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O festival Vistacurta, do Cine Clube de Viseu, que acontece em outubro, recebeu 380 curtas-metragens candidatas, das quais foram selecionadas 18 para o concurso nas categorias local e nacional, anunciou hoje a organização que exibirá duas longas-metragens.
“Este ano, recebemos 30 curtas novas e selecionámos sete para a competição local. E na competição nacional foram enviadas 350 e são 11 as que vão ser avaliadas pelo júri”, adiantou o presidente do Cine Clube de Viseu, José Pedro Pinto.
O Cine Clube de Viseu organiza desde 2010 o Festival Vista Curta e, de ano para ano, “o número de participações tem consolidado” o evento, “e nem tem só a ver com o crescente número de participações, mas até pela presença constante de novos trabalhos e autores”.
Um facto que, para Rodrigo Francisco, da direção do Cine Clube, “poderá ter a ver com o facto de as pessoas saberem que há a possibilidade de verem os seus trabalhos exibidos numa sala escura física, com toda a dignidade que o cinema merece”.
Este responsável destacou que na competição local “só um realizador que é repetente, mas com uma curta nova, todos os outros participam pela primeira vez” e “quase o mesmo acontece na competição nacional, que tem dois repetentes”.
Uma das ‘curtas’ “é de um realizador que quando tinha 15 ou 16 anos fez parte do júri nas escolas e hoje apresenta uma curta sua” e isto “também pode ser um reflexo” do impacto deste festival na cidade e na região.
As duas competições têm um prémio de 1.500 euros cada, tendo como júri a realizadora Francisca Marvão, o ilustrador Delfim Ruas e, “como sempre, um dos elementos é um sócio do Cine Clube de Viseu” e este ano é Inês Ferreira.
Há ainda um prémio simbólico, o Primeira Vista, que se traduz numa estátua da autoria de Liliana Velho, e que é atribuído por um júri constituído por alunos do ensino secundário.
O festival vai realizar-se entre 13 e 17 de outubro em espaços distintos como o Teatro Viriato, o auditório do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), o espaço Carmo 81 e ainda a sede da associação Fora do Rebanho, em Viseu.
A par das ‘curtas’, o festival exibirá duas longas-metragens e conta com os seus realizadores para uma conversa no final da sessão de cinema.
Assim, no dia 13 de outubro, com sessões para as escolas e à noite para o público em geral, o Teatro Viriato acolhe “Pai Nosso – Os últimos dias de Salazar”, um filme de José Filipe Costa que aborda os últimos dois anos de vida do ditador António de Oliveira Salazar.
No dia 17, o auditório do IPDJ exibe “Quem tem medo de Zurita de Oliveira”, de Francisca Marvão, que realizou “este documentário sobre a primeira mulher portuguesa a gravar uma música rock, em 1960, e de como quase não há registo na história sobre esta mulher e até de outras personagens e de quase foram apagadas da memória”.
Rodrigo Francisco destacou ainda um dos outros “pontos altos” da programação do festival com música ao vivo nos espaços culturais da cidade.
“Vamos fazer uma espécie de viagem à vida de Maya Deren, uma pioneira no cinema experimental norte-americano e conta com a música de João Mortágua e Gonçalo Parreirão”, indicou.
Um outro concerto baseia-se em Zurita de Oliveira e conta com a atuação de Zuritas Elétricas, NoNo e JJ 2000 Fantasmas.
O festival tem também a “componente muito importante do cinema e as escolas”, no âmbito do Plano Nacional das Artes, em que alunos são desafiados a realizarem e assistirem a curtas-metragens.
O programa detalhado do festival Vistacurta, assim como a lotação das salas e os bilhetes podem ser consultados na página oficial do festival na internet (vistacurta.pt/).