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Saiu de Mortágua até Coruche para “pescar” o título de campeão do mundo de pesca desportiva. Simão Ramos, atleta da PescaMor, um clube de pesca de Mortágua, tem apenas 15 anos e deu à pesca desportiva portuguesa um título na categoria de juvenil.
Concorreram ao primeiro lugar 250 pescadores. Nos dois dias de prova, Simão Ramos pescou 6 quilos e 250 gramas de peixe. “Tivemos uma semana para nos adaptar. Sábado e domingo foram as provas. Cada dia tem uma prova e cada prova dura três horas. Chegamos todos à final, e, no fim, o peixe de cada um é pesado. O pescado é mantido numa espécie de rede para o peixe não ser aleijado. Na pesca desportiva respeitamos imenso os peixes”, garante o jovem pescador.
Quanto ao local da prova, Simão não tem dúvidas de que a “a pista de Coruche é a mais justa porque o peixe anda em todo o sítio e o que decide é a precisão do lançamento da cana de pesca e o processo de engodagem”.
Ao Jornal do Centro, o jovem pescador de Mortágua assume que “a prova mundial superou as minhas expectativas”, mas realça que “quando nos dedicamos à pesca, estamos num desporto que envolve decisões e temos de estar muito concentrados”.
A concentração é, aliás, para Simão Ramos o pilar do sucesso neste desporto. O pescador convida os mais jovens a entrar no mundo da pesca. “Infelizmente a pesca é vista como um desporto muito envelhecido. Quando se fala em pesca o que vem à cabeça é a palavra seca. E a pesca não é nada disso. Especialmente em competição nunca estamos parados”, garante. O objetivo do jovem é em 2024 partir rumo à Sérvia para lutar por um novo título mundial.
O percurso na pesca teve início há oito anos. “Comecei a pescar aos sete anos com o meu avô paterno, Leonel. Fui gostando cada vez mais e levei mais a sério a pesca. Por causa disso, quando fiz 10 anos, o meu pai inscreveu-me num clube de pesca da região, o Pescamor”, explicou.
Depois, continua a contar, “como quem corre por gosto não cansa, comecei a ter as primeiras vitórias nos concursos em que qualquer um se pode inscrever e em campeonatos nacionais”.
Na hora da vitória, Simão Ramos deixa transparecer que o sucesso alcançado também se deve ao trabalho do treinador. “Gratidão para o professor Breda pela paciência, esforço e dedicação. Com a junção das nossas competências participei no meu primeiro campeonato nacional, que decorreu em 2019. Fiz sexto lugar na geral, no fim das provas, o que, para a minha idade foi muito bom. Eu tinha apenas dez anos e era o mais novo e pequeno do escalão de juvenis. Os restantes pescadores tinham 14 ou 15 anos”, detalha.
A prova em que concorreram 250 pescadores de 12 países diferentes foi, até agora, o ponto mais alto de uma curta, mas promissora carreira de pescador. É esse o pensamento de Fernando Breda, o treinador.
“O Simão evoluiu bastante e chegou onde chegou graças à dedicação, esforço e querer. Quando assim é, tudo se torna mais fácil”, justifica.
O técnico acrescenta que “a nível nacional há títulos mundiais, mas este é especialmente importante para nós porque é a primeira vez que Mortágua tem um campeão mundial”.
Diz Fernando Breda que a este nível, um pescador tem de recolher várias qualidades, “nomeadamente concentração, vontade, querer, amar a modalidade”. “Antes de tudo tem de ser alguém que gosta de praticar o desporto e vontade de aprender”, sintetiza.