Person in a gray sweater makes ASL signs toward the camera, with both hands visible in the frame.
*
Soccer team in green-and-white striped jerseys lined up on a field with dogs on leashes in front of them.
Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.
arrendar casa
Casas Bairro Municipal Viseu 5

No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…

16.02.26

Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…

12.12.25

No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…

21.08.25
jose-damiao-tarouca-232
ps campanha
camapnha10
People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
Group of pageant contestants in evening gowns/swimwear with sashes standing on a brightly lit stage, audience seated in foreground.
Six young dancers pose with medals and a large trophy in front of a dance competition backdrop, Portugal flag visible behind them.
Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um diário – 22 Agosto de 1985 (continuação)

Fragmentos de um diário – 22 Agosto de 1985 (continuação)

04.11.23
partilhar

E a Fátima quis ser mais explícita. Disse que as palavras com frequência se enganam, nos enganam, nos obscurecem o sentido da vida, a clareza do real. Absorvemo-las a pensar que são o sinal de algo, mas ela suspeita de que são um falso sinal, sobretudo as mais metafísicas. Dizem Deus e infinito como quem se refere a água ou pedra, mas em vão. Ou ainda há pior: a verbosidade de poetas que enfileiram frases sobre frases, enchendo páginas de sinais gráficos perdidos de qualquer sentido, bêbadas de si próprias.
Disse-lhe que ela me estava a condenar ao silêncio. Ela respondeu que eu quase nunca exagerei, que a minha poesia corre perto da correnteza das coisas, ilumina o caminho, com sombras às vezes, mas as sombras são um elemento do real. Há poetas, disse, que enlouquecem com as palavras, assim como outros que fazem versos rendilhados de banalidades. Evitar os extremos é o ideal, concluiu. Se temos algo a dizer, deve haver um esforço pela clareza, mesmo para se dizer do invisível das coisas.
A música é a linguagem por excelência da alma, disse ela. Não sabe se a alma é uma expressão correta para identificar a interioridade que nos estremece. Mas algo existe que se aprofunda em nós em silêncios, em mágoas, em dor, em melancolia. Também na alegria, na contemplação estética, no sublime. A Fátima usa o conceito de alma para significar esses diversos estados de espírito. Quanto a um propósito religioso, cala-se. Duvida da sobrevivência de uma entidade metafísica, porque se interroga sobre a sua identidade constitutiva. A alma seria o quê?, interroga-se. Uma espécie de esqueleto imaterial das nossas idiossincrasias, gostos, educação? Respondi-lhe que, no entanto, há fenómenos estranhos, parapsicológicos, que, nada garantindo, provocam alguma perplexidade. Disse-lhe que não conseguia negar categoricamente qualquer hipótese. Ela também não. Aliás, o seu desejo é crer, em Deus, na alma, numa outra vida. Só não quer construir uma certeza sobre a poeira desses pressentimentos. A vida é suficientemente rica em dádivas. Que nos baste o pão de cada dia. Não nos preocupemos com o dia de amanhã, disse ela, repetindo as palavras de Jesus.
As nossas conversas eram sobretudo noturnas, na cama, por entre o sexo, o afeto, a alegria e o amor. De dia, passeávamos pela cidade, de olhos abertos à beleza da cidade. Ligeiros como os nossos passos, também as palavras se pautavam pela brevidade. No olhar e nas mãos dadas, no abraço e no sorriso se condensava o prazer de estarmos juntos.

Jornal do Centro

pub
  • Janelas 4Life. Qualidade, inovação e sustentabilidade
  • Habifactus - Viseu cresce e nós crescemos consigo. A sua imobiliária de confiança há 23 anos.
  • ReMax Dinâmica, a agencia numero 1 no Distrito de Viseu

Colunistas

Procurar