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Durante três dias, 50 restaurantes do concelho têm no menu o rancho à Moda de Viseu. Um prato típico que nasceu no quartel do Regimento de Infantaria (RI) 14 há mais de dois séculos. Entre esta sexta-feira e domingo pode provar a iguaria que nasceu da necessidade.
Conta o atual comandante do RI14, Santos Sá, que terá sido durante as invasões francesas que, de improviso, o comandante de então pediu ao despenseiro para pegar em todos os ingredientes que tinha e entregá-los ao cozinheiro. O produto final resultou numa receita à base de carnes, enchidos, massas, couves e grão de bico. “Um prato suculento, saboroso e calórico, bom para animar as hostes militares”, reforça o comandante. De então para cá o prato que também ficou conhecido como “a comida do soldado” continua a agradar aos militares que, confessa o comandante, só é servido em dias de esta como vai acontecer esta sexta-feira.
A guardiã da receita já teve de se reformar, não sem antes receber as honras militares. Conhecida como a “tia” Angélica, a cozinheira agora com 88 anos foi agraciada com a Medalha D. Afonso Henriques. O comandante do RI14 garante, no entanto, que a receita continua bem guardada, agora “nas mãos da D. Lucília”.
E é esta “história” que perdura no tempo que é servida entre sexta-feira e domingo, numa iniciativa que envolve o município, o RI14 e a Associação Comercial do Distrito de Viseu. O seu presidente, Gualter Mirandez, fala de um evento que começou em 2006 com meia dúzia de restaurantes e que tem vindo a crescer. Mesmo na pandemia não parou e a adesão tem “sido expontânea”. O dirigente salienta ainda a qualidade do prato que não necessita de certificação para ser atestada e que a Festa do Rancho reveste-se de especial importância neste período pós-pandemia, de retoma económica, já que este setor foi particularmente afetado pelas restrições impostas à sua atividade.
Já a vereadora da Cultura na Câmara de Viseu, Leonor Barata, lembra que os verdadeiros encontros são feitos através da comida e que este evento irá também dar uma nova dinâmica ao setor.
“Através de um prato nós conseguimos partilhar não só um sabor, mas também um território. Tudo isto é enriquecimento patrimonial. São três dias a comer rancho e que vão provocar uma nova dinâmica na restauração”, refere Leonor Barata.