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Foi há precisamente 100 anos que nasceu em Azinhaga aquele que viria a ser até aos dias de hoje o único prémio Nobel da Literatura português. O centenário de José Saramago vai ser assinalado um pouco por todo o país e em Viseu o Nobel será celebrado com um espetáculo do Grupo Off que reúne dança, teatro e música.
“É uma homenagem. Todo o ano andámos com ‘O Conto da Ilha desconhecida’ por várias freguesias rurais. Fizemos imensas apresentações e este é um espetáculo novo a fechar o centenário de Saramago. É um espetáculo construído a partir de um texto dramático dele chamado ‘O que farei com este livro?’. A personagem principal é Camões e é curioso por isso, por cruzar estes ícones da literatura”, começa por contar a encenadora do espetáculo, Florbela Sá Cunha.
A artista confia que a adaptação de ‘O que farei com este livro’ “pode ser uma boa ponte para quem não conhece Saramago e passar a descobrir algumas das suas palavras e para quem não conhece Camões, também o poderá fazer”. Os espetáculos decorrerão sempre no Museu Nacional Grão Vasco pelas 21h e acontecem esta quarta-feira, 16 de novembro e sexta-feira e sábado, dias 18 e 19 de novembro.
Florbela Sá Cunha é professora de Português de nono ano. Neste dia em que se recorda a obra de Saramago, a docente lamenta que os jovens leiam pouco, independentemente do autor do livro.
“Hoje os jovens não leem muito, mas os que leem Saramago, gostam sim. Há os que descobrem Saramago e são levados a ler mais, e depois os restantes que não leem, não por ser Saramago, mas por não lerem muito. Saramago provoca-lhes uma reação inicial de ‘ele não pontua’, e exige o exercício de perceber onde começa o diálogo. Alguns alunos não têm paciência para esse desafio, mas depois de o descobrirem, há aqueles que se apaixonam de facto. Ainda hoje duas turmas minhas de nono ano estiveram a celebrar Saramago na Biblioteca, leram de improviso algumas coisas dele e correu muito bem”, confessa.
Como leitora, Florbela “agarrou” em Saramago no Liceu. Já na altura considerou que o Nobel tinha uma “escrita difícil e desafiante”. “Queria conhecer e perceber melhor a escrita diferente, a forma como não pontuava. E isso despertou curiosidade”, recorda. “Li primeiro ‘O Memorial do Convento’, fazia parte do programa da escola e fui por aí fora. Sou uma apaixonada por Saramago”, assume.
Como livros preferidos, a professora e encenadora destaca ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ “por ser apaixonada por Fernando Pessoa”, mas não esquece ‘Ensaio Sobre a Cegueira’. Nas escolhas está também um livro que considera pouco referido: ‘O ano de 1993’. “É um livro de prosa poética e é muito atual: fala de guerra, paz, tempos conturbados”, descreve.
Neste dia em que o Nobel é lembrado, Florbela considera que Saramago é “impactante” por não ter meias palavras. “É duro e pode ser cáustico, direto no que pretende dizer e na crítica que faz. Ao lermos Saramago somos confrontados com algumas realidades de forma nua e crua e isso mexe connosco”, vinca.