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O festival de jazz de Viseu, “Que Jazz É Este?”, tem este ano menos um dia de programação e menos dois concertos depois de ter ficado de fora da lista de projetos contemplados pelo Programa de Apoio 2022, na área de programação, da Direção-Geral das Artes (DGArtes). Além do corte no cartaz, a Gira Sol Azul, associação que organiza o evento, fez ainda alguns ajustes na equipa. O apoio do Governo seria de 35 mil euros.
A falta de apoio ao festival, que se realiza de 20 a 23 de julho, teve “impacto”, mas Ana Bento, da Gira Sol Azul, explicou que “sempre houve um plano A e um plano B”. “Temos consciência de que, apesar de acharmos que o nosso projeto é incrível e bem estruturado, pelo país há projetos muito bons para um bolo muito pequeno de orçamento disponível. Por isso, as coisas estavam preparados e tínhamos dois planos, um com DGArtes e outro sem”, disse.
Do plano sem DGArtes, que foi também comunicado à Câmara Municipal de Viseu que apoia o festival em 55 mil euros, constava a realização de menos dois concertos, menos um dia na programação, a não realização de um projeto e uma redução na estrutura que organiza o festival.
“Realizam-se menos dois concertos, que é menos um dia de programação, ficou de fora um projeto com a comunidade integrado na rubrica Jazz ao Domicílio e sacrificámos a associação, cortando um pouco na equipa que trabalha regularmente”, frisou Ana Bento.
Para a responsável, “onde não poderíamos mexer era nos caches dos artistas”. “Já fizemos o festival com muito menos dinheiro, mas ao longo dos anos o aumento de orçamento permitiu que construíssemos um caminho, que permitiu uma maior profissionalização do festival com cachets mais justos e dignos para os artistas contratados e achámos que não podíamos dar esse passo atrás, não podemos sacrificar a classe que já é tão sacrificada”, destacou.
Segundo Ana Bento, apesar de o festival ter ficado de fora da lista dos 92 projetos aprovados, de um total de 383 candidaturas, este nunca esteve em risco. “Temos uma missão e objetivos muito claros, que nos propomos a cumprir e as coisas que achamos que são importantes arranjamos sempre forma de as pôr de pé, porque o apoio do município é garantido. Embora não seja o suficiente para o que desenhámos inicialmente e desejaríamos fazer, é um valor significativo que obviamente não deixaríamos de aplicar numa versão que mantém os objetivos e missão do festival, mas com menos programação”, disse.
Ana Bento admitiu ainda que já estavam à espera que o apoio não viesse para Viseu, mas que acabaram por ficar “surpreendidos de forma negativa” com a avaliação e timing de saída dos resultados.
“Dado o número elevado de candidaturas, já tínhamos consciência que seria mais difícil este ano sermos contemplados com o apoio da GDArtes, mas o que nos surpreendeu foi parecer-nos não haver coerência entre os comentários e avaliação qualitativa que consta na ata de avaliação (muito bons) e os valores quantitativos atribuídos que, embora bons, não nos parecem espelhar a avaliação qualitativa”, finalizou.
Evento de dança do Lugar Presente também fica de fora
O evento de dança “Lugar Futuro”, que se realiza em março do próximo ano em Viseu, também ficou de fora dos apoios do Governo. A iniciativa da associação Lugar Presente contaria com um apoio de 15 mil euros.
Segundo Albino Moura, a falta deste apoio “não iria implicar o cancelamento do evento”, já que o festival é apoiado pela autarquia em 40 mil euros.
“Será feito um pequeno ajuste, mas o apoio não era um valor que implicasse cancelar, até porque temos apoio da autarquia que viabiliza a iniciativa. De certa forma ficamos com pena, mas é sinal que o tecido cultural está cada vez mais forte”, declarou.
Albino Moura lamentou ainda que a dança “continua a estar pouco beneficiada” e que não haja uma “ certa valorização de propostas do Interior e de regiões com menos oferta”.