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De Tarouca para a Suíça, para onde já foi duas vezes

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28.01.23
fotografia: Jornal do Centro
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Fotografia: Jornal do Centro
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 De Tarouca para a Suíça, para onde já foi duas vezes

Miguel Moura trocou pela primeira vez a terra natal, Tarouca, pela Suíça em abril de 1996. Nesse mesmo ano voltou para Portugal, tendo-se radicado em Lisboa. Dois anos mais tarde voltou para terras helvéticas.

“Tarouca tem um historial acima dos 50 anos de emigração na Suíça. Daí a opção emigrar já estar vinculada na perspetiva de futuro de muitos de nós”, explica o emigrante de 45 anos.

Miguel vive e trabalha na região da Engadina, onde já estavam amigos e familiares. Começou a lavar pratos num hotel, depois esteve nas obras e hoje trabalha, como zelador, numa empresa que presta serviços integrados a bancos e centrais de telefone. Em Portugal, esteve empregado nos ramos da construção civil e da restauração.

“A minha atividade profissional, não tem muito a ver com o que fazia anteriormente, contudo tudo o que aprendemos podemos sempre aplicar mesmo que seja em contextos diferentes”, refere.

Fora do país há mais de 20 anos, o emigrante confessa que no início o que mais lhe custou foi a “distância da família” e explica que “a necessidade pela conquista de uma vida melhor” motivava-o todos os dias.

“A primeira impressão foi maravilhosa. Vi um país lindo, primeiro com lagos maravilhosos e mais tarde com montanhas carregadas de neve numa beleza ímpar, um autêntico postal ao vivo”, refere.

“A dificuldade de integração é ainda hoje uma luta diária, com o tempo fui saindo do `túnel´ em que vivia nos primeiros anos e compreendendo melhor as pessoas, a cultura local e fui aceitando as regras impostas pelo país. A Suíça tem uma enorme diversidade populacional, cultural e religiosa. Devo dizer que graças às suas regras o funcionamento é quase prefeito”, garante.

Miguel desfaz-se em elogios ao país que o acolheu, para lá de duas décadas, mas não esconde, ainda que não goste de falar disso, que já se sentiu discriminado por ser estrangeiro.

São várias as razões que o fazem gostar da Suíça, dos ordenados, à qualidade de vida, passando pela limpeza, ordem pública, respeito pela polícia e natureza. Destaca também o sistema de saúde, o acompanhamento escolar /formação profissional, o ordenamento do território, as montanhas e o silêncio. Não gosta da neve em excesso, do facto de num país tão pequeno haver quatro línguas oficiais e de não poder votar, apesar de estar bem integrado.

Em média, o emigrante visita a terra natal duas vezes por ano. Vem matar saudades da mãe, da restante família, dos lugares da sua infância, dos arraiais, do monte de Santa Helena. Sente também falta da simplicidade das pessoas, dos seus amigos, do cheiro a pinheiro, do mar, da boa comida, das sanchas da serra, no fundo do seu cantinho.

O regresso em definitivo a Portugal está sempre no pensamento de Miguel Moura. “Penso sempre quando chegará esse dia, apesar de me sentir muito feliz aqui, a minha pátria será sempre o meu Portugal”, termina.

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