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Um em cada dois doentes com cancro demonstrou um sofrimento emocional significativo durante a pandemia da Covid-19. Também um em cada dez doentes e cuidadores sofreram um relevante impacto financeiro, com muita dificuldade em pagarem as despesas familiares.
A conclusão foi retirada num estudo recentemente realizado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, no âmbito da avaliação nacional da perceção do impacto social, económico e psicológico da Covid-19 nos pacientes oncológicos de cancro, nos familiares e nos cuidadores.
De acordo com a Liga contra o Cancro, os resultados do estado comprovaram que há uma necessidade de reforço dos programas de apoio aos doentes e cuidadores, sobretudo durante o período da pandemia.
O estudo revela também que um em cada dez pacientes oncológicos sentiu muita dificuldade em pagar despesas familiares ao longo da crise pandémica. De acordo com o mesmo documento, 72% (por cento) dos doentes e 76% dos cuidadores inquiridos dizem estar preocupados com o impacto da pandemia na evolução e no tratamento da doença.
Os dados obtidos mostraram que os doentes com outras doenças crónicas que cuidam de alguém com doenças crónicas e que tiveram os tratamentos suspensos devido à Covid-19 e que se vêm como mais vulneráveis à contração de infeções ou de novas complicações encontram-se em maior risco de desenvolver problemas psicológicos.
Trinta por cento dos doentes oncológicos e 42 por cento dos cuidadores manifestaram ansiedade significativa, enquanto 18% dos pacientes e 22% dos cuidadores assumiram depressão.
Em resposta a estas conclusões, a coordenadora da investigação, Natália Amaral, considera que se devia ter pensado mais no apoio psicológico prestado aos doentes com cancro porque estes “estavam muito vulneráveis”. Realça ainda que a Liga Portuguesa Contra o Cancro sempre manteve esse mesmo apoio.
“Como foi evidente no estudo, os doentes tinham medo de sair de casa e, inclusive, faltaram às consultas. Muitos deles pediram o adiamento. A Covid-19 era uma doença nova para todos nós e nem sabíamos até que ponto as coisas iriam. Houve um desconhecimento da própria doença e, daí, todas estas alterações”, afirma.
Quanto ao futuro, a médica teme que surjam tumores em estado mais avançado porque não foi feito o devido diagnóstico em tempo de pandemia. “O tempo vai-nos dar razão. Vamos precisar de todos os meios disponíveis para diagnósticos, rastreios e tratamentos. Com os centros de saúde focados na Covid-19, as coisas vão aumentar e temos de arregaçar as mangas”, acrescenta.
Natália Amaral pede ainda aos doentes com cancro para se vacinarem contra a Covid-19 e também para não terem medo de se deslocarem às unidades de saúde.
Também o diretor do serviço de imagiologia do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, Duarte Silva, manifestou a sua preocupação com os tumores mais tardios e alertou que, aí, os tratamentos não vão ser tão eficazes. “Alguns atrasos podem ser até, seguramente, fatais”, admite Duarte Silva. Ainda assim, depois do período mais crítico da pandemia, os doentes com cancro já estão a dar entrada de novo no hospital e “com mais confiança”.
No Hospital de Viseu, foram detetados tumores em estado muito avançado, como já não eram vistos há 20 anos porque, disse esta semana Duarte Silva, “as pessoas atrasaram-se nas idas aos hospitais e aos médicos”.
“Às vezes, basta um mês para estragar o trabalho feito durante anos. A pandemia e o Natal fizeram com que a esperança média de vida baixasse e bastou uma semana. Com a pandemia e com este atraso nos diagnósticos e nas situações tumorais, há muito mais gente a morrer não por Covid, mas por estes atrasos porque as pessoas têm medo de ir ao hospital”, disse.