado do que é essencial para “melhorar a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas”.

“Investir desta forma cria oportunidades de crescimento sustentável e torna a região mais atractiva para residentes, visitantes e investidores”, realça.

Em 2074, a governação autárquica terá cada vez mais preponderância na diferenciação dos territórios e na estratégia económica dos mesmos. O Estado precisa das empresas e as empresas precisam do Estado. “Esquecemo-nos muito disto, mas precisamos uns dos outros, na verdade. Com uma nova geração de autarcas a surgir, acredito que a região será vista como exemplo em termos de articulação intermunicipal, impulsionando e consolidando clusters regionais que conduzem à competitividade do território e ao fortalecimento da economia, pela criação de escala e valor”, descreve o economista.

E há um desejo que fica: “que em 2074 possamos dizer que temos necessidades e hábitos diferentes, mas conseguimos preservar a democracia. Com ou sem Estados Unidos da Europa, com ou sem carros voadores, mas se possível com transportes públicos gratuitos revolucionando a mobilidade, com habitação para todos povoando as aldeias, com a tecnologia ao serviço das pessoas, dando-lhes espaço e tempo para viver mais e melhor em comunidade”.

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