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Fecho do CAT de Viseu: “Este foi o pior Natal da minha vida”

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 Fecho do CAT de Viseu: “Este foi o pior Natal da minha vida”

Uma dezena de funcionárias do Centro de Acolhimento Temporário (CAT) de Crianças de Viseu concentram-se ao final da manhã desta quarta-feira (28 de dezembro) junto à valência, para contestar o encerramento da resposta social e o seu despedimento.

As 17 crianças que viviam no CAT começaram a sair da instituição no início da semana. O processo de retirada dos menores culmina esta quarta-feira. O centro encerra portas, após a Misericórdia de Viseu alegar um prejuízo de 700 mil euros nos últimos cinco anos.

Para o desemprego vão 18 pessoas, todas mulheres. Metade destas funcionárias exigiram hoje a sua integração noutras respostas sociais da Santa Casa.

Teresa Alves, com 17 anos de casa, foi esta manhã um dos rostos da revolta.

“Este foi o pior Natal da minha vida por deixar as crianças, mas também por ter de abandonar o meu posto de trabalho”, disse aos jornalistas, confessando que não estava à espera de ser despedida.

“Só muito recentemente é que alguém da instituição que nos veio comunicar que o nosso futuro seria mesmo o despedimento. É muito revoltante porque demos muito por esta casa e somos meros números, somos despachadas quando não somos precisas”, lamentou.

Com bandeiras do Sindicato de Hotelaria do Centro e cartazes dizendo: “Trabalhadores do CAT da Misericórdia de Viseu em luta pela manutenção dos vínculos laborais”, as funcionárias estiveram durante cerca de uma hora perto do CAT.

“Estamos a reivindicar a nossa colocação nas várias valências que a Santa Casa tem. A Misericórdia tem muitos locais onde nos podem colocar e não querem. Nós sabemos que há falta de pessoal nas várias valências. Sinto que nos estão a descartar e não têm consideração e respeito por nós”, criticou Teresa Alves.

Teresa Domingos também não escondeu aos jornalistas a sua frustração por perder o emprego neste final de ano.

“Perdi uma família, todas temos um carinho muito grande pelas crianças, há aqui um ambiente de trabalho espetacular e foi sem dúvida um Natal para esquecer, soubemos nas vésperas que íamos ficar em casa”, revelou.

Para esta auxiliar de ação educativa esta situação é “incompreensível”. “O nosso desagrado é não tentarem e não haver uma palavra para mantermos o nosso trabalho porque são várias famílias que ficam desamparadas, e da maneira como isto está tudo”, apontou.

Teresa Domingos lamentou ainda que ao dia de hoje ainda não saiba se tem que ir trabalhar ou não e numa altura em que o CAT já não tem qualquer criança.

“Não recebemos qualquer comunicação. Não sei o que vou fazer hoje à noite”, declarou.

Ao lado das trabalhadoras esteve o presidente do Sindicato de Hotelaria do Centro, Afonso Figueiredo.

“A família mais próxima destas crianças eram estas trabalhadoras. Foi com surpresa que as 18 trabalhadoras receberam esta notícia do encerramento e com mais surpresa ainda porque amanhã deixará de haver crianças nesta valência e às trabalhadoras nada foi dito em relação ao dia de amanhã”, disse o sindicalista, acrescentando que as funcionárias vivem com um sentimento de descontentamento e indignação pela falta de diálogo da Santa Casa.

Ao Jornal do Centro, Adelino Costa, provedor da Santa Casa da Misericórdia, disse não haver alternativa, já que a recolocação em outras valências continuaria a acarretar custos à instituição.

“A Santa Casa antes de avançar para esta situação analisou, pensou. Tendo em conta que são 18 trabalhadoras, sabíamos que nunca conseguiríamos resolver o problema. Se fossem duas ou três poderíamos tentar resolver em outras valências, assim é impossível, porque estaríamos a manter os prejuízos. E quando tínhamos o CAT o Estado comparticipava, agora não. É evidente que nos custa muito esta situação, mas não temos alternativa. Não temos possibilidades sem ser o despedimento coletivo ou extinção de posto de trabalho”, afirmou.

Adelino Costa disse ainda que a Misericórdia tem feito contratações, mas temporárias. “As trabalhadoras questionam porque às fazes fazemos contratos, mas isso são situações pontuais, por baixas por exemplo, e são contratos de meses, meio ano, não é esta situação de trabalhadoras com vínculo”, detalhou.

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