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‘Ela sabia que ia ficar eterna’, confessa viúvo de árbitra Laurinda Lopes

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 ‘Ela sabia que ia ficar eterna’, confessa viúvo de árbitra Laurinda Lopes - Jornal do Centro
29.01.22
fotografia: Jornal do Centro
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 ‘Ela sabia que ia ficar eterna’, confessa viúvo de árbitra Laurinda Lopes - Jornal do Centro
29.01.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 ‘Ela sabia que ia ficar eterna’, confessa viúvo de árbitra Laurinda Lopes - Jornal do Centro

É um verdadeiro baú de memórias. O Museu Laurinda Lopes que já abriu ao público na zona do Caçador, em Viseu, vive de recordações de uma vida ligada ao futebol e ao futsal. A árbitra Laurinda Lopes morreu há dois anos, mas as recordações prometem nunca deixá-la partir.

Abre-se a porta e avista-se logo um relvado colocado num jogo de snooker. De um lado uma equipa vestida de branco, do outro, outra equipa veste de vermelho. Ao centro, surge a protagonista deste espaço. Depois, o mais evidente são os cachecóis. Tantos, de tantas cores, de várias origens. Tantos clubes e associações quiseram associar-se a esta carreira que acaba por ser ímpar e pioneira. Falamos da primeira mulher a arbitrar jogos de futebol e de futsal.

Recebe-nos Luís Lopes, o viúvo de Laurinda e principal responsável por continuar esta obra que ainda está por acabar. O museu vai ter continuação. A ideia é colocar mais peças expostas, incluindo mais recortes de jornais que ficaram para a história pessoal e profissional de Laurinda Lopes. Mas o espaço atual já merece a visita. Do lado esquerdo, surgem-nos imensas fotografias. Laurinda ainda solteira, depois o casamento, a família que construíu com Luís e um diploma muito especial. “Aos 16 anos já era diplomada em alta costura. Começou a trabalhar logo aos 12 anos”, recorda o viúvo.

De entre os recortes que nos mostrou, há um que se destaca. O título diz tudo: “Machismo no futebol”. A primeira mulher a apitar homens trouxe algum preconceito ao de cima. Mas Laurinda sempre tratou de dizer bem cedo ao que vinha. “Viveu sempre isto com muita personalidade. Para ela não havia jogos a brincar. Os jogadores já a conheciam. Ela foi respeitada nos campos porque se dava ao respeito. Nas camadas jovens nunca tratou o jogador pelo nome ou por tu. Era por “senhor jogador”. E ele retribuía: “senhora árbitra”. Havia sempre um respeito mútuo”.

As carreiras de Luís e Laurinda coincidiu em vários momentos. Tanto que chegaram a fazer parte da mesma equipa de arbitragem e até começaram ao mesmo tempo enquanto árbitros assistentes. E tudo começou com um “se tu vais, eu também vou”. “Ela às vezes ainda eu estava a dormir, já me dizia que estava na hora, para me levantar para irmos para o jogo”, lembra Luís Lopes.

E foram vários anos a apitar. Neste museu estão as primeiras chuteiras que Laurinda usou, o primeiro apito que levou para um jogo, os cartões, as insígnias e muitas, muitas fotografias. Tantos retratos que se perde a conta aos clubes ali representados. “Ela sabia que ia ficar eterna”, diz Luís enquanto percorre, com as lágrimas nos olhos, cada uma das fotografias. Por detrás de cada rosto retratado, há uma história.

Numa carreira em que a palavra pressão está sempre na ordem do dia, Laurinda Lopes tinha sempre lugar para a Fé. “Íamos todos os anos a Fátima, em outubro”. E antes dos jogos, havia sempre que pedir auxílio. “Ela fazia sempre uma pequena oração. Era muito agarrada à Fé em Nossa Senhora de Fátima”. E neste museu está bem à vista a imagem da Virgem.

Os silêncios eram poucos. De tanta história que se ia soltando à medida que as peças surgiam no olhar. “Mesmo quando ela chefiava uma equipa de arbitragem, e eu estava noutra, no fim do jogo íamos sempre parar ao restaurante. Combinávamos e jantávamos”, assinala Luís Lopes. Foi mesmo uma vida juntos no futebol e fora dele. No fundo, este espaço é também a homenagem à família de Luís e Laurinda. “Aqui está mesmo a história representada. Acredito que onde ela estiver está orgulhosa deste museu”, confia Luís Lopes.

O sonho de um museu a lembrar a carreira como árbitra está cumprido. Falta ainda concretizar duas vontades: a de um campo com nome Laurinda Lopes e o de Portugal ter uma mulher a apitar jogos na Primeira Liga. “Está quase, está quase. Viseu é o distrito que mais mulheres tem a apitar. Deve-se a alguma coisa. Primeiro, ao trabalho ao Conselho de Arbitragem, mas também muito por causa da pioneira que incentivou as outras”, assinala Luís, referindo-se a Laurinda Lopes que aqui é celebrada a cada peça, passo após passo, de memória em memória.

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