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Faz agora cinco anos que Luís Tavares trocou Portugal pela Austrália. Natural de Santa Comba Dão reside agora em Melbourne. Foi o amor que o levou para a terra dos cangurus.
“A minha namorada (entretanto casámos) estava a passar férias em Lisboa quando nos conhecemos. Ela é australiana e, na altura, estava a trabalhar em Londres, enquanto eu trabalhava em Lisboa. Tivemos, portanto, um relacionamento à distância durante alguns anos, até que decidimos que era altura de dar o próximo passo e viver juntos”, conta o emigrante de 33 anos.
O casal ponderou entre Portugal e a Austrália e “o que seria melhor para os dois, não só do ponto de vista profissional, mas também de qualidade de vida para criar uma família”. A proximidade “com pelo menos um dos pais também pesou” na decisão.
“Infelizmente ela não falava português e não havia muitas oportunidades de emprego na área dela pelo que decidimos por Melbourne. Eu também, na altura, estava a começar a ficar desgastado com o meu emprego e estava pronto para um novo desafio profissional”, explica.
Luís Tavares tem um mestrado em economia. Em Portugal era auditor financeiro, tendo trabalhado para alguns dos principais grupos financeiros portugueses.
Na Austrália continua no mesmo ramo, numa outra empresa, e até conseguiu desafiar um amigo a mudar-se para a Oceânia para trabalhar consigo. Desde que chegou continua no mesmo local de trabalho, ainda que já tinha tido “felizmente a oportunidade de progredir na carreira”.
A mudança para “o outro lado do mundo” foi tranquila até porque foi “bem recebido” pela família e amigos da companheira. Nunca se sentiu “seriamente discriminado por ser emigrante”, mas não esconde que já passou por “situações menos agradáveis”.
“A Austrália é um país enorme (quase do tamanho do Brasil), portanto, algumas zonas do país acabam por ser um pouco diferentes, mas em geral os australianos são bastante relaxados, seja no trabalho ou na vida familiar. Os australianos tendem a não se preocupar muito”, adianta.
Luís realça ainda um “outro aspeto curioso” no país onde agora vive. Na Austrália janta-se às 18h30/19h00, enquanto que em Portugal a refeição da noite era feita às 20h30/21h00.
“Ao início fez-me confusão, mas agora ja me habituei”, garante.
“A Austrália é um país bem descontraído e onde é fácil ter um estilo de vida saudável e isso é uma das coisas que mais gosto aqui”, aponta, salientando a paixão que os australianos têm pelo desporto.
“Por exemplo, aqui em Melbourne temos o open da Austrália e a Fórmula 1, mas também competições como o super rugby e outros desportos que não seguimos muito em Portugal como o cricket e o futebol australiano, mas que aqui são extramente populares”, diz.
O que não gosta mesmo é da distância, mais de 16 mil quilómetros. O voo entre os dois países dura pelo menos 24 horas.
Quando emigrou Luís Tavares contava visitar pelo menos uma vez por ano terras lusitanas, nas férias. A última vez que esteve em Portugal foi em abril de 2019. No ano seguinte tinha viagem marcada, mas a pandemia trocou-lhe as voltas.
“Desde então não consegui ir porque a Austrália fechou as fronteiras durante este tempo todo. Entretanto, elas vão abrir novamente em dezembro e estou agora a planear ir a Portugal no verão”, revela.
O emigrante quer visitar, mas também tem planos para regressar ao nosso país, mas só não sabe é dizer quando. “No curto prazo” fica pela Oceânia até porque, nos entretantos, já tem uma filha.
“O que sinto mais saudades é mesmo da minha família e dos meus amigos. Também sinto bastante falta da comida portuguesa. A minha mãe e minha avó são boas cozinheiras e por isso sinto bastantes saudades das refeições em família”, afirma, realçando que “para matar as saudades” liga aos pais várias vezes por semana, através das redes sociais, ainda que “não seja a mesma coisa” que o contacto físico.
“Em relação à comida portuguesa vou a alguns sítios que vendem produtos portugueses, incluindo bacalhau, e então acabo por cozinhar bastantes pratos portugueses”, finaliza.