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A edição deste ano do festival artístico Planalto, em Moimenta da Beira, será adiada. O anúncio foi feito pela organização, que contava realizar o evento de 12 a 17 de julho.
A direção está a propor a realização do evento para entre os dias 30 de agosto e 4 de setembro ou entre 6 e 11 de setembro.
Numa nota, o diretor artístico Luís André Sá refere que a equipa do festival foi “apanhada de surpresa” pelas indicações da Administração Regional de Saúde do Norte, que desaconselhava a realização de eventos, mas que foi acompanhando a situação pandémica da Covid-19 e medindo os riscos da realização do evento nas datas inicialmente previstas.
Esta manhã de quarta-feira (30 de junho), a organização do Planalto reuniu-se com a Câmara de Moimenta da Beira com vista a avaliar a situação. Ambas as partes concluíram que “seria útil precaver todas os riscos que se poderiam correr”.
“Projeta-se a esta altura que o pico desta quarta vaga (da pandemia) aconteça precisamente na semana do festival e isso deixa-nos a todos em níveis de insegurança extremos perante cenários que não se perspetivam positivos. A acrescentar a isto, está o facto de a 11 de julho, um dia antes do arranque do festival, estar prevista a comunicação de novas medidas de segurança a nível nacional que não sabemos o que virão dizer. Correndo assim o risco de, a menos de 24 horas do evento, vermos a realização do mesmo totalmente comprometida”, escreveu Luís André Sá.
Por isso, a organização aceitou “as considerações e os receios do Município de Moimenta da Beira, bem como da população residente que, efetivamente, demonstra resistência na realização do evento nestas datas”.
“Estamos compreensivos com a desilusão desta decisão, que nos afeta e desilude a nós de igual forma, e dos tempos de digestão da mesma, manifestando todo o apoio que nos seja possível garantir a todas e a todos nesta fase”, lê-se na nota.
No entanto, durante a reunião, o presidente da Câmara de Moimenta da Beira, José Eduardo Ferreira, comprometeu-se a “reafirmar a enorme importância do evento para o território, com um potencial de crescimento enorme”. Por isso, não querendo deixar cair mais uma edição e acautelada a vontade política, a organização está a tentar reagendar para as datas agora propostas que vão entre os finais de agosto e os meados de setembro.
“Estes períodos continuam, certamente, a não nos dar respostas e certezas claras do que será o cenário pandémico na altura. No entanto, queremos ver o lado positivo deste espaço de tempo que nos irá permitir trabalhar e recuperar a confiança do público na segurança das atividades culturais”, acrescentou a direção do festival, que acredita que o período entre 30 de agosto e 4 de setembro é o mais viável para a realização este ano.
Mesmo assim, Luís André Sá assegurou que quer que toda a programação se mantenha inalterada e propôs aos grupos e artistas participantes as duas datas propostas, que são “opcionais para encontrarmos pontos de equilíbrio que nos permitam depois avaliar agendas e disponibilidades e muito rapidamente encontrar resoluções”.
Nas últimas semanas, a organização entrou em contacto com as autoridades de saúde. Segundo o diretor do Planalto, mais de 65 por cento das pessoas envolvidas na programação desta segunda edição vêm oriundas da Área Metropolitana de Lisboa. Em cima da mesa, está a ser estudada a possibilidade de realização de testes antigénio.
“Esta edição está repleta de frustrações devido aos constantes reagendamentos, mas continua com uma programação que me orgulha muitíssimo e da qual não desistirei, com projetos de participação artística e social que me emocionam, e com uma equipa que se dedica continuamente e a todo o custo para fazer acontecer com amor este projeto no interior do país que tanto precisa desta resiliência e teimosia”, disse Luís André Sá.
O festival Planalto teve lugar pela primeira vez entre 20 e 25 de maio de 2019 em Moimenta da Beira.