Person in a gray sweater makes ASL signs toward the camera, with both hands visible in the frame.
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People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
Group of pageant contestants in evening gowns/swimwear with sashes standing on a brightly lit stage, audience seated in foreground.
Six young dancers pose with medals and a large trophy in front of a dance competition backdrop, Portugal flag visible behind them.
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Espetáculo de “teatro dentro do teatro” assinala 50 anos de companhia de Tondela

“Carrossel”, com as suas várias camadas de leitura, convida o público a fazer parte da experiência e a refletir sobre a criação artística

15.05.26
fotografia: Jornal do Centro
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15.05.26
Fotografia: Jornal do Centro
Aerial view of a sandy beach with large stone letters forming a message, promoting recycling; below, the slogan 'Começa por reciclar as desculpas' and a call to action with a URL.
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Five actors stand in a circle on a dimly lit stage, one in a white ornate vest, talking as props and shelves frame the scene behind them.

Um espetáculo construído no registo de “teatro dentro do teatro”, que deixa a nostalgia de lado e aposta na reinvenção, assinala os 50 anos da companhia Trigo Limpo e da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT).

Com o espetáculo “Carrossel”, que tem estreia marcada para o próximo dia 22, o Trigo Limpo Teatro ACERT não pretendeu fazer uma reconstrução da história da companhia, mas sim transformar meio século de criação teatral numa experiência cénica contemporânea.

“É uma reflexão sobre para que serve o teatro para o público”, disse hoje aos jornalistas o encenador Graeme Pulleyn, no final de um ensaio de imprensa, lembrando que o teatro “vive numa condição constante de crise” desde os tempos de Shakespeare.

Segundo Graeme Pulleyn, apesar de todas as dificuldades, o teatro mantém o seu público e é importante continuar “a examinar o porquê” e a partilhar as inquietações e interrogações sobre o que é, para que serve e se ainda faz falta.

“Carrossel”, com as suas várias camadas de leitura, convida o público a fazer parte da experiência e a refletir sobre a criação artística, a vida em comunidade e os desafios de continuar a construir coletivamente.

No centro do espetáculo estará “a máquina infernal”, um carrossel de quase quatro metros de diâmetro que levará à vivência de várias situações do dia-a-dia do teatro.

O ator Pompeu José – que apesar das barbas e dos cabelos brancos vai interpretar “a miúda que entra para a companhia e tem um olhar diferente sobre o teatro” – explicou que a ideia é refletir sobre o próprio teatro e os mecanismos da criação artística, mesmo que as pessoas que assistem ao espetáculo não conheçam o percurso do Trigo Limpo. 

“Que pessoas que nem sequer nos conheçam possam ver aqui uma reflexão irónica – a ironia não retira seriedade ao processo – sobre a função do teatro na nossa sociedade e o papel importante do público para que o teatro aconteça”, frisou o também diretor artístico da ACERT.

Esta nova produção mostra uma companhia de teatro durante a preparação da digressão do espetáculo “Carrossel”, que sofreu um revés com o acidente de uma atriz, obrigando à sua substituição. A nova atriz vai agitar a estabilidade de uma equipa que se encontrava “mergulhada numa rotina repetitiva e num processo criativo em desgaste”, o que permitirá confrontar passado com futuro e permanência com transformação.

A “máquina infernal” foi pensada para permitir a circulação do espetáculo mesmo em espaços que não tenham palco, como a rua.

Para já, estão previstas dez apresentações de “Carrossel” noutros pontos do país, mas a companhia gostaria também que o espetáculo circulasse pelas freguesias do concelho de Tondela, no distrito de Viseu.

Marcado por reencontros com pessoas que ao longo dos anos tiveram ligações ao Trigo Limpo Teatro ACERT, “Carrossel” conta com texto de Pedro Leitão e música original de Ricardo Leão. Pompeu José, Sandra Santos, Pedro Sousa e Ilda Teixeira interpretam a miúda, a mãe, o criador/tesoureiro e o homem. 

“O Pedro fez-nos uma proposta irreverente e surpreendente e nós tentámos, na nossa relação com o texto que ele propôs, sermos também irreverentes e portarmo-nos mal. Acho que este espetáculo é sobre isso, sobre a importância das revoluções”, de estar “sempre à procura da renovação e de começar de novo”, disse Graeme Pulleyn.

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